sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A CADEIRA DO AMOR







Eu tenho uma mesa de jantar giratória, dessas cujo centro gira, para facilitar o trabalho dos comensais. Foi o presente de amigo, do interior. Feita de pedra. E esse amigo também tem uma. Além da mesa, tem também três filhos, homens. Uma vez, contou-me ele, encontrou o mais novo no centro da mesa e os outros dois divertindo-se em fazê-lo rodar a toda velocidade.






Veio-me essa historinha, ao encontrar na internet um comercial de venda de uma cadeira erótica, ou “cadeira dos sonhos eróticos”, ou algo assim. Não pude deixar de pensar no casal voltando de um programa a dois e encontrando os filhos se divertindo nesse trambolho.






Uma cadeira que promete realizar todos os seus sonhos eróticos, facilitando posições e incrementando sua vida sexual, mais parece, na verdade, um desses brinquedos de parques de diversão. Na verdade, um playground erótico. Ligada à tomada (onde? no quarto do casal?), com voltagem de 110 e 220, ela permite várias posições, além de girar e fazer uma série de movimentos.






Também fiquei pensando no vendedor: como será que ele vai fazer para demonstrar aos interessados todas as possibilidades do brinquedinho? E mais: o cara que vier montar e instalar. Como será que ele vai fazer para verificar se tudo está funcionando a contento? Vai ele mesmo experimentar, ou pedir aos felizes compradores que o façam?





O vendedor garante o produto por um ano. Se quebrar, durante esse tempo, como provar que o seu uso foi o recomendado pelo fabricante e não por brincadeira dos capetinhas da casa? Também me intrigou o fato de que, no anúncio, o fabricante garante que a tal cadeira tem certificado ISO 9000. Como será que fizeram os testes de funcionamento e real obtenção dos efeitos desejados?







Como você, leitora e leitor dessa LUA QUEBRADA, pode verificar pelas ilustrações (do tal anúncio), essa geringonça do amor vai realmente apimentar sua relação. Não sei se faz barulho, porque, afinal, deve ter um motor que movimente suas peças. E se isso acontecer, com certeza também vai apimentar a vida sexual da vizinhança. Além do fato de que, com o tempo e o uso, algum tipo de rangido ela poderá ganhar, e muita gente ficará sabendo a rotina do casal: quando faz, o grau de animação com que faz e com que frequência o faz. 

 Legal, não?






Enfim, são geringonças que se inventam para aumentar o prazer. E que, às vezes, provocam mais dor de cabeça do que realmente tesão. Mas, como dizia um velho samba, “nesta vida, tem bobo pra tudo”. E tem gente que gosta de viver perigosamente... mesmo que seja apenas pilotando uma cadeira do sexo...

(Dream Love Chair: http://dreamlovechair.com/main_uk.html)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A PRIMEIRA VEZ... DO POETA


(Eugène Reunier)

Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece. Duvidosa afirmação. Podemos, sim, esquecer, pois a vida nos leva para caminhos tão diversos e o tempo nos faz esquecer coisas que jamais gostaríamos de esquecer. Privilégio lembrar, principalmente em detalhes, por significativa, a primeira relação sexual. Porém, mais estranho que lembrarmos, é alguém lembrar por nós. E mais: relatar em livro. É o que acontece com um dos maiores poetas do século XX, o estadunidense E. E. Cummings (ele preferia assinar-se “e. e. cummings”, com minúsculas): sua primeira vez está relatada no livro de Wiilliam Wiser, Os Anos Loucos.

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(Man Ray)

Esse livro é uma deliciosa reconstrução da década de vinte, em Paris, les années folles, os anos loucos. A época dos cabarés, do absinto, do florescimento das artes, enfim, um tempo de viver a ressaca da primeira grande guerra, antes que o pesadelo nazista jogasse o mundo num novo pesadelo.

