terça-feira, 3 de janeiro de 2012

SAINDO DO ARMÁRIO






Homossexualidade.

Mesmo nos tempos de "paradas do orgulho gay", de celebridades fazendo revelações íntimas, de debates sobre "casamento gay", de casais de jovens e não tão jovens se assumindo em público, a homossexualidade ainda causa... preconceitos!





Mas, não é sobre homofobia e preconceitos que quero falar. Isso é por demais asqueroso, para merecer entrar nas crônicas desta "Lua", cuja filosofia é pregar o erotismo livre e respeitar aquilo que cada um é.





Quero falar da homossexualidade feminina. Das lésbicas. Das sapatonas e sandalinhas. De mulheres que "saem do armário". E isso é meio estranho, porque, se do lado masculino, o ato de se declarar gay é quase sempre algo meio traumático, causador de espantos da família, dos amigos, colegas e conhecidos que se fingiam de mortos quando o garoto já há muito revelava suas tendências, as moças, por seu lado, não provocam nenhuma reação ao andar de mãos dadas com as "amigas", nem mesmo comentários maldosos, já que as mulheres "são assim"... convivem mais intimamente umas com as outras.






O lesbianismo desenvolve-se meio camufladamente. E, quando revelado e escancarado, se causa reações (e sempre causa!), é seguido de comentários ou pensamentos como: "eu sempre desconfiei", "eu sempre soube", "essas duas nunca me enganaram"... E o preconceito segue ali, remoendo as consciências, sob a falsa aparência de conformidade.





Então, quase nunca vemos algo como "fulana saiu do armário", como no caso de muitos homens (célebres ou não) que escondem o máximo que podem sua vida íntima, até que um dia... explodem! E todos dizem "oh! ele é mesmo gay".

Garotas não "saem do armário", escorregam lentamente dele...







Mas não foi o que aconteceu, no caso seguinte. E passo a resumir uma matéria que encontrei no site indicado no final do post.



Em discurso emocionante, 
adolescente sai do armário






Uma escola estadunidense propôs o tema "Quebrar o silêncio... a respeito das coisas que contam!", por ocasião das comemorações dos movimentos cívicos. Então, Kayla, do ensino médio, resolveu escancarar sua homessexualidade, num discurso em frente a todos os seus colegas de escola. Isso aconteceu na Califórina, há pouco mais de um ano. Um trecho de seu discurso, no qual Kayla volta ao dia em que percebeu sua primeira atração por uma garota, a agonia que ela sentiu quando tomou consciência de sua homossexualidade e os riscos que existem, ainda hoje, quando alguém - principalmente uma mulher - decide "sair do armário":





"Eu estou aterrorizada com a ideia de falar a vocês. Eu tenho medo de perder meus amigos e aqueles que eu amo. Eu tenho medo de ter uma má reputação nesta escola, eu tenho medo pela maneira com a qual as pessoas poderão me olhar. Este discurso vai mudar minha vida para sempre, mas eu espero que minhas palavras possam mudar ainda mais coisas. É tempo de parar de ter medo. Eu quero poder ficar apaixonada, caminhar com ela na rua de mãos dadas".





Ainda em seu discurso, Kayla disse aos colegas que rezou muito a Deus para que deixasse de ser lésbica, lutou contra sua natureza e saiu com meninos, mas que no fim encontrou adolescentes "que eram felizes - uma coisa que eu não pensava possível. Eu estava em um lugar onde eu sabia que seria aceita, onde eu poderia aceitar a mim mesma. Eu estava livre".













http://somosglbt.blogspot.com/2011/01/em-discurso-emocionante-adolescente-sai.html


(Ilustrações de Suzanne Ballivet, 
para uma das edições de 
Les Chansons de Billitis, 
de Pierre Loÿs)





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