terça-feira, 29 de março de 2011

MULHERES NÃO PODEM GOZAR!







O orgasmo feminino foi e será sempre motivo de controvérsias. E, desde tempos remotos, impedir que as mulheres gozem tem sido uma das formas de dominação sexual de um certo machismo escudado em razões sociais ou religiosas. A maneira mais cruel de impedir que as mulheres gozem – e portanto, ganhem identidade e igualdade – é a mutilação genital feminina (FGM, na sigla em internacional, em inglês).






Há várias formas de mutilação genital feminina. Pode ser uma circuncisão primária para meninas jovens, normalmente entre 5 e 12 anos de idade, ou uma circuncisão secundária, por exemplo, depois do parto. A extensão de uma circuncisão primária pode variar de uma incisão no prepúcio do clitóris até uma circuncisão com remoção do clitóris e dos pequenos lábios ou sutura dos grandes lábios, de forma que só reste uma abertura mínima para escoar urina e sangue menstrual.






Não importa a forma: são todas elas bárbaras, mutilantes e, segundo a Organização Mundial da Saúde, provocam consequências graves, como: hemorragias, infecções, sangramento de órgãos adjacentes, dor violenta. Outras complicações, tardias, são: cicatrizes malignas, infecções urológicas crônicas, complicações obstétricas e problemas psicológicos e sociais. A mutilação genital feminina tem consequências sérias para a sexualidade da mulher, além de uma multiplicidade de complicações durante o parto (perturbações na expulsão, formação de fístula, roturas e incontinência). Até mesmo a versão menos drástica da incisão no clitóris, pode trazer complicações e consequências funcionais. Embora estejamos vivendo no século XXI, essa prática bárbara afeta ainda hoje mais de 80 milhões de mulheres e meninas em todo o mundo, praticada por grupos étnicos de mais 30 países. 





Ainda que haja várias razões para explicar a existência e a continuação da prática da mutilação genital feminina, como costume e tradição (preservar virgindade de meninas jovens e limitar a sexualidade de mulheres) e razões sociais, nenhuma, absolutamente nenhuma razão justifica a continuação de tal prática, em qualquer tipo de sociedade.




Nenhuma das principais religiões faz referência explícita à circuncisão feminina nem apoia esta prática. No entanto, costumes arraigados de grupos humanos mantêm essa tradição, que é, sim, uma forma explícita e cruel de opressão às mulheres. E embasam essa tradição em usos e costumes de origem religiosa, porque à mulher não é dado o direito ao prazer, ao gozo.






Mulheres que gozam são perigosas!



(Fotos da internet, sem indicação de autoria)




sexta-feira, 25 de março de 2011

NUDEZ: EM PÚBLICO, AINDA PODE SER CHOCANTE




NUDEZ PÚBLICA: ATENTADO AO PUDOR?




O homem caminha pelas ruas. Todos o olham. Espantam-se. Riem. Viram o rosto. Desce as escadas do metrô. Forma-se um pequeno cortejo atrás. Passa a catraca. A plataforma cheia ressoa um murmúrio. Ele está nu. Entra no metrô.





Não se senta. Um vazio em torno dele. Todos o olham. E ele é preso na estação seguinte. Atentado violento ao pudor.



Pudor. A palavra chave da nudez em público. E não me refiro nem a campos ou praias de nudismo, nem a manifestações políticas ou fotos do Spencer Tunik. Eis outro tabu.



E outro fetiche.





Sonho, às vezes, que ando nu pelas ruas. Não sei o que isso significa. O mais provável é que não signifique nada. Sonhos são apenas sonhos, nada mais. Apesar do Freud. E quem já não terá sonhado que está nu no meio de uma porção de pessoas?







Pudor. A civilização criou o pudor. Mas nenhuma nudez deve ser castigada. Ou melhor, estar nu não é crime. Crime é o que se faz com a nudez. No entanto, qualquer país dito civilizado reprime a nudez pública, às vezes na base da porrada.