Divirta-se, como eu me diverti, com o relato de Wiser, ainda nos finalmentes da primeira grande guerra (194-1918):

(e.e.cummings - selfportrait)

E. E. Cummings chegou a Paris, virgem, aos 22 anos. “Levaram-nos para um país estrangeiro”, explicou Malcom Cowley, ”o primeiro que a maioria de nós tinha visto; ensinaram-nos a fazer amor, a gaguejar amor, numa língua estrangeira.” “A Cidade Imensa”, Cummings chamou à cidade – “a mulher vaidosa e delicada”. A associação de Paris à Mulher era inevitável para o jovem criado em Boston, cujo pai era pastor unitário e funcionário da zelosa Watch and Ward Society. Paris, vazia de homens, mas fartamente provida das “melhores mulheres que Deus já permitiu que apascentassem no ar dessa fresca terra”, tornava difícil para um jovem poeta resistir ao “Tu viens?” soprado em todos os cantos. Deliberadamente ou por acaso ele levou cinco semanas para localizar o quartel da sua unidade, durante as quais perambulou à vontade por Paris. Mulheres, por toda a parte, adejavam em seu caminho, à disposição. “Tu viens?” Esse idílio prolongado apagou praticamente os pensamentos de Boston; a criação puritana do rapaz não o impediu de apaixonar-se por uma prostituta.

(e.e.cummings -  striper)


Ele conheceu Marie-Louise no restaurante e Sultana Cherque, o Oasis, na rue du Baubourg-Montmartre. Quando Marie-Louise acabava de fazer seu clássico trottoir na região entre a République e a Madeleine, ela e Cummings iam sentar-se até o raiar do dia entre as garotas e os cafetões do Oasis. Em francês colegial o poeta balbuciou seu amor a esse deleite estrangeiro. O caso não foi uma transa em tempo de guerra entre uma meretriz de Montmartre e um soldadinho na pândega: Cummings enamorou-se autenticamente e ela, pelo que as aparências indicam, sentiu-se atraída por ele.

(e.e.cummings - blue nude)

Contrariando todas as tradições da fille de joie profissional, Marie-Louise convidava o rapaz para sua casa, um apartamento mínimo na rue Dupetit-Thouars, e para sua cama – muito embora eles não consumassem o amor do modo que a ela pareceria mais natural. Era na mais inocente das intimidades que os dois dormiam juntos até o fim das manhãs. Cinco semanas não foram suficientes para que o garoto de olhos azuis de Boston se libertasse do moralismo da Watch and Ward. Impossível imaginar a reação da mulher francesa a essa persistente castidade – mas Marie-Louise manteve o relacionamento com seu ingênuo americano até que Cummings, ainda virgem, se apresentasse ao serviço.

(Man Ray - Le violon d’Ingres)

Na linha de frente, o motorista de ambulância Cummings foi envolvido numa trama kafkiana que animou o restante de se seu tempo na França e forneceu-lhe o material para o primeiro livro. Em defesa de um amigo que havia escrito uma carta indiscreta sobre o baixo moral das tropas francesas (a carta, naturalmente, foi interceptada pela censura), Cummings, junto com esse amigo, foi acusado de simpatizar com o inimigo. Os dois voluntários americanos foram internados no centro de detenção de La Ferté Macé, um campo de concentração para militares desajustados.






(La Ferté Macé – Place du Midi - início do século XX

O reverendo Cummings levou ao máximo que pôde a pressão política, através de uma série de cartas ao presidente Wilson, para garantir a libertação do seu filho. O poeta, ao finalmente receber permissão para sair de La Ferté Macé, recebeu também ordem de apresentar-se à embaixada americana, onde o instruíram sobre o regresso à pátria. Ele teve três dias em Parias antes de o seu navio partir.





(Paris - 1918)

No Hôtel dês Saints-Pères, no coração do Quartier Latin, Cummings lavou-se da sujeira e das pragas de sua vida na prisão. O trabalho na ambulância e a implacável realidade de La Ferté Macé tinham alterado certos conceitos de moralidade da Nova Inglaterra. O jovem poeta logo saiu pela rue dês Saints-Pères atento a todas as sensações, excitado por todas as possibilidades. Ao lançar-se à procura da amada de antes, pelas ruas sabidamente frequentadas por ela, Cummings mais uma vez se apaixonou por Paris.





