terça-feira, 31 de maio de 2011

A MARCHA DAS VADIAS







Este blog aborda assuntos relacionados a sexo. Porque sexo é a força da vida.

E mais: discutem-se, aqui, através de textos, poemas, contos, pinturas e ilustrações, os mais variados temas ligados a sexo com o escopo muito claro de combater preconceitos, de fazer que se aceitem todas as formas de sexo, desde que consensuais. Ou seja: não se admitem nem a pedofilia (considerando-se pedofilia a tara por menores ou crianças) e o estupro (o sexo forçado).

Com a seriedade de artigos, muitos deles traduzidos ou escritos por especialistas; com a ironia de autores de todas as épocas; com o escracho de poetas e escritores; com a beleza de fotos sensuais ou com o traço perscrutador dos ilustradores, temos procurado deixar bem clara a ideia de respeito ao outro.

Neste post, vamos abordar um assunto bastante sério: o estupro de mulheres que “provocam”.

O pretexto foi a proliferação, nos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, principalmente, das chamadas “’marcha das vadias” (slutwalk).




Essas marchas de protesto começaram a partir do comentário de um policial canadense, ao orientar universitárias a evitar o estupro: "Se a mulher não se vestir como uma vadia, reduz-se o risco de ela sofrer um estupro”.





Leia-se: a mulher não tem o direito de vestir-se como ela quer ou gosta. Um homem pode, muito bem, andar por aí sem camisa, de short, camiseta cavada etc. Mas, se uma jovem usa uma saia mais curta ou um decote está convidando os machos imbecis ao assédio e ao estupro.





Isso é simplesmente um absurdo machista. Contra o qual é necessário, sim, protestar. Estupro e assédio são atos de estupidez e barbárie.






Que as mulheres se vistam como quiserem, sem que sejam taxadas de putas (ou vadias). Sem que os machos bárbaros que povoam nossas cidades precisem ficar babando por um par de pernas ou de seios.





São cretinos e idiotas os que impedem que nossas ruas se povoem de beleza e encanto, o que tornaria a vida muito mais interessante. Apoiamos, portanto, as intenções e os objetivos das chamadas “marchas das vadias”. Porque, se são vadias as mulheres que desejam de fato a liberdade de ir e vir sem serem assediadas e estupradas, que se deem vivas às todas as vadias.




(Fotos da internet, autoria não identificada)



sexta-feira, 27 de maio de 2011

AINDA O BRINCAR




Pode parecer falta de assunto (e até pode ser), mas achei algumas ilustrações tão interessantes, que resolvi repetir a brincadeira do convite ao entretenimento, nesta semana em que se comemora o brincar.

Então, aí vão algumas sugestões de brincadeiras que podem continuar vida a fora:

1. Se não o fez quando criança, que tal agora exercitar o fetiche de brincar de médico (conforme Eugène Reunier)?






2. Com Fameni Leporini (escondendo-se tanto, que até deu um fragra..) ou com Serpieri (e sua criativa Druuna), que tal brincar de esconde-esconde?






3. A brincadeira no escorregador (ou no corrimão da escada) pode ser só entre meninas, como nos sugere Franz Von Bayros, ou entre meninas e meninos, como nos convida Tom Poulton:













4. Martin von Maele nos sugere duas brincadeiras: a primeira é aquela velha história de mostre o seu que eu mostro o meu; a segunda é uma pegadinha com as meninas: vamos ver quem consegue mijar mais longe? Ambas são muito engraçadas, não?











5. Uma brincadeira bem “máscula” ou, se preferirem, “de homens”: quem goza primeiro, na punheta? A sugestão é de Michael Zichy:







6. Uma corda presa numa árvore, um pneu ou uma tábua bem cortada e, pronto, aí está o balanço a embalar o erotismo, de acordo com Rowlandson:








Enfim, sexo pode ser uma ótima brincadeira. Ou uma ótima brincadeira pode se transformar em sexo. À escolha do brincalhão.


(Deveria)





terça-feira, 24 de maio de 2011

SEMANA MUNDIAL DO BRINCAR





Vamos despertar a criança que há em cada adulto. No melhor sentido da palavra. 

Vamos brincar?


