segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

UM ESTRANHO PEDIDO DE CASAMENTO E UMA CABEÇA CORTADA









Sir Thomas More, ou Thomas Morus, o autor de UTOPIA, nasceu em Londres, em 7 de fevereiro de 1478 e morreu na mesma cidade em 6 de julho de1535. Foi homem de estado, diplomata, escritor, advogado. Ocupou vários cargos públicos, e em especial, de 1529 a 1532, o cargo de "Lord Chancellor" (Chanceler do Reino - o primeiro leigo em vários séculos) de Henrique VIII da Inglaterra. É geralmente considerado como um dos grandes humanistas do Renascimento. Foi canonizado como santo da Igreja Católica em 9 de maio de 1935.


Thomas More chegou a se autodescrever como "de família honrada, sem ser célebre, e um tanto entendido em letras". Era filho do juiz Sir John More, investido cavaleiro por Eduardo IV, e de Agnes Graunger. Casou-se com Jane Colt em 1505, em primeiras núpcias, tendo tido como filhos: Margaret, Elizabeth, Cecily e John. Jane morreu em 1511 e Thomas More casou-se em segundas núpcias com Lady Alice Middleton. More era homem de muito bom humor, caseiro e dedicado à família, muito próximo e amigo dos filhos. Dele se disse que era amigo de seus amigos, entre os quais se encontravam os mais destacados humanistas de seu tempo, como Erasmo de Rotterdam e Luis Vives.







(Thomas More family: autor não identificado)
     


 

Deu aos filhos uma educação excepcional e avançada para a época, não discriminando a educação dos filhos e das filhas. A todos indistintamente fez estudar latim, grego, lógica, astronomia, medicina, matemática e teologia. Sobre esta família escreveu Erasmo: "Verdadeiramente, é uma felicidade conviver com eles."


(Agostino Carraci)





Mas o que faz aqui, nesta LUA tão sem pejo, um homem assim tão santo? Pois, é: não se pode confiar nem nos santos, quando se trata de usos e costumes. 


No século do renascimento, sob o véu da erudição e santidade, às vezes se escondiam aspectos bastante interessantes de velada ou safada sexualidade. Como, por exemplo, filhos e filhas dormirem no mesmo quarto dos pais, já que a intimidade tal como hoje a conhecemos não existia.

Leia o que nos conta sobre o "santo", o livro EM CASA, de Bill Bryson: 




(Anônimo)






"Em uma de suas obras, o historiador seiscentista John Aubrey conta uma anedota sobre o casamento de Margaret, filha de Thomas More, com um homem chamado William Roper. Segundo a história, Roper chega à porta certa manhã e diz a More que deseja se casar com uma de suas filhas - qualquer uma das duas serve. More então leva Roper para o seu quarto, onde as filhas estão dormindo em uma cama de rodinhas que pode ser guardada embaixo da cama dos pais. Inclinando-se, More habilmente "puxa o lençol pela ponta e de repente o arranca", relata Aubrey com evidente prazer, revelando que as duas jovens estavam quase nuas. Protestando, sonolentas, contra essa perturbação, elas rolam na cama e deitam de barriga para baixo; e, após um breve momento de admiração e reflexão, sir William anuncia que já viu os dois lados, e bate de leve com a bengala no traseiro de Margaret, de dezesseis anos de idade. 'E nisso se resumiu todo o seu trabalho de lhe fazer a corte', escreve Aubrey com indisfarçada admiração."



(Anonimo)


Ah, sim: Thomas Morus recusou-se a fazer o juramento ao rei Henrique VIII, quando este se divorciou de Catarina de Aragão para se casar com Ana Bolena, o que as leis canônicas proibiam, e foi sentenciado à morte. Cortaram-lhe a cabeça.

(Anônimo)




EM CASA - UMA BREVE HISTÓRIA DA VIDA DOMÉSTICA, Bill Bryson; tradução de Isa Mara Lando.




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