(Paris - 1918)

Era hora de terminar com a já insuportável virgindade, nessa cidade onde tal perda ou ganho transpira sempre tão a jeito. Mas prostitutas são as criaturas mais impermanentes da noite. Pelo que encontrasse de substância de sua evanescente borboleta, Cummings poderia ter imaginado a garota. Ela havia deixado o apartamento da rue Dupetit-Thouars. Ele refez o caminho erradio das suas noites de trabalho da République à Madeleine – um vasto território coberto por três arrondissements; demorou-se em calçadas e esquinas onde era mais provável que as abordagens dela ocorressem. Voltou seguidamente ao Oasis, onde eles tinham se encontrado tantas vezes para uma conversa tranquila na madrugada sem pressa. Mas o poeta nunca iria recapturar seu primeiro amor, a não ser em verso. Era o último ano da Grande Guerra. Muita gente já havia passado por Paris – e fugido, morrido ou desaparecido.

(Salão de Paris - 1918)


A última noite de Cummings na cidade foi dominada pelo desejo de terminar sua inocência incômoda: ele tinha se tornado um homem em todos os sentidos, menos neste. Já muito tarde, no Oasis, uma garçonete bem bonitinha, Berthe, dividiu com ele uma mesa e uma garrafa de champanha. Antes de a cidade voltar à agitação da vida no romper da manhã, e ele pegar um trem para embarcar em seu navio no Havre, Cummings acompanhou a doce e complacente garçonete à sua chambre de bonne. Berthe tornou-se a substituta de última hora para Marie-Louise, uma parceira de amor por procuração, uma despedida agridoce de Paris.

(Woman with hat and pearls, 1918, Paris)




sexta-feira, 12 de agosto de 2011

SEXO NA REDE



(autoria não identificada)




Não sei bem como é fazer sexo numa rede: sei que é possível e deve ser muito bom. Já que as populações do Norte e Nordeste do Brasil continuam crescendo. Felizmente.

O “sexo na rede” do título, no entanto, refere-se ao sexo “virtual”, o sexo feito através de mensagens de computador, em salas de bate-papo, ou “chats”.

Sei que muita coisa se pode fazer a distância.

Mas, sexo?





Pois, é: há pessoas que fazem sexo por telefone (algo meio antigo), ou através de webcams (mais moderninho, não?).

Trocar mensagens escritas com intenções sexuais...

Enfim, há gente que gosta. Mas há, também, gente que acha meio esquisito isso. Como a escritora Lélia Almeida, autora do artigo abaixo que eu achei em seu blog “Mujer de Palavras” (endereço no final). Suas observações são, no mínimo, muito agudas. Eu me diverti, lendo-as. E espero que você também, leitora e leitor desta LUA QUEBRA, também se divirta.




SEXO VIRTUAL


Lélia Almeida


(Suzanne Ballivet)



Escrevi um romance que se chama Anêmona Bristol e que conta a história de uma blogueira tão ruim, mas tão ruim, que a personagem termina, por este motivo, ganhando grande popularidade. "Anêmona Bristol" é o pseudônimo de Ítala Açucena, uma escritora fracassada que se pergunta por que as mulheres têm tanta dificuldade de escrever humor e erotismo.




Para a construção da personagem criei, em algumas redes sociais, durante muitos meses, o perfil de Anêmona Bristol, que é uma espécie de piriguete retardada, gostosa e popozuda; com isso pude teclar com marmanjos de todo o país por noites inteiras, e acabei conhecendo um universo peculiar. Peculiar e familiar, se me faço entender. Porque o que tem na rede é o que tem na vida real, na mesa do bar, do boteco, do trabalho, de qualquer lugar onde as pessoas habitam e convivem. E mesmo tendo lido muitos especialistas sobre namoros e encontros na internet, não sou capaz de teorizar sobre o tema. A minha pergunta, a mesma de Ítala Açucena, é simples: por que as mulheres não escrevem humor e não falam sobre sexo?






