terça-feira, 25 de outubro de 2011

DOIS POEMAS DE MARIA TERESA HORTA








Estou trazendo dois textos de uma das três Marias de Portugal.

Sim, porque, aqui, nesta mesma “Lua”, já falei de Maria Teresa Horta, quando publiquei um texto do livro “Novas Cartas Portuguesas”. Agora, ela vem sozinha, com toda a sua verve, com todo o seu erotismo.

Maria Teresa Mascarenhas Horta nasceu em Lisboa em 20 de Maio de 1937. Oriunda, pelo lado materno, de uma família da alta aristocracia portuguesa, conta entre os seus antepassados a célebre poetisa Marquesa de Alorna.

Estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Dedicou-se ao Movimento Feminista de Portugal juntamente com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, com as quais publicou o já citado "Novas Cartas Portuguesas".



Deliciem-se com os dois poemas de Maria Teresa Horta, ilustrados com fotos de Viktor Ivanovski:



As nádegas






Porque das nádegas
a curva
sempre oferece
a fenda
o rio
o fundo do buraco


Para esconso uso do corpo
nunca o fraco
poder do corpo em torno desse vaso


Ambíguo modo
de ser usado
e visto


De todo o corpo
aquele
menos dado


preso que está já
do próprio vicio
e mais não é que o limiar de um acto

Joelho






Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho


Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio


Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo


Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo


Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo


E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento


Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas


Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.




Um comentário:

Anônimo disse...

ia da um rage só pq ela é portuguesa kkk ando meio puto pq to estudando sobre a colonização do brasil