sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

OS ILUSTRADORES – 2





Mais alguns dos desenhistas e ilustradores que têm, às vezes, aparecido nas páginas desta LUA QUEBRADA, pelo valor e beleza de sua arte. Desta vez, misturamos antigos e contemporâneos. 


Divirtam-se.




 PAUL AVRIL



Pseudônimo de Édouard-Henri Avril (Argel, 21 de maio de 1843 — Le Raincy, 1928). Foi um pintor e ilustrador francês, conhecido por suas gravuras eróticas. Avril estudou na Escola de Belas Artes de Marselha (1871 a 1873) e de Paris (1874 a 1878). Usualmente suas obras encontravam-se assinadas com as iniciais "E. Avril", entretanto, adotou o pseudônimo "Paul Avril" quando foi convidado a ilustrar o romance "Fortunio", de Théophile Gautier, com imagens "obscenas". 








PAUL-ÉMILE BÉCAT



Paul-Émile Bécat (Paris : 1885 –1960), pintor, gravador e desenhista ; ganhador de vários prêmios como o Grande Prêmio de Roma, de 1920, hoje é mais conhecido como ilustrador de livros eróticos de Pierre Louÿs, Paul Verlaine e outros.






LOBEL-RICHE



Alméry Lobel-Riche (1880-1950), pintor, gravador e ilustrador suíço que viveu e produziu sua obra em Paris, conhecido principalmente por seus desenhos eróticos. 







TOM POULTON




Tom Poulton (1897 - 1963) foi um ilustrador de revistas médicas da Inglaterra, que desenhou para uma série de publicações, incluindo o British Journal of Surgery e The Radio Times . Após sua morte, descobriu-se que ele tinha produzido secretamente centenas de esboços e desenhos de homens e mulheres envolvidos em uma ampla gama de atividade sexual desinibida. Somente na década de 1990 a 2000 muitos desses desenhos foram disponibilizados ao público por editoras especializadas em arte erótica.








OLIVIA DE BERARDINIS




Olivia De Berardinis nasceu em Long Beach, Califórnia, no ano de 1948, mas passou a a maior parte da infância na Costa Leste. Em 1967 entrou para a Escola de Artes Visuais de Nova Iorque e se envolveu com o movimento minimalista. Começou a pintar pin-ups por volta da década de 70 em fantasias eróticas para revistas masculinas. Em 1987 a Tamara Bane Gallery em Los Angeles abre as portas para a mostra individual do trabalho de Olivia. Nesse mesmo ano, Olivia e o marido, Joel Beren, mudam-se para Los Angeles, onde vivem hoje.






JOHAN NEPOMUK GEIGER



Peter Johann Nepomuk Geiger (11 de janeiro, 1805 - 29 de outubro de 1880) foi um artista vienense. Queria inicialmente seguir a tradição familiar e se tornar um escultor, mas o desenho e a pintura foram o seu elemento natural. Realizou numerosas ilustrações de obras de história e poesia, mas também fez pinturas a óleo da família real austríaca. Em 1853 tornou-se professor da Academia de Arte de Viena . Para a Família Real fez muitas obras, incluindo as ilustrações de Goethe , Friedrich