terça-feira, 21 de junho de 2011

TREZE POEMAS DE INVERNO E UMA CANÇÃO DE PRIMAVERA



Primeiro poema de inverno/Convite






vem, amor, pra debaixo do calor
de nossas cobertas; fica,
fica e acaricia minha pica
para que,  neste inverno
o teu gozo seja eterno



Segundo poema de inverno/Aquecimento


não amor eu quero contigo
fazer:
quero do teu umbigo
ao teu sexo
me
 escorrer
e
lábio com lábio
não na boca, imagina!
mas meu lábio
- mais sábio -
lá, em tua vagina!



Terceiro poema de inverno/Entrega


chupa, chupa por entre
as pregas de minha glande,
o calor que fica
em minha pica
 - e que se expande -
quando sai de teu ventre

enquanto minha língua
bem viva
usa muita saliva
para enrolar teu grelo
com teu próprio pelo





Quarto poema de inverno/Navegação



faz de teu corpo
o cais
onde quero
sempre mais
o lençol inunda
com todo o gozo
que escorre de tua bunda




Quinto poema de inverno/Farol


em cada espasmo
do teu corpo,
dá-me o teu orgasmo

não, não refreio
meu anseio
em teu seio
(fruto de ouro):
quero todo o veio
de teu tesouro



Sexto poema de inverno/Ilha



colho com a língua
     o gozo que vem lento
    e forte
  do fundo de teu corte


goza mais, amor, goza,
enquanto chupo o teu cravo:
se a língua tece a prosa,
faço versos como teu escravo





Sétimo poema de inverno/Praia


quero-te onda
para afogar-me em teu ventre
quero-te rio
para afundar-me em teu gozo
quero-te lago
para afugentar os meus temores


Oitavo poema de inverno/Navio


não sentes o frio que vem de fora porque aqui
bem quente há um pau que te devora


também não me arrepia o vento que bate à porta
tenho aqui dento o que me basta: o agasalho
da tua boca para aquecer o meu caralho



Nono poema de inverno/Náufragos




peço-te gozo e me dás
teus licores;
peço-te tesão e me dás
teus humores





Décimo poema de inverno/Balsa



no teu grelo esfregas
a minha vara
e te entregas
à sanha da minha tara


Undécimo poema de inverno/Horizonte



lambes de cima até em baixo
minha caceta,
enquanto me afogo lá em baixo
nos sucos de tua boceta


Duodécimo poema de inverno/Litoral




valquíra do orgasmo e da beleza,
cavalgas e não foges à luta:
dá-me, a mim, a certeza
de que cumpres no meu pau
tua doce vocação de puta



Décimo terceiro poema de inverno/Cais


exausto, desfalecida
te deixo:
a vara antes enlouquecida
é freixo
no meio do rio;
assim,
minha sanha e teu gozo
ao fim,
jogaram no fogo
este inverno tão frio


 A canção de primavera/Flores



tu sabes o que eu era,
eu sei o que tu desejas:
espera um pouco mais, espera,
prova do bolo todas as cerejas,
amansa aqui dentro a fera
embora cansada já estejas;
eu sei que te desespera
este inverno, mas que sejas
ainda um vez a quimera
de ilusões benfazejas,
antes que chegue a primavera.





Isaias Edson Sidney


(Ilustrações: Loïc Dubigeon)





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