Pois, é: estamos na SEMANA MUNDIAL DO BRINCAR! 





Se, quando crianças, o brincar é fundamental para nossa formação como seres humanos, como adultos não devemos deixar de continuar a brincar. Mesmo que a brincadeira mude para algo ligado à categoria do prazer.



Vamos brincar, pessoal. E brincar, nesse caso, é ter prazer, é gozar, é fazer sexo com alegria. Faz bem ao ego, faz bem ao coração. E não apenas emocionalmente: sexo melhoras as condições cardíacas.






E se for praticado sem incucações, sem pecado, livre, leve e solto, como uma boa brincadeira – a melhor que a natureza nos proporcionaou – vai tornar-nos muito melhores como gente. 




Brinquemos! Brinquemos muito, nesta semana, na próxima e todas as outras que tivermos para viver. Porque brincar de sexo traz alegria de viver e humaniza o ser humano, ao contrário do que possam dizer cânones antigos de crenças idiotas.


Brincando, aprendemos a respeitar uns aos outros. E respeito, em todos os momentos da vida, é fundamental. Já reparou que toda boa brincadeira tem regras?




Ilustrações de Peter Fendi (Vienna, 4 Sept 1796; Vienna, 28 Aug 1842)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

EROS NO DIVÃ, COM FIAMMETA CÉLESTINE






(La Fiammetta) 





Fiammetta Célestine. 

Não, você não vai encontrá-la na internet. 

Ainda. 

Apresento-a a vocês, leitores e leitoras de bom gosto desta LUA QUEBRADA.




(Pandora)

Psicanalista e poeta nas horas vagas, algo assim entre o sagrado – Célestine – e o profano Fiammetta, a “pequena chama” que incendiou o coração de Boccaccio (1313, Paris – 1375, Toscana), como ela mesma se definiu nesse pseudônimo.

O erótico sutil dos seus versos, aqui ilustrados pelo pintor francês Jules Joseph Lefebvre (1836, Tournan – 1911, Paris), revela ou esconde os desejos mais profundos, o proibido e o permitido, tudo num só estado de paixão e emoção.

Com vocês, os versos de Fiammetta Célestine:


1. à rua


(Lady Godiva)



à rua,
nua loucura,
soturna luxúria.
à rua,
vagabundos sussurros,
putas em volúpia,
úmidas e infecundas.
à rua,
perversos nutrem
alunas miúdas
em penugem púbere

ah! súbita repulsa
dos frutos confusos,
convulsos,
oriundos de um mundo pútrido.


2. no espelho




(Odalisque)





no espelho,
eu e você.
seio, cheiros,
sabores.
Primeiros registros
no espelho,
você e ele.
seio-pênis--poema
Primeiros interditos

Gênese
lenda grega
patogênica
incêndio-labareda
excêntrico desejo


(A. não identificado)









sexta-feira, 13 de maio de 2011

POR UM MUNDO SEM PRECONCEITOS



LIBERDADE, SIM!






IGUALDADE: SEMPRE!






FRATERNIDADE? MUITA!






MAS, ACIMA DE TUDO: RESPEITO!


terça-feira, 10 de maio de 2011

PRIAPEIA GREGA E LATINA - 4





PRIAPEIA LATINA – 2






Os gregos antigos, eruditos e metidos a besta, cultivavam o erotismo, em geral, e o homossexualismo, em particular, com filosofia, muita filosofia. Já os romanos, mais espertos e práticos, deixaram de lado a filosofia e mandaram ver. Isso eu li ou ouvi algures. Não se sei é verdade ou mito. De qualquer modo, os poemas da priapeia latina são bem mais safados. E assim como me diverti ao copiá-los para o blog, espero que, meus caros leitores e queridas leitoras, vocês também estejam se divertindo com o Priapo latino, no bom sentido, claro.



Mais alguns poemas, portanto, com ilustrações de Eugène le Poitevin (1806-1870):







Tu, que boa intenção não tens e a custo
vives com o que roubas dos pomares,
serás fodido por um pau enorme
e, se tão grave e incômodo castigo
não bastar, mais acima vou meter.






