segunda-feira, 26 de março de 2012

ABALO SÍSMICO 5: ANNETTE KELLERMAN





Um religioso iraniano, Hojatoleslam Sedighi, disse que “Muitas mulheres que não se vestem de forma modesta levam os homens jovens ao mau caminho, corrompem a sua castidade e espalham o adultério pela sociedade. Isso, consequentemente, faz aumentar o número de terremotos”.





ANNETTE KELLERMAN


(Annette Kelerman 1912)



Annette Marie Sarah Kellerman, australiana, nasceu em 6 de julho de 1887. Nadadora profissional, foi também atriz de vaudeville e cinema, escritora, e defensora das causas das nadadoras profissionais.


Aos 6 anos, teve problemas nas pernas, o que exigiu o uso de cintas de aço para poder andar. Para complementar o tratamento, começou a ter aulas de natação. Aos 13, estava praticamente normal e se tornara ótima nadadora: foi a primeira mulher a tentar atravessar a nado o Canal da Mancha, em 1905.




Na época, as mulheres só podiam nadar usando pesadas combinações e calças. Foi a primeira a usar maiôs - de uma peça - e, por isso, chegou até a ser presa em Revere Beach, Massachusets, por atentado ao pudor. Em seu primeiro filme, The Marmaid, usou um traje de sereia que abriu caminho para as demais sereias do cinema, como Glynis Johns, Esther Williams e Daryl Hannah e, depois disso, passou a desenhar e até mesmo fabricar seus próprios trajes de natação.





No cinema, foi a primeira atriz a fazer uma cena de nudez total, no filme A Daughter of the Gods, de 1916, uma produção milionária da Fox Film Corporation. A maioria dos seus filmes tinha temas de aventuras aquáticas, nos quais ela era seu próprio dublê, realizando cenas perigosas, incluindo um mergulho de 28 metros no mar e 18 metros em uma piscina de crocodilos.








Annette e o marido voltaram para a Austrália em 1970. Permanceu ativa até a idade avançada, continuando a nadar e a fazer exercícios até pouco tempo antes de sua morte, em 5 de novembro 1975.





(Annette Kkeleeman in a daughter of the gods)



Quantos graus na escala Richter você dá a ANNETTE KELLERMAN?



segunda-feira, 19 de março de 2012

TARADOS... PORQUE REPRIMIDOS!



(A. não identificado)



Achei o artigo no jornal O ESTADO DE SÃO PAULO. Indica bem o que a mentalidade atrasada de fundamentalistas - de qualquer credo - faz à cabeça das pessoas. Justifica, em parte, porque gosto de escrever sobre nudez; porque gosto de publicar fotos de nus, sejam mulheres ou homens. A visão de um corpo nu deve ser apenas a visão de um corpo nu. O erotismo está em quem vê, e não em quem mostra. Alguém já ouviu falar em estupro em campo de nudismo?








Enfim, vamos ao artigo:

A LUXÚRIA E O TALMUDE


Em Israel, radicais ultraortodoxos violam a lei judaica ao tentar impor suas regras absurdas às mulheres





É possível que uma exigência religiosa de recato represente alguma outra coisa, a não ser o controle do corpo das mulheres pelos homens? A julgar pelos fatos ocorridos recentemente em Israel, ela representa apenas isso.



No mês passado, Naama Margolese, uma menina inocente de 8 anos e ortodoxa, foi difamada e enxovalhada por extremistas religiosos - todos homens - que acharam que ela não estava vestida com o recato necessário quando passou por eles, quando se dirigia para a escola religiosa que frequenta.





Cada vez mais, os ônibus de transporte público em Israel estão estabelecendo uma segregação de gênero imposta pelos usuários ultraortodoxos nos seus bairros ou áreas próximas. Infeliz a menina ou a mulher que não aceitar se sentar na parte de trás do ônibus.


Tudo isso é parte de uma batalha mais ampla que vem sendo travada em Israel entre os ultraortodoxos e o restante da sociedade israelense sobre o lugar da mulher na sociedade, o direito de ela ter uma presença visível e participar da esfera pública.








O que está por trás desses fatos profundamente inquietantes? Afirmam que eles têm base na preocupação religiosa com a decência, que as mulheres precisam estar cobertas e segregadas para os homens não alimentarem ideias libidinosas. Parece, assim, que um princípio religioso que se refere aos pensamentos sexuais dos homens tem como resultado homens controlando o corpo das mulheres.


