terça-feira, 22 de março de 2011

NUDEZ: NA ARTE E NA POESIA



O DESEJO DA NUDEZ, NA POESIA



(Foto da internet, sem indicação de autoria)


Os poetas parnasianos cultivavam a forma, não a forma física, mas a beleza e a sonoridade das palavras, as rimas ricas, o verso perfeito. Alguns, no entanto, levaram à sua poesia o erotismo das formas naturais, principalmente dos valores hedonistas da poesia grega que eles tanto admiravam. Daí, alguns poemas de conteúdo erótico que (felizmente) podem ser encontrados até em antologias escolares, como o poema abaixo, de RAIMUNDO CORREA (1859 – 1911).



A que se refere o poeta com os versos “não essas produções que a estufa escura/das modas cria tortas e enfezadas”?



Talvez à pintura do perído romântico, em que a nudez, embora explorada, vinha sempre envolta em véus, em sombras, com um objetivo “nobre”, como a famosa cena da Revolução Francesa, pintada por Delacroix:







... ou com objetivos estéticos elevados, como as mulheres de Ingres que, mesmo apresentadas em nu frontal, não parecem despidas, tal o grau de idealização do pintor, como esta Vênus Anadiomene:




De qualquer modo, o desejo do poeta de uma nudez mais direta, mais “realista”, já vinha se concretizando na pintura (e nas artes, em geral), com o Realismo: em 1866, Gustave Courbet apresentava sua ORIGEM DO MUNDO, para susto dos desavisados moralistas de plantão (que existem até hoje):




Vamos ao soneto de RAIMUNDO CORREA, com a ilustrações de HILO CHEN, pintor ultrarrealista que, talvez, satisfizesse os anseios do poeta.


Plena nudez





Eu amo os gregos tipos de escultura:
Pagãs nuas no mármore entalhadas;
Não essas produções que a estufa escura
Das modas cria, tortas e enfezadas.

Quero em pleno esplendor, viço e frescura
Os corpos nus; as linhas onduladas
Livres: da carne exuberante e pura
Todas as saliências destacadas...

Não quero, a Vênus opulenta e bela
De luxuriantes formas, entrevê-la
De transparente túnica através:

Quero vê-la, sem pejo, sem receios,
Os braços nus, o dorso nu, os seios
Nus... toda nua, da cabeça aos pés!






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