Na primeira, ladrão, vou te meter
no cu. Pego outra vez, vou pôr na boca.
E se teimares num terceiro furto,
para que sofras um castigo e outro,
terás teu cu fodido e tua boca.
3.




Se o duro deus observa algum rapaz
frisar com ferro quente os seus cabelos
p’ra se igualar às moças Mouras, diz:
“hei tu veado
(1), escuta-me: por mais
que enroles e que frises à vontade,
serás enfim ainda mais mulher,
pergunto, que o teu pau cheio de cachos
(2)?





(1) Veado: cineadus, chupadores, palavra de origem obscura, empregada na invectivas; designa, em Catulo,, o praticante da felação, o catamito.

(2) Interprete assim: “Serás ainda mais mulher do que o (teu) pau em que há cabelos (enrolados, isto é, os pêlos pubianos) que possui (normalmente, isto é, que são dele mesmo?).4.







Não vás dizer que não te dei aviso:
chegas roubando; partes arrombado.
5.








O que deixa molhada em mim a parte
que dá indícios de que sou Priapo
não é orvalho, crede, e nem geada,
mas o que sói por si sair de dentro
se a mente evoca alguma jovem puta.





(João Angelo Oliva Neto, Falo no Jardim – Priapeia Grega, Priapeia Latina; Ateliê Editorial; Editora da Unicamp, 2006).



sexta-feira, 6 de maio de 2011

NUDEZ: COROAS, SIM; INIBIDAS, NÃO - E BELAS, CLARO!




A VEZ DAS COROAS






Não pretendo fazer um tratado sobre a nudez, mas apenas me divertir e, quem sabe? – divertir uma ou outra leitora, um ou outro leitor. Também não quero entrar em elucubrações sobre a beleza. Apenas lembrar que: primeiro, nudez não é pecado, nem algo que se possa condenar como crime ou atentado ao pudor. Somente nossos preconceitos e nossos “grilos” nos põem de orelha em pé (e, felizmente também outras coisas) diante da nudez, seja ela de quem for.




Se existe a nudez maliciosa, aquela que provoca (o que também não é nenhum crime), também há a nudez pela nudez, ou seja: pessoas existem que gostam de ficar nuas ou pessoas existem que gostam de contemplar nus. E daí? E daí, nada, cara pálida. Cada um na sua.



Segundo, o conceito de beleza. Esse negócio de que há um padrão de beleza é conversa mole para nos vender alguma coisa, ou querer nos impingir determinadas ideias, eivadas quase sempre de ideologias.





Os gregos tinham por beleza coisas que a gente não tem a mínima noção de que realmente eram ou não belas. Cultivaram, algumas escolas gregas, a harmonia como o tal “padrão de beleza”. Se você acha belo algo que tenha linhas harmoniosas, é porque você gosta disso, e pronto. Porque seu olho aprecia tal coisa. Como pode apreciar coisas completamente opostas. 



Uma árvore pode ou não ter harmonia e, geralmente, não tem: nós é que buscamos algum tipo de harmonização de suas linhas, para contentar nossos olhos. E podemos, ou não, gostar de árvores e de florestas, que são, em última análise, uma profusão desarmônica de troncos, galhos, folhas, flores, frutos etc.








No fundo, achamos belo aquilo que achamos belo. Se você é dos tais que aplaude ou já aplaudiu um pôr do sol, saiba que, na minha modesta opinião, você está apenas aplaudindo o sentimento que tal pôr do sol desperta em você, ou seja, você está aplaudindo a si mesmo. A conversa já foi longe demais, nesse assunto de beleza e de nudez. E de beleza e nudez todo mundo fala e ninguém tem ou deixa de ter razão. O motivo disso tudo, afinal, foi para que apreciassem a nudez – talvez bela, talvez não: que cada um as julgue por si – de várias coroas.




O mínimo que se pode dizer delas é que são despojadas, corajosas e têm uma autoestima enorme – o que já é suficiente para que as aplaudamos. E as desfrutemos, por que não?