Esse não é um problema exclusivo do judaísmo. Mas o Talmude, a base da lei judaica, oferece uma resposta talvez surpreendente: a responsabilidade pelo controle das ideias dos homens sobre as mulheres é honestamente dos homens. De modo explícito, o Talmude diz: "Este é problema seu, meu senhor; não delas".





Lógica invertida. Os ultraortodoxos que vêm exercendo em Israel controle sobre as mulheres alegam que as estão reverenciando: não tratamos as mulheres como objetos sexuais como ocorre na sociedade ocidental. Nossas mulheres são mais do que o seu corpo - e é por isso que o corpo delas precisa ser coberto completamente. É o que afirmam.



Na verdade, as ações desses homens tornam as mulheres um objeto e acentuam a conotação sexual. Pense nisso: ao afirmar que todas as mulheres precisam ocultar seu corpo, eles estão dizendo que toda mulher é um objeto que pode estimular a sexualidade nos homens.








Assim, cada mulher que passar pelo campo de visão deles é avaliada com base no quanto o seu corpo está coberto. Não é vista como um ser humano completo, mas como um potencial incentivo ao pecado.



Naturalmente, quando você julga um ser humano do sexo feminino por meio da obsessão sexual de um homem, até mesmo uma menina de 8 anos pode ser vista como uma sedutora e prostituta.






No fundo, estamos falando de uma mentalidade do gênero a vítima é que é culpada. A responsabilidade de um homem de controlar seus impulsos sexuais não é mais dele, ela é transferida para qualquer mulher com a qual ele pode, ou não, deparar. Uma noção muito próxima de outra, generalizada, de que "ela estava procurando isso".



Assim, a responsabilidade agora passou para as mulheres. Para proteger os homens contra seus pensamentos libidinosos, as mulheres precisam ocultar sua feminilidade em público, desfazendo-se da mínima evidência da própria sexualidade. Tudo isso está sendo feito em nome da Torá e da lei judaica. Mas na verdade é uma total perversão.






O Talmude, novamente, reconhece que os homens podem ser sexualmente despertados pelas mulheres e, na realidade, preocupa-se com os pensamentos e as atividades sexuais fora do casamento. Mas não diz para as mulheres que os impulsos sexuais dos homens são responsabilidade delas.



Pelo contrário, tanto no Talmude quanto nos dispositivos da lei judaica, essa responsabilidade é dos homens. Segundo o Talmude, é proibido um homem olhar de modo libidinoso para uma mulher, seja ela bonita ou feia, casada ou solteira. Os rabinos ampliaram essa proibição, dizendo ser proibido olhar "para o seu dedo mindinho" e "suas roupas coloridas - mesmo se estiverem secando no varal".






Tornar isso responsabilidade da mulher é exigir que elas ocultem suas mãos e não sequem suas roupas em público. Ninguém jamais disse isso. Pelo menos até agora. O Talmude, na verdade, diz ao homem religioso: se você tem um problema, resolva-o. É o olhar masculino - a maneira como os homens olham as mulheres - que tem de ser despojado de luxúria. São os homens que têm de se controlar, não encarando as mulheres como objeto de satisfação sexual.



A tradição judaica ensina a homens e mulheres que devem ser recatados no vestir. Mas recato não é definido pelo quanto o corpo de uma pessoa é oculto. É definido pela conduta e atitude. Reconhecer que uma pessoa não precisa ser o centro de atenção. Assimilar a exortação à decência do profeta Micha: aprender a "andar humildemente com o seu Deus".



A menina Naama, de 8 anos, pode ensinar seus agressores uma ou duas coisas sobre decência.







(Tradução de Terezinha Martino)




(Fotos da internet, sem indicação de autoria)





segunda-feira, 12 de março de 2012

ABALO SÍSMICO 4: HEDY LAMARR




Um religioso iraniano, Hojatoleslam Sedighi, disse que “Muitas mulheres que não se vestem de forma modesta levam os homens jovens ao mau caminho, corrompem a sua castidade e espalham o adultério pela sociedade. Isso, consequentemente, faz aumentar o número de terremotos”.






Hedy Lamarr

A bela que era uma fera.



(Filme: Êxtase de, 1933)



A mais bela mulher do mundo, em sua época, era também extremamente inteligente.