Descobri algumas coisas que todo mundo que navega sabe. Você passa a ser chamada, imediatamente, por nomes super originais como "gata", "princesa", "linda" e "querida", o que por si só já é uma retardadice. Estou falando dos homens, mas quero dizer que também conversei com muitas mulheres e a idiotice é a mesma, com seus "queridos", "gatinhos", "meu príncipe", "gostoso" etc. A cordialidade no diálogo dura segundos, o tempo da criatura perguntar "de onde vc está tc". Você aprende a escrever "naum", "te kero", "humm", nesta outra língua que as pessoas da minha idade precisam aprender e que qualquer pessoa de 30 anos domina com perfeição, intercaladas com carinhas com sorriso pra cima, pra baixo, corações vermelhos latejantes de muito mau gosto, vídeos de beijos de língua completamente artificiais, fodas horrorosas e vídeos do YouTube com músicas como "Have you ever really loved a woman?”, do Bryan Adams, "My heart will go on (LIVE)", da Celine Dion, "Leviana", do Reginaldo Rossi ou "Toda Mulher", do Wando. 



A cordialidade dura segundos, você diz de onde está teclando, o outro também, ele vai dizer que a sua cidade é linda e que tem muita vontade de conhecer, pergunta se você é casada, ele quase sempre diz que está casado, mas que conta com a imponderabilidade do destino e que por isto está ali babando no seu perfil. Alguns ainda se arvoram a certo grau de sofisticação espiritual dizendo que sentem a sua energia e especulam sobre o quanto é mágico identificar-se com uma pessoa sem conhecê-la, afinal, nada é por acaso, apelando para expedientes relativos à sincronicidade junguiana ou para o repertório astrológico.




(Martin van Maele)



Passados os breves segundos da cordialidade vai-se, então, diretamente para a putaria deslavada onde você lê pérolas originalíssimas como "toma rola", "toma pica", "me dá a tua bundinha", "te chupo toda", e o procedimento é meio padrão. Há um padrão, do tempo do término da cordialidade até o começo do embate, e, imediatamente, o senhor pergunta pelas suas mais secretas fantasias e, sem sequer ler o que você possa ter escrito, declara que deseja, sem mais delongas, o seu rabo. Porque a única e maior transgressão sexual do macharedo brasileiro, de qualquer idade, do Oiapoque ao Chuí, é comer um cu. 





Pensem o que quiserem, eu não interpreto nada, eu sou uma escritora, eu só ouço e escrevo. Indo para o âmbito internacional, os portugueses clamam por "comer-te a gatas" (ou seja, de quatro) e querem traçar a tua "rata". E foi neste momento que tive de alinhar o vocabulário, com alguns, porque, além das diferenças regionais, mesmo transcontinentais, havia outras de ordens diversas que me broxavam e impediam de continuar a conversa com homens adultos que falavam do seu pintinho e com mulheres velhas que falavam da sua coisinha.




(autoria não identificada)



Alicia Steimberg, uma das escritoras mais geniais da atualidade, argentina, escreveu uma verdadeira obra-prima chamada Amatista, que foi finalista de um importante prêmio de literatura erótica, o La Sonrisa Vertical, e que, lamentavelmente, nunca foi traduzido ao português.


(Foto sem indicação de autoria)

Steimberg, em Amatista, cria um diálogo entre uma psicanalista e um paciente que faz com que a gente leia o livro de cabo a rabo, sem respirar, uma perfeição. Também é dela uma reflexão sobre literatura erótica onde ela diz que os argentinos não têm o menor problema de dizer que são muito liberais e que trepam muito e com quem lhes apetece, mas que são incapazes de dizer, com o mesmo desprendimento e orgulho, que são grandes punheteiros. Para ela escrever literatura erótica e ter um público leitor interessado significaria mais ou menos isso, uma grande masturbação coletiva. Difícil é fazê-lo com a perfeição que ela alcança. Porque se pensarmos no ato em si, há uma mecânica simples que obedece e movimentos de entra e sai, levanta e sobe, e não há como transformar esta dinâmica simples em algo interessante ou excitante.