(Fotos da internet, sem indicação de autoria)




terça-feira, 3 de maio de 2011

PRIAPEIA GREGA E LATINA - 3



(Priapo - ilustração romana, s/d)



PRIAPEIA LATINA - 1



Uma pequena observação do professor João Angelo: “Ao contrário dos poemas gregos (...), os poemas latinos são verdadeiramente Priapeia, pois integram um corpus, um corpus anônimo, já que não se sabe quem é o autor dos poemas nem se foram escritos por uma só pessoa (...)”.




(Autoria não identificada)




De modo obscuro eu poderia te dizer:
“me dá o que, se deres, nada perdes;
dá o que um dia em vão talvez queiras dar quando
invejosa invadir teu rosto a barba;
o que a Júpiter
(1) deu quem (2), raptado por sacra
ave, entorna ao amante gratos copos;
o que à primeira noite ao noivo a virgem dá
se, inepta, noutra parte teme a dor”.
Muito mais simples é dizer: “me dá teu cu”.
O que fazer? Minerva
(3) em mim é grossa.





(1) Júpiter, o Zeus grego, filho do titã Crono e de Reia. Matou o pai, porque impedia os filhos de nascer. Assim, mais que tudo, Júpiter é manifestação do poder e da soberania.

(2) Ganimedes: jovem de estirpe e de imensa beleza, excitou o desejo de Júpiter, que incumbiu sua ave favorita, a águia, de raptá-lo e o levar ao Olimpo, para com ele satisfazer seus desejos sexuais. O rapto de Ganimedes é assim o arquétipo mítico da pederastia. Na celeste morada, Ganimedes é escanção, aquele servidor (em latim minister) que entorna, que ministra o néctar na taça de Júpiter e dos outros deuses.




(3) Minerva, Atena grega. É filha de Métis e Júpiter/Zeus, que a engoliu frávida, aconselhado por Urano e Geia, que lhe revelaram que, se Métis gerasse uma filha, esta iria desposar um homem que arrebataria a Júpiter o poder celeste. No parto, o deu ordenou a Vulcano que fendesse a machadadas a cabeça, da qual saiu uma menina totalmente armada. Tem como insígnias a lança, o capacete e a égide, que divida com Júpiter; sobre o escudo fixou a cabeça da Górgona; seu animal predileto era a coruja, sua planta, a oliveira.







(Escutura pré-colombiana, s/d)




Priapo de madeira embora eu seja,
com foice de madeira e pinto, vou
prender-te e te prensar, e todo o meu
pau, mais teso
(1) que a amarra em catapultas,
que as cordas da guitarra em ti eu vou
meter até a sétima costela.



(1) Teso... cordas da guitarra : imagem de excitação sexual.




(Autoria não identificada)




Cuida que eu não te pegue (1); pego, não terás
açoites nem feridas más da foice:
vai trespassar-te um pau enorme e apertar tanto
que acharás que teu cu não tinha pregas.





(1) Não te pegue: Priapo dirige-se a um homem que pretende roubar frutos do pomar sob sua guarda.





(Escultura de Albert Castle)




Se menino, enrabar; se menina, foder;
Ladrões barbados têm terceira pena
(1)




(1) Terceira pena: tertia poena, penetração oral (irrumare), não nomeada no poema. As três – penetração anal (percidere), vaginal (futere) e oral (irrumare) – correspondentes à “triporneia”, são reservadas a cada espécie de ladrão – rapaz, menina, homem adulto – que invadirem o pomar vigiado por Priapo. A condição de adulto é marcada pelo termo “barbados”, barbatium, que não designa apenas a barba, mas também os pelos genitais.






(Autoria não identificada)




Importuno guardião, por que te metes?
Por que proíbes vir aqui ladrões?
Deixa entrarem pois vão sair mais largos.







(Cerâmica pré-colombiana, s/d - Museu R.L. Herrera)




A vantagem maior que há no meu pinto é esta:
p’ra mim mulher alguma nunca é larga
(1).



(1) A vantagem (commoditas) que Priapo alardeia pressupõe também a intenção de ocultar um defeito moral: o membro grande, ao contrário do que ocorre em certos níveis de nossa cultura, era sinal degradante de excesso, de modo que associá-lo a alguém era insulto.



(João Angelo Oliva Neto, Falo no Jardim – Priapeia Grega, Priapeia Latina; Ateliê Editorial; Editora da Unicamp, 2006).