Fetiche. Andar nu pelas ruas, no meio da multidão. Ou ver alguém completamente pelado ou pelada numa praça, numa rua, num bar, no ponto de ônibus.



Para descobrir que um homem ou uma mulher nus são apenas um homem ou uma mulher nus. Nada mais. A coisa só se complica quando “o rei está nu”. Ou os políticos. Mas isso já é outra história...






Sem nenhuma sociologia, filosofia ou psicologia, espero que tenham se divertido com as cenas que ilustram esse pequeno texto sobre nudez pública, como a garota da foto aí de baixo parece se divertir, não sei bem por quê.






(Fotos da internet, sem indicação de autoria)



terça-feira, 22 de março de 2011

NUDEZ: NA ARTE E NA POESIA



O DESEJO DA NUDEZ, NA POESIA



(Foto da internet, sem indicação de autoria)


Os poetas parnasianos cultivavam a forma, não a forma física, mas a beleza e a sonoridade das palavras, as rimas ricas, o verso perfeito. Alguns, no entanto, levaram à sua poesia o erotismo das formas naturais, principalmente dos valores hedonistas da poesia grega que eles tanto admiravam. Daí, alguns poemas de conteúdo erótico que (felizmente) podem ser encontrados até em antologias escolares, como o poema abaixo, de RAIMUNDO CORREA (1859 – 1911).



A que se refere o poeta com os versos “não essas produções que a estufa escura/das modas cria tortas e enfezadas”?



Talvez à pintura do perído romântico, em que a nudez, embora explorada, vinha sempre envolta em véus, em sombras, com um objetivo “nobre”, como a famosa cena da Revolução Francesa, pintada por Delacroix:







... ou com objetivos estéticos elevados, como as mulheres de Ingres que, mesmo apresentadas em nu frontal, não parecem despidas, tal o grau de idealização do pintor, como esta Vênus Anadiomene:




De qualquer modo, o desejo do poeta de uma nudez mais direta, mais “realista”, já vinha se concretizando na pintura (e nas artes, em geral), com o Realismo: em 1866, Gustave Courbet apresentava sua ORIGEM DO MUNDO, para susto dos desavisados moralistas de plantão (que existem até hoje):




Vamos ao soneto de RAIMUNDO CORREA, com a ilustrações de HILO CHEN, pintor ultrarrealista que, talvez, satisfizesse os anseios do poeta.


Plena nudez





Eu amo os gregos tipos de escultura:
Pagãs nuas no mármore entalhadas;
Não essas produções que a estufa escura
Das modas cria, tortas e enfezadas.

Quero em pleno esplendor, viço e frescura
Os corpos nus; as linhas onduladas
Livres: da carne exuberante e pura
Todas as saliências destacadas...

Não quero, a Vênus opulenta e bela
De luxuriantes formas, entrevê-la
De transparente túnica através:

Quero vê-la, sem pejo, sem receios,
Os braços nus, o dorso nu, os seios
Nus... toda nua, da cabeça aos pés!






sexta-feira, 18 de março de 2011

NUDEZ: VESTIDOS E PELADOS, OS HOMENS!



ANTES E DEPOIS: OS HOMENS!



O conceito é o mesmo: tentativa de reproduzir fotos com a nudez de pessoas comuns. Comparando, claro, com a mesma pose da mesma pessoa quando vestida. Agora, a brincadeira é com os homens.







Mesmo que, às vezes, eles pareçam desafiadores, na nudez, há sempre um ar de “e agora? será que...”, ou seja, é difícil disfarçar o desconforto causado pela ideia de que pode não sair bem na foto, mesmo entre jovens atléticos.








É aquele desconforto, já anteriormente comentado, da “síndrome do pênis murcho”, em geral, bem menor do que em estado de ereção.









Poucos ficam realmente à vontade, na comparação “antes e depois”.








O homem, ou seja, o macho da espécie, é realmente muito mais encucado do que as mulheres, na relação com o corpo. 