Consta que a população brasileira, dos quase 300.000 verbetes do Houaiss, faz uso de uma média de apenas 4.000 deles, e eu garanto a vocês que no quesito putaria-na-rede o vocabulário deve estar restrito a muito menos de 50 palavras, já que a prática me permitiu contabilizar também esta precariedade quantitativa. Eu e Anêmona Bristol buscávamos poses, posições, e, principalmente, vocabulário, entendendo que há maravilhas na língua portuguesa, palavras mimosas e sugestivas como "côncavo", "baba-de-moça", "vara", "pomba", "rombudo", "badalo", "rola", "ferro", "estojo", "urna", "cava", "cona", "bainha", "vagem", "berbigão", "castanha", "carlotinha", "crica", "dedo-sem-unha", "dente-de-alho", "espia-caminho", "hastezinha", "pevide", "pito", "pinguelo", "sambico", "mitra", "cabaça", "monte-de-vênus", "larga", "aguada", "apertada", "arrombada", "bela", "perseguida", "bochechuda", "cabeluda", "crespa", "pentelhuda", "preta", "suada", "boca-do-mato", "brecha", "caixinha de segredos", "canoinha", "cova", "devora cobra", "lanho", "cofre", "ninho-de-rola", "rego", "escrínio", "aranha", "bacalhau", "barata", "bichana", "lacraia", "mosca", "passarinha", "perereca", "pomba", "rola", "ursa", "touceira", "cebola-quente", "barbiana", "romã", "rosinha", "xexeca", "xoxota", "breba", "buça", "búzio", "ferrolho", "ganso", "rodela", "bronha", "mastruço", "gruta", "porongo", "estrovenga", "bagos", "bimba", "pimbinha", "bilola", "bilunga", "bastão", "fole", "bífida", entre outras.





(autoria não identificada)




Em se tratando do vocabulário erótico na rede podemos concluir que nada é surpreendente ou instigante, e o que temos é de uma pobreza atroz.

Importante esclarecer que o que me interessava era a narrativa da coisa, o palavreado mesmo, e que, portanto, o embate durava o tempo exato que as criaturas suportavam o meu espichado cu doce; mas sem webcam, porque, com ela, as palavras, que era o que eu buscava, desapareciam imediatamente.


Fiquei, nas primeiras semanas, estarrecida com a naturalidade com que os bofes perguntavam "vc que ver o meu pau?". Nossa! Como os homens amam os seus membros! Isso é realmente digno de nota e estudo. Não conheço nenhuma mulher que tenha tamanha obsessão e genuíno afeto por suas partes íntimas.






(Eugène de Poitevin)



E aprendi outras coisas importantes que vou levar para a vida e que, como sou generosa vou dividir com você, leitor. Na rede, como na vida, há sempre um que ama mais que o outro, um que se dedica mais, que se esforça mais. Reconheço que, no meu exercício literário, onde o espírito da puta se mesclava ao da antropóloga-assistente social em campo, propiciei momentos maravilhosos para algumas criaturas, com a riqueza de detalhes que requer a descrição de um bom fellatio ou de uma eficiente cunilíngua, e a criatura gozava com um simples "kasdhjoiwqfksfiowyhwndkshoaidiwhdlwqn"! Dá licença, é muita preguiça, né? Na vida real deve ser daqueles preguiçosos que deixa uma mulher com LER (Lesão por Esforço Repetitivo) em determinadas situações onde se requer empenho e constância. O sexo na rede é uma debiloidice, eu garanto, assim como na vida real, onde quase sempre também é complicado.


(Javier Gil)



E sobre a minha busca posso dizer que foi um flagrante desastre, uma decepção. Larguei a rede e voltei aos clássicos literários, porque o erotismo não tem a ver com a coisa em si, mas com o contexto, e este segredo, sabido por muitos, é facilmente esquecido, tanto na vida, como na rede e na literatura. O que nos excita não é o que se mostra, mas o que se esconde.


(Foto sem indicação de autoria)


A pergunta sobre por que as mulheres não escrevem humor e erotismo continua, para mim, sem uma resposta satisfatória. A revolução sexual, que liberou as mulheres para a farra com os métodos contraceptivos, não destravou, devidamente, as suas línguas, e isso é sintomático. Raras exceções merecem ser mencionadas, relembrando aqui alguns poucos nomes que me são caros como as imbatíveis Hilda Hilst e Márcia Denser, a própria Steimberg, as históricas Anaïs Nin e Colette, e duas senhoras brasileiras, sucesso absoluto de público de sua época, a quem Anêmona Bristol homenageia: Adelaide Carraro e Cassandra Rios, dignas de séria e urgente revisitação.






