segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

FEMEN: TOPLESS COMO FORMA DE PROTESTO















Ucrânia, 2008. Anna Hutsol funda o grupo de protesto Femen, que se torna conhecido no mundo todo, nos anos seguintes, por sua forma notória de protestar: usando o corpo.


Mas, por que protestam tanto as ucranianas, tirando a roupa e desafiando o frio (que é de rachar!) e a polícia (que é de bater e prender, como toda polícia do mundo todo!)?


Entendamos que a Ucrania, logo após a Revolução Russa (1917), tornou-se um dos países fundadores da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Após o colapso da União Soviética, em 1991, tornou-se estado soberano.


Com um território um pouco maior do que o estado de Minas Gerais, com uma população de pouco mais de 52 milhões de pessoas, a Ucrania tem-se transformado, nos últimos anos, em ponto de turismo sexual da Europa.


E este é um dos principais motivos de protestos das jovens ucranias do grupo FEMEN: não querem ser taxadas de prostitutas. Diz sua líder: "as ucranianas são lindas, mas não são putas".


Há pouco, uma polêmica provocou mais um protesto - com cenas de nudez, claro: o consulado da Índia resolveu limitar os vistos a mullheres ucranianas, acusando-as de ir para o seu país para se prostituírem.


Mas não é só contra a prostituição e o turismo sexual que lutam as corajosas garotas do FEMEN. Elas também, quase toda semana, protestam nas ruas, mostrando os seios:


1. contra a corrupção dos tribunais, que não punem adequadamente os crimes de violência sexual;

2. contra a violência doméstica;



3. para exigir maior participação de mulheres no governo;

4. por maiores conquistas sociais das mulheres;



5. contra a truculência da polícia que, às vezes, abusa das manifestantes, incitando a mais violência contra as mulheres;

6. contra as estripulias sexuais do ex-primeiro ministro italiano, Sílvlio Berluconi;


7. contra o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad, por não livrar Sakineh Mohammadi Ashtiani da condenação por apedrejamento;

8. contra o uso da energia nuclear, ao relembrarem o tenebroso acidente de Cherrnobyl;


9. contra a crise econômica e o desemprego;

10. pela libertação de presos políticos.


Diz uma das líderes do movimento, Inna Shevchenko, estudante de jornalismo de 20 anos: . “Claro que protestamos contra tudo. O que queremos é ter uma voz.


Se a voz das ucranianas ainda não soa suficientemente alta para obterem suas conquistas, seus belos corpos desnudos ganharam o mundo, que nem sempre entendeu muito bem seus protestos, como sempre acontece com a mídia encantada mais com seios e bundas do que com ideias.


Enquanto isso, deixemos que fale a fundadora do movimento, Ana Hutsol: "Eu estive envolvida em trabalho social por muitos anos, desde a época da universidade. Enquanto trabalhava, notei que as mulheres eram fortemente discriminadas na Ucrânia e que não havia mecanismos para mudar isso e proteger seus direitos."


"Percebi também que as mulheres jovens ucranianas são tradicionalmente voltadas para o casamento – e isso as priva de sua vida social e das conquistas que poderiam alcançar. Refleti muito para decidir me dedicar a esses projetos."



"Também trabalhei no showbiz e foi nessa época que tive a ideia de como as coisas poderiam ser organizadas para tornar essa mobilização interessante para as jovens, pois acredito que são elas quem podem mudar a situação das mulheres na Ucrânia."


Enfim, as garotas do Femen querem romper com o feminismo tradicional. “Aquele era para as mulheres serem iguais aos homens. Nós não – queremos ter o nosso lugar sendo mulheres. Por isso mostramos como somos sexy”.


 Atualmente o Femen tem 300 integrantes - 30 delas fazem protestos topless e se denominam as “guerreiras” do grupo. A média de idade é de 22 anos, mas há uma integrante de 63 anos.


 Inna conta que os homens que assistem às manifestações nunca tentaram fazer alguma bobagem ou se aproveitar. No máximo, tiram fotos com o celular. A integrante do Femen também garante que o fato de que a grande maioria das “guerreiras” serem bonitas é uma coincidência e que não há seleção com base na aparência das militantes. “Olhe à sua volta – todas as ucranianas são bonitas. Não somos agência de modelo”, afirma.














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