Observe-se que a expressão facial e corporal do rapaz abaixo não esconde o seu constrangimento, como se dissesse: “já que é inevitável, vamos lá...”.






Só parecem se sentir mais à vontade nus, quando podem, enfim, mostrar seus atributos viris.








sexta-feira, 11 de março de 2011

LETTRES PORTUGAISES / CARTAS PORTUGUESAS






(Autor não identificado)





Causou furor, quando surgiu, em 1810, uma coleção de cinco cartas escritas em francês, no século XVII, por uma freira portuguesa a seu amante, um oficial francês.



A história é nebulosa. Ainda hoje há controvérsias sobre a autencidade das tais cartas e se o romance entre a freira e o soldado realmente aconteceu.

As personagens: sóror Mariana Alcoforado (1640-1723), monja do Convento da Conceição, em Beja e Noel Bouton de Chamilly, conde de Saint-Léger, oficial que lutou em solo português, na Guerra da Restauração.


A história (real ou ficctícia, mas plausível): entre 1667 e 1668, durante as manobras do exército na região, eles se conheceram, provavelmente durante algum culto religioso, se apaixonaram e tiveram um tórrido romance. O caso teria virado escândalo e o conde abandonou Portugal, prometendo mandar buscar Mariana. Isso, no entanto, nunca aconteceu. Daí as cartas. Que podem ser lidas – e são magníficas – no blog TRAPICHE DOS OUTROS:





(Mariana Alcoforado no teatro: autor não identificado)



Corta. 





Portugal no século XX. A mulher, como no tempo de Mariana Alcoforado, ainda é uma escrava do macho – o pai, o marido... – na sociedade governada por Marcelo Caetano, sucessor do ditador Antônio Salazar.


Três escritoras, as “três Marias” - Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa – publicaram em 1972 AS NOVAS CARTAS PORTUGUESAS, denunciando a condição da mulher portuguesa, relacionada com a repressão ditatorial e o poder do patriarcado. Teve a obra repercussão internacional, contribuindo para a queda posterior do regime, três anos depois, na famosa REVOLUÇÃO DOS CRAVOS.



O livro compõe-se de textos – crônicas, poesias, contos, cartas etc – de grande beleza literária, como este que publicamos a seguir. Leia e deguste:



A PAZ



(Mariana Alcoforado: autor não identificado)





Compraz-se Mariana com seu corpo.

O hábito despido, na cadeira, resvala para o chão onde as meias à pressa tiradas, parecem mais grossas e mais brancas.



As pernas, brandas e macias, de início estiradas sobre a a cama, soerguem-se levemente, entreabertas, hesitantes; mas já os joelhos se levantam e os calcanhares se vincam nos lençóis; já os rins se arqueiam no gemido que aos poucos se tornará contínuo, entrecortado, retomado logo pelo silêncio da cela, bebido pela boca que o espera.






(Martin von Maele - la sorciere)



Que interessa então a Mariana as mãos que o encaminham? Se as suas que lhe descem lentas pelas ancas, se as dela que a largaram de improviso...



Quebra-se, pois, a clausura: pelos seios ele a tem segura a rasgar-lhe os mamilos com os dentes.



Quebra-se pois a clausura?


Recurva, tenso, o ventre: a língua entumescida. Dele a língua quente, áspera de saliva e o demorado sugar, rente, ritmado, a esvaziá-la devagar da vida.





(Autor não identificado)




Compraz-se Mariana com seu corpo, ensinada de si, esquecida dos motivos e lamentos que a a levam às cartas e a inventam – “Descobri que lhe queria menos do que à minha paixão (...)”: – ei -la que se afunda em seu exercício. Exercício de corpo-paixão, exercício da paixão na sua causa.