(Apollonia Saintclair)



Despeço-me contando sobre um fenômeno que lanço como desafio e charada para os entendidos de sexo na rede. Depois de despachar alguns marmanjos inconvenientes recebi vários vídeos do YouTube com trechos do Pequeno Príncipe. Eles reclamavam, através daquela raposa imbecil, que eu era responsável pelo que tinha cativado. Esses mesmos homens são os destemidos comedores de rabo, que, quando rejeitados e ressentidos, são transformados em queixosas misses, choramingando pela foda perdida. Só me atrevo a pensar que uma queixa deste tipo anuncia o fim da civilização, o fim do mundo, mesmo, uma tristeza sem precedentes na história das relações, tema que entrego de bandeja para os estudiosos da crise da masculinidade de plantão e das feministas doutoras em gênero, porque eu agora vou cuidar de terminar o meu romance, Anêmona Bristol, que será mais um na fila de outros que não consigo publicar em lugar nenhum deste país.





(Eugène Reunier)




Mujer de Palavras, de Lélia Almeida:








sexta-feira, 5 de agosto de 2011

COMENDO COMIDA COM FORMA DE SEXO


Até agora, a ciência não reconheceu nenhum alimento como notoriamente afrodisíaco. Chifre de rinoceronte, mandrágora ou qualquer outra substância comum ou exótica podem até fazer algum efeito, mas só psicológico: a crença estimula a libido, não o alimento propriamente dito.




A verdade é que comer bem, de forma a harmonizar os diversos nutrientes para nosso corpo, é a forma mais saudável de manter o vigor físico e sexual. Ao lado, claro, de exercícios físicos, dentre os quais o sexo talvez seja o mais deliciosamente recomendável.




O mito de que um alimento é afrodisíaco nasceu, quase sempre, a partir do seu formato. A mandrágora, por exemplo: é um dos mais antigos falsos afrodisíacos, porque suas raízes muitas vezes apresentam-se com formato humano, como a ilustração e a foto abaixo:








Assim, muitas frutas e raízes acabaram por ser consideradas estimulantes sexuais apenas por terem formatos que realmente lembram órgãos sexuais (e nem vamos citar bananas, cenouras etc):







Fazem sucesso, por aí, raízes, frutos e outros vegetais que, por uma mutação genética qualquer, nascem com formatos estranhos, que lembram a anatomia humana. Não têm, claro, qualquer relação com a libido, se consumidos, mas muita gente acaba achando que são afrodisíacos. Pura bobagem.







Mas, bobagem mesmo são bolos, doces, chocolates etc. imitando principalmente falos e bocetas, com a finalidade de incrementar a relação erótica. Não sei se consumir alimentos que se parecem com órgãos sexuais torna mas excitante o sexo, mas, com certeza, essas proezas gastronômicas contribuem, sim, com o bolso de confeiteiros espertos:







Não sei qual a graça de consumir, por exemplo, bolos com formatos de vaginas ou com um pênis que esguicha algum tipo de creme:








Fico pensando no prazer que a Sonia teve em deglutir um bolo com este belo espécime fálico feito de massa de bolo e pasta americana, em vez de degustar o próprio, que lhe daria muito mais prazer (ou não?):





Ou, então, o Cláudio soprando as velinhas desse fantástico e bem feito bolo que imita uma vagina, até com os pentelhos, sonhando, talvez, em apreciar ao vivo e em cores a boceta de quem lhe presenteou:




Num casamento, os noivos chegando da igreja e deparando com uma obra de arte erótica, para incrementar ainda mais seus sonhos da primeira noite (que, nos tempos atuais, só tem o nome), com a criançada em volta a soltar risinhos nervosos e de gozação:






E o ritual antropofágico prossegue, com convidados de uma festa a disputar quem ficaria para lamber, chupar, comer ou sei lá o quê, bonequinhos eróticos da fina arte da confeitaria:







Enfim, como há gosto para tudo, deixemos a imaginação das pessoas rolar solta no terreno da arte de unir comida e sexo. Se há gente que gosta de degustar calcinhas comestíveis, chocolates, doces, balas, pirulitos em forma de paus e bocetas, bonequinhos de açúcar cândi que copulam freneticamente, como forma de incrementar seu apetite sexual,  quem somos nós para condenar ou criticar tais práticas?





(Fotos da internet, sem indicação de autoria)