terça-feira, 1 de março de 2011

MÉNAGE À TROIS, COM NÁLU NOGUEIRA



Você conhece Nálu Nogueira?



Pois é bom guardar-lhe o nome. Poeta das boas, sem medo, sem peias na língua, para derrubar tabus. Diz-se, de si mesma, que é “brasilioca... idade variando entre os desejáveis 28 anos e os inadmissíveis 43, PHD em produção de filhos bonitos, começou a colecionar maridos aos 19, mas parou no segundo, porque era preciso malas muito grandes para guardá-los, a coleção não chegava a compensar. Escreve, pensa doentiamente, sofre de angústia crônica e otimismo incurável, alternadamente. Não bastasse, canta. E se acha linda.”

Com certeza, é!

De Nálu Nogueira, com ilustrações de vários autores:




O terceiro elemento






(Antoine Borel)


eram ele e ela
dois,
os dois apenas
ela por ele
em cima
ele dentro
embaixo
atrás
ao lado
dentro dela
ela gemia
ele sorria
ela gritava
ele batia
puxava os cabelos
dela e ela inclinava
ainda mais as ancas
giros fortes
ela
ele
dentro dela,
apenas os dois.




(Antoine Borel)


então ela por cima
o comia
feito um homem
dizia quieto
dizia mexe
dizia goza
ela por cima
dele,
ele dentro dela
ela pedia
dizia mete
dizia fode
mandava nele
e ele só fazia
o que ela queria.




(Aroldo Bonzagni)



e então um dia
ele dentro dela
o dedo dela
escorregou pra
dentro dele
ele gemeu
brigou
não quero
machuca
e ela ouviu
sorriu
enquanto o dedo
dela brincava gentil
dentro dele
e ele não mais
resistia.




(Aroldo Bozagni)


e não bastou
para ela, não.
ela sabia
o que ele queria
embora ele não
soubesse que podia
então no ouvido
dele
sussurrava coisas esquisitas
aflita, louca

ele dentro dela
sempre
ela se contorcia
em gozo, tonta
mas queria outro
com eles
queria outro
na sua boca enquanto ele
a fodia.


(Fameni Leporini)




então dizia rouca
a ele
a sua fantasia
no ouvido dele
o outro descrito
como ela queria
contava a ele
o que o outro
fazia
enquanto ele,
cada vez mais louco
a fodia
forte
um garanhão
ela
tesão que o consumia
pedia mais
mais forte
enquanto dizia
e ele o que seus
olhos viam: o outro
sobre ele
enquanto ele a
comia
as pernas dele
abertas
enquanto ela
puxava as nádegas
dele e o abria
para o outro
que o fodia
o outro que a
beijava sobre
os ombros dele
e ele via
e punha a própria
língua entre as
línguas deles: do outro
que o comia e dela, que
ele fodia bem e forte
como só ele sabia





(autor não identificado)



ela falava
e ele via
e ele sentia
e queria
desvairado
louco
tonto
embarcar naquela
fantasia
que era dela - e por
ser dela,
ele se desculpava
isso o redimia
e então ele
podia
ser o macho
ser a fêmea
e ele podia
ser qualquer
coisa
qualquer forma
de prazer valia
e ele punha
os dedos dele, juntos
na boca que ela
oferecia
e junto com ela
lambia
chupava os dedos
grossos,
os dois
ao mesmo tempo
e os dedos eram
o pênis do
outro que ela
queria.




(Fameni Leporini)




juntos
podiam tudo
até tornar o outro
mais que fantasia
e isso era
o que ele mais queria
e isso era
o que ele mais temia.




(Fameni Leporini)



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