terça-feira, 19 de abril de 2011

PRIAPEIA GREGA E LATINA - 1

PRIAPO CHEGA À GRÉCIA






Vou publicar alguns poemas dedicados a Priapo, um deus menor, de acordo com o professor João Angelo Oliva Neto, autor do livro FALO NO JARDIM – Priapeia Grega, Priapeia Latina. Embora “menor”, seu culto ultrapassa os domínios clássicos da Grécia e de Roma, para chegar aos dias de hoje. Basta olharmos ao redor, que veremos inúmeros símbolos fálicos em nossa arquitetura e escultura, verdadeiras homenagens ao deus do caralho grande. No Japão, ainda há uma procissão dedicada ao falo e, por extensão, ao deus Priapo. Talvez volte a isso, num outro momento.








Para que minhas leitoras e leitores tenham, no entanto, uma ideia do que seja esse deus, o artigo abaixo esclarece sua origem e relativa importância. É do mesmo professor o tradutor de todos os poemas que serão reproduzidos aqui. Uma observação se faz necessária: a pronúncia correta, em português, é PRIAPO, com a tônica no “a” e não “príapo”, como ocorre muitas vezes, por uma tendência chamada superurbanismo. Os tradutores renascentistas quiseram dar um ar mais “clássico”, mais “erudito” às palavras gregas e acabaram por tornar muitas delas inapropriadamente proparoxítonas, quando, no grego, eram paroxítonas.



Bem, vamos ao texto do professor.






PRIAPO VEM DO EGITO E CHEGA À GRÉCIA








A Priapeia é um conjunto de poemas em grego e em latim a respeito de Priapo, divindade que tem como principal característica o falo ou o membro genital enorme. O culto provavelmente surgiu no século IV na Ásia Menor, na cidade de Lâmpsaco. Hoje chamada Lampsaki, situa-se às margens do Helesponto, estreito que fica no Quersonesco, região da Trácia, que corresponde ao atual estreito de Dardanelos, na Turquia. Ali Tucídides já documenta a existência de outra cidade, de nome Priapo, cuja fundação alguns historiadores mais tarde vinculam ao deus. Da Trácia, o culto de Priapo passou ao mundo grego por meio das relações comerciais e culturais iniciadas a partir da helenização do Oriente por Alexandre, espalhando-se então por todo o Mediterrâneo. Uma inscrição da época dos primeiros Ptolomeus, encontrada na cidade de Tera, numa das ilhas do mar Egeu, traz os seguintes dizeres:


“Eu, Priapo, chego a esta cidade de Tera;

eu, o nascido em Lâmpsaco, que traz duradoura riqueza.

Benfeitor eu vim e auxiliador

de todos os cidadãos e e os residentes estrangeiros."







A figura de Priapo originou-se das imagens fálicas diante das quais se desenvolviam as orgias dionisíacas. Nas festividades de Dioniso, ocorria a falofória, procissão em que um enorme falo era transportado pelo falóforo, sacerdote “que porta o falo”. No reinado do Ptolomeu II Filadelfo, houve em Alexandria monumental procissão cívica , composta de procissões menores em honra dos deuses, de mortais divinizados e de personalizações da natureza. Uma das procissões era de Dioniso, imensa ela mesma, da qual participavam Silenos, Sátiros, Hermes. Num dos carros havia as estátuas de Alexandre, Ptolomeu I Sóter, Arete (a Excelência), da cidade Corinto personalizada e do deus Priapo, cuja mais antiga presença ali se atesta, seguidos de mulheres a personificar cidades gregas; em outro carro figurava-se Priapo em painel em homenagem a Reia.







Conjectura-se que, em certo momento do culto de Dioniso, personificou-se o membro ereto, que, assim reconhecido, obteve certa autonomia em relação ao culto principal. O falo recebera vários nomes: Tícon, Órtanes, Conísalo, Falo, Fales, Trigalo, Coniseio, Genetílide, Cineio, mas no período helenístico da história grega vingou o de Priapo: fenômeno helenístico e alexandrino, Priapo jamais é mencionado como divindade no período arcaico e no período dito clássico da história e das letras gregas. Testemunhos de historiadores, efabulações de poetas gregos e romanos, conservados e acrescidos por comentadores cristãos, guardam a lembrança da vinculação de Priapo ao culto de que se desprendeu ao relatar que era filho de Afrodite e Dioniso, que o membro enorme se devia à punição da promiscuidade da mãe por parte de Hera, protetora do matrimônio. 





Em outra vertente das fábulas, Priapo também era filho de Afrodite, e seu defeito resultava igualmente da punição de Hera, irada, entretanto, por ele ser produto do amor furtivo de Zeus e temerosa de que a criança, com a beleza da mãe e o poder do pai, pusesse em risco o equilíbrio entre todos os deuses olímpicos. Tocada no ventre pela mão maligna de Hera, Afrodite deu à luz uma criança disforme e, com receio da vergonha que tal filho lhe traria, abandonou-o nas montanhas. Priapo foi recolhido e criado por pastores, o que explica o caráter rústico e de certa forma humilde que o deus possui.







(João Angelo Oliva Neto, Falo no Jardim – Priapeia Grega, Priapeia Latina; Ateliê Editorial; Editora da
Unicamp, 2006).

Um comentário:

Júlio Machado disse...

falo, não me ouve. Falo dá nos nervos. falo cabeça quente. Falo não pára; Agita-se, agita-se... até vomitar.
Meu ativo falo, vaidosamente é excalibur!!