sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A PRIMEIRA VEZ... DE FANNY HILL



(Fanny Hill por Paul Émile Bécat, o aprendizado do prazer)



Fanny Hill. 

Personagem do romance erótico de John Cleland (1710-1789). 

Garota do interior, órfã, vai para Londres em busca da sobrevivência. Levada para um bordel, ainda virgem, começa a ser preparada para a chamada “vida fácil” por uma colega de quarto. Foge, ao apaixonar-se, violentamente, por um jovem frequentador da casa, ao encontrá-lo numa manhã, bêbado e dormindo no sofá da sala. Vai com ele para uma estalagem, como sua amante, e entrega-lhe a virgindade.



(Paul Émille Bécat; aprendizado: Fanny observa, no bordel, a "colega" em ação)


Há uma série de fetiches na descrição: a do hímen poderoso, tão poderoso que podia até mesmo impedir as estocadas iniciais do macho; a do homem belo, jovem, viril, extremamente viril, com uma “arma” imensa; a dor do rompimento e o sangramento; a submissão sexual da mulher... Mas, o fetiche maior é mesmo a decantada primeira vez.

O romance é estruturado em forma de cartas que a jovem escreve a uma senhora desconhecida. Por isso, a narrativa em primeira pessoa. Divirtam-se com as metáforas típicas da época do autor, quando, pelo menos na literatura, a perda da virgindade era um grande acontecimento:


(Fanny Hill, autor não identificado)



“Charles mal passou a tranca na porta e, correndo, tomou-me em seus braços, erguendo-me do chão, com os lábios colados aos meus, e me carregou, trêmula, arfante, desmanchando-me em doces lágrimas e ternos desejos, para a cama, onde a sua impaciência não lhe permitiu despir-me mais do que soltar o lenço e o vestido e desamarrar-me o espartilho.


(Paul Émille Bécat)


Meu busto estava agora nu e, expandindo-se nas mais calorosas palpitações, apresentou à sua vista e ao seu toque a protuberância firme, rígida de um par de seios jovens, como eram de se esperar em uma moça que ainda não completara dezesseis anos, recém-saída do campo e que nunca passara pelas mãos de ninguém; mas até mesmo sua altivez, sua alvura, suas formas, sua agradável resistência ao toque não conseguiam impedir as suas mãos de buscar outras paragens. Mas sim, deixando-as correr livres, logo minhas anáguas e minha camisola foram tiradas, e o centro mais forte de atração para aquelas mãos se expôs à sua terna invasão. Meus temores, no entanto, fizeram-me, mecanicamente, fechar as pernas, mas o simples toque das suas mãos, insinuando-se entre elas, separou-as, abrindo caminho para o ataque principal.





(Paul Avril)



Enquanto isso, eu estava completamente exposta ao exame dos seus olhos e das suas mãos, quieta e sem opor resistência, o que o confirmou na opinião, que ele mantinha com tanta firmeza, de que eu não era noviça naquele assunto, uma vez que ele me tirara de um bordel comum; nem eu disse nada para convencê-lo da minha virgindade; se o tivesse feito, antes ele teria acreditado que eu o tomava por algum trouxa, capaz de engolir tamanha improbabilidade quanto essa de ser eu ainda senhora daquele acalentado tesouro, daquela mina escondida, tão procurada pelos homens, mas que eles só buscam cavar para destruir.





(Paul Émille Bécat)



Estando ele agora excitado demais para tolerar demoras, desabotoou-se e, tirando para fora o instrumento de ataque amoroso, arremeteu-o de imediato, como se fosse encontrar uma abertura já pronta. E então! Então, pela primeira vez, senti aquela cartilagem intumescida, dura feito ferro, malhando contra as partes tenras, mas imagine a surpresa dele ao descobrir, após vários arremessos vigorosos, que me machucaram extremamente, não estar conseguindo o menor avanço.