Os olhos tem fixos, escancarados, no rosto dele presos, a inventá-lo em seus traços que de memória retém ou não sabe se os inventa, enquanto sobre o peito lhe descai, no movimento ritmado das coxas, a possuí-lo como macho – sente – e lhe vê os lábios crispados, se enterra mais nele, se empala num enorme prazer, no uivo de quem foge ou se dá. Dádiva em toda aquela obcecante conquista da dureza violenta do pênis: os dedos bem fundo perdidos na humidade viscosa da vagina, os ombros erguidos, a cabeça apoiada no travesseiro, os braços tensos como que para lhe reter os quadris estreitos que se movem na consentida busca da voragem do útero.



(A. não identificado)

Sei como és daninha, mulher retomada do rio que esforças por calar nas veias, maligna. Na seda das nádegas, no odor abrasado das axilas. Terra, que a haustos respiro e formo com teu esperma, meu sêmen; tua amante-esposa não deixaste perdida nem lograda; eis como me entrego e me ofereço, me conduzo e te ensino até o jeito mais breve ou demorado para melhor gozo. De pé agora te retomo, te cruzo, te possuo; minhas secreções já espessas, à mistura com as tuas, inundam-me as entranhas tão estéreis, herméticas, adormecidas.

Mariana deixa que os dedos retornem da vagina e procurem mais alto o fim do espasmo que lhe trepa de manso pelo corpo. A boca que a suga, a galga, é como um poço no qual se afoga consentida, ela mesmo a empurrar-se, enlouquecida, veloz.

(A. não identificado)

Devagar meu amor, devagar o nosso orgasmo que contornas ou eu contorno com a língua. Devagar te perco de súbito, te esqueço, não sendo tudo mais que uma enorme vaga de vertigem.

E a noite devora, vigilante, o quarto onde Mariana está estendida. O suor acamado, colado à pele lisa, os dedos esquecidos no clitóris, entorpecido, dormente.

A paz voltou-lhe ao corpo distendido, todavia, como sempre, pronto a reacender-se, caso queira, com o corpo, Mariana se comprazer ainda.



(Autor não identificado)



NOVAS CARTAS PORTUGESAS, de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa; Círculo do Livro, 1974, São Paulo, SP. 

(Se quiser conhecer as cartas portuguesas,  acesse o blog TRAPICHE DOS OUTROS -  e procure pelo nome de Mariana Alcoforado).







terça-feira, 8 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


DIA INTERNACIONAL 

DA MULHER: 

OBA!





DIA INTERNACIONAL 

DAS MULHERES: 
10 VEZES 
OBA!!!!!!!!!!







sexta-feira, 4 de março de 2011

NUDEZ: TIRANDO O VESTIDO DE NOIVA


AS NOIVAS NUAS



Sejamos bem diretos e, até, um pouco duros (sem trocadilho, por favor): casamento é uma instituição tão antiga, que se perde na memória dos tempos. Mas, no fundo, no fundo, não passa de uma cerimônia de permissão a um homem e a uma mulher para coabitarem. Ou seja, para irem para a cama, para fazerem sexo, para treparem. Sem que ninguém tenha nada com isso.


Claro que pode haver – e quase sempre houve – muitos outros interesses num casamento. Inclusive o amor romântico. Deixemos pra lá... O que nos interessa, aqui, é um outro fetiche: a nudez da noiva.



Afinal, na sociedade moderna ocidental, o casamento praticamente gira em torno da noiva: a festa, a cerimônia (civil e religiosa), o bolo, os convidados, o cortejo nupcial e, principalmente, o vestido... tudo é planejado para destacar a noiva.


E a noiva se prepara para o casamento de forma esmerada: banho (de loja e de corpo) e tosa (maquiagem, cabelo, unha, sobrancelhas, depilação etc)! Mesmo com todas as emoções à flor da pele, o que se espera é uma lua de mel perfeita, com noivo e noiva novinhos em folha. Então, afloremos nosso fetiche, com o “antes” e o “depois” de noivas normais, comuns, não modelos que levem o glamour ao extremo, com o uso de truques fotográficos exagerados.


Divirtam-se, pois, com a nudez das noivas. Sem pejo, sem medo, sem os maridos.