Conta-nos Lucia Guimarães (OESP/14/1/2012): "a estonteante Hedy Lamarr, nascida Hedwig Kiesler, em Viena, em 1915, estrela de Algéria, Fruto Proibido e Sansão e Dalila, foi uma das inventoras da tecnologia de rádio de amplo espectro que seria a precursora, entre outros, dos telefones celulares, do WI-Fi e do GPS.




(Filme: Êxtase, de 1933)


Hedy Lamarr dizia; "Qualquer garota pode ser glamourosa. Você só precisa ficar imóvel e parecer estúpida".

"A fuga de Hedy Lamarr da opressão do casamento e da Viena cada vez mais hostil a uma judia teve várias versões rocambolescas, espalhadas pela própria atriz. Fritz Mandl era um milionário negociante de armas e oportunista, que proibira a mulher de continuar a carreira de atriz e havia tentado comprar todas as cópias existentes do filme Ekstase. Filmado em Praga, Ekstase mostrou a primeira expressão de uma atriz durante um orgasmo e revelou as formas de Hedy, então com 18 anos."











Sua emancipação envolve um breve caso de amor com o romancista Erich Maria Remarque, autor de Nada de novo no front, e o embarque, de Londres, para os Estados Unidos, num luxuoso transatlântico, onde estava, também o produtor Louis B. Meyer, da MGM, que lhe ofereceu, ao final da viagem, um salário de US$500 por semana e advertiu: "Bunda de mulher é para o marido, não para o público de cinema".






George Antheil, que viria a ser seu parceiro de estudos e invenções, escrevia sobre endocrinologia feminina. Em 1940, numa festa, Hedy mandou-lhe dizer que "queria lhe consultar sobre suas glândulas". Só o que Antheil não sabia é que a preocupação de Lamarr eram seus seios pequenos. "Dá para eles ficaram muito maiores?", ela disparou, prática como sempre.


A preocupação com o tamanho dos seios tinha sentido. Conta-se que, ao saber do filme Sansão e Dalila, de 1949, com Victor Mature, a língua ferina de Grouxo Marx teria comentado que "não pode dar certo um filme em que o mocinho tem seios maiores do que a mocinha".




(Filme: Sansão e Dalila, de 1949)




Hedy Lamarr, aos 82 anos, foi homenageada junto com Antheil, já morto, como pioneira de várias pesquisas relacionadas a frequência de rádio e outras, pela Electronic Frontier Foundation. Abandonou o cinema antes do fim da década de 50, mas continuou a estudar e a inventar. Chegou a sugerir uma modificação no design do supersônico Concorde, inventou uma coleira de cachorro florescente e um aparelho para ajudar deficientes físicos a tomar banho. Seu último projeto era atravessar o milênio. Morreu dormindo no dia 19 de janeiro de 2000.




(Filme: Êxtase, de 1933)


Quantos graus na escala Richter você dá a HEDY LAMARR?



quinta-feira, 8 de março de 2012

DIA INTERNACIONAL DA MULHER





ELOGIO DO PECADO

  (BRUNA LOMBARDI)



(Foto de Herb Ritts; modelo: Alek Wek)



Ela é uma mulher que goza
celestial sublime
isso a torna perigosa
e você não pode nada contra o crime
dela ser uma mulher que goza


você pode persegui-la, ameaçá-la
tachá-la, matá-la se quiser
retalhar seu corpo, deixá-lo exposto
pra servir de exemplo.
É inútil. Ela agora pode resistir
ao mais feroz dos tempos
à ira, ao pior julgamento
repara, ela renasce e brota
nova rosa


Atravessou a história
foi queimada viva, acusada
desceu ao fundo dos infernos
e já não teme nada
retorna inteira, maior, mais larga
absolutamente poderosa.





segunda-feira, 5 de março de 2012

SEXO ERA UMA ENCRENCA, NA ERA VITORIANA






O verdadeiro problema das camas, com certeza no período vitoriano, era serem inseparáveis da mais problemática das atividades humanas, o sexo. Dentro do casamento, o sexo era, naturalmente, por vezes necessário. Mary Wood Allen, em seu livro popular e influente What a young woman ought to know [O que uma moça deve saber], assegurava a suas jovens leitoras que era permido participar de intimidades sexuais dentro do casamento, desde que isso fosse feito "sem nenhuma partícula de desejo sexual". Acreditava-se que o humor da mãe e seus pensamentos no momento da concepção e durante toda a gravidez afetavam o feto de maneira profunda e irremediável. Os casais eram aconselhados a só ter relações sexuais quando estivessem "em total sintonia" um com o outro, por medo de gerar uma criança defeituosa.