(Paul Émille Bécat)



Queixei-me, mas queixei-me suavemente de que não conseguia aguentar... Deveras! Estava me machucando. Ainda assim, ele nada mais pensou do que, sendo eu tão jovem, o volume de sua máquina (pois poucos homens podiam rivalizar em tamanho com ele) criava toda a dificuldade e que possivelmente eu ainda não tinha sido desfrutada por ninguém tão avantajado naquelas partes quanto ele; pois ainda não lhe tinha sequer passado pela cabeça que minha virgem flor ainda não havia sido colhida, e ele teria achado uma perda de tempo e de palavras haver-me questionado a respeito.



Ele tenta novamente: a entrada continuava fechada; a penetração não acontecia; porém machucava-me ainda mais, enquanto o meu extremo amor me fazia suportar a extrema dor quase sem um gemido: aos poucos, após tentativas repetidas e inúteis, ele se deitou, ofegante, ao meu lado, beijou as lágrimas que caíam de mim e perguntou-me ternamente o que significavam tantas queixas, e se eu não havia aguentado a coisa melhor com outros do que com ele. Respondi, com simplicidade convincente, que ele era o primeiro homem a me cobrir dessa forma. A verdade é poderosa, e não é sempre que descremos no que ansiosamente desejamos.






(Michael Zichy)



Charles, já predisposto pela evidência dos seus sentidos a achar que minha pretensão à virgindade não era inteiramente apócrifa, cobre-me de beijos, pede-me, em nome do amor, que tenha um pouco de paciência, que ele terá tanto cuidado para não me machucar quanto teria consigo mesmo.


Ai de mim! Bastou-me saber da sua satisfação, para submeter-me alegremente a ele, não importa a dor que, eu previa, aquilo iria me causar.





(Paul Avril)



Ele retoma o ataque com mais jeito: primeiro, põe sob o meu corpo um dos travesseiros, para dar ao alvo da sua arma uma elevação mais favorável, e outro sob a minha cabeça, para meu conforto; depois, abrindo minhas coxas e colocando-se erguido entre elas, apoiou-as em seus quadris; em seguida, ajustando a ponta da sua máquina na fenda, em que buscava entrada, esta era tão pequena que ele mal podia ter certeza de estar apontando no lugar certo. Ele olha, sente e se mostra satisfeito; então, arremessando-se com fúria, sua rigidez prodigiosa, abrindo caminho feito um formão, rompe a união daquelas partes, permitindo a entrada apenas da cabeça, ao que ele, sentindo-se inteiramente aninhado entre os lábios, aumenta a sua vantagem e, dando sequência ao golpe, em linha reta, aprofunda à força a sua penetração, mas causando-me dor tão intolerável, devido à separação dos lábios daquela passagem macia por um corpo tão espesso e rígido, que não sei como não gritei; não querendo alarmar a casa, contive a respiração, enfiei na boca as minhas anáguas (que estavam viradas sobre o meu rosto) e as mordi durante a agonia. Aos poucos, a textura macia daquele aparelho abrindo caminho para uma ruptura e uma laceração tão violentas, ele perfurou alguma coisa mais dentro de mim: e agora, agressivo, já não mais senhor de si mesmo, mas arrastado pela fúria e impetuosidade daquele membro, que agora se esforçava com uma espécie de ferocidade nativa, ele irrompe, arrastando tudo pelo caminho, e uma estocada veemente e impiedosa o arremessa, empapado e impregnado de sangue virginal, completamente dentro de mim. Então! Então, toda a minha firmeza me abandonou; gritei e desmaiei, tão aguda foi a dor, e (conforme ele me contou mais tarde), ao retirá-lo, quando a descarga já tinha-se acabado, minha coxas ficaram instantaneamente cobertas por uma torrente de sangue que fluiu da passagem machucada, lacerada.”






(Paul Émille Bécat)



(Fanny Hill – Memórias de uma mulher de prazer
tradução de Eduardo Francisco Alves)




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