Para evitar a excitação, de modo geral, as mulheres eram orientadas a respirar ar fresco em abundância, evitar passatempos estimulantes como ler e jogar cartas e, acima de tudo, nunca usar o cérebro mais que o estritamente necessário. Educá-las não era simplesmente um desperdício de tempo e de recursos, mas algo perigoso e mau para a sua constituição delicada. Em 1865 o autor e crítico social Jonh Ruskin opinou, em um ensaio, que as mulheres deveriam ser educadas apenas o suficiente para ter serventia prática para os cônjuges, e não mais que isso. Mesmo a americana Catherine Beecher, que pelos padrões da época era uma feminista radical, defendeu ardorosamente que as mulheres deviam ter plena igualdade de direitos quanto à educação, desde que se reconhecesse que elas precisariam de um tempo extra para arrumar o cabelo.






Para os homens, o principal problema e preocupação era não derramar nem uma gota de líquido seminal fora dos limites sagrados do matrimônio - e mesmo dentro dele, o mínimo, se fosse possível controlá-lo. Como explicou uma autoridade, o fluido seminal, quando nobremente retido no corpo, enriquece o sangue e revigora o cérebro. A consequência de descarregar ilicitamente esse elixir natural era deixar o homem enfraquecido, física e mentalmente. Assim, mesmo dentro do casamento era preciso ser frugal com os espermatozoides, pois a atividade sexual frequente produzia um esperma "lânguido", resultando em filhos apáticos. Uma relação por mês era o recomendado como o máximo para garantir a segurança.







A masturbação, ou "autoabuso", ficava fora de cogitação em todos os momentos, é claro. Suas consequências bem conhecidas abrangiam praticamente todas as condições indesejáveis conhecidas pela ciência médica, incluindo a loucura e a morte prematura. Os autopoluidores - "pobres criaturas infelizes, trêmulas, pálidas, contorcidas que rastejam sobre a terra", como descreveu um cronista - eram dignos de pena. "Cada ato de autopoluição é um terremoto - uma explosão - um golpe mortal paralítico", declarou um especialista. Os estudos de caso demonstravam vividamente os riscos. Um médico chamado Samuel Tissot relatou que um paciente seu babava continuamente, pingava sangue aguado do nariz "e defecava na cama sem perceber". As duas últlimas palavras eram particularmente terríveis.







Pior ainda: o vício do autoabuso seira automaticamente transmitido para a prole, de modo que cada incidente de prazer e perverso não só amolecia o cérebro do próprio infrator, como minava a vitalidade das gerações ainda por nascer. A análise mais completa dos riscos sexuais, e também o título mais longo, foi fornecido por sir William Acton em The functions and disorders of the reproductive organs, in childhood, youth, adult age, and advanced life, considered in their physiological, social and moral relations [Funções e transtornos dos órgãos reprodutivos, na infânica, na juventude, na idade adulta e na avançada, considerados em seus aspectos fisiológicos, sociais e morais], publicado pela primeira vez em 1857. Foi ele quem decidiu que a masturbação levava à cegueira. E também foi responsável pela afirmação tão citada: "Devo dizer que a maioria das mulheres não é muito afetada por sensações sexuais de qualquer tipo".








Tais crenças predominaram por um tempo incrivelmente longo. "Muitos pacientes me diseram que seu primeiro ato masturbatório ocorreu ao assistir a algum show musical", relatou severamente dr. William Robinson, em uma obra de 1916 sobre distúrbios sexuais.







Felizmente, a ciência estava por perto para ajudar, Um remédio descrito por Mary Roach em Bonk: the curious coupling of sex and science [Bonk: o curioso acoplamento do sexo com a ciência] foi o anel peniano, desenvolvido na década de 1850, que era deslizado sobre o pênis na hora de dormir (ou mesmo a qualquer momento). Por dentro, o aro tinha pontas de metal que davam agulhadas em qualquer pênis que tivesse o atrevimento de inchar, ultrapassando uma folga minúscula admissível. Em outros dispositivos havia uma corrente elétrica que sacudia o infeliz, obrigando-o a ficar acordado - assustado mais penitente.







EM CASA - UMA BREVE HISTÓRIA DA VIDA DOMÉSTICA, de Bill Bryson, tradução de Isa Mara Lando.


(Ilustrações: não foi possível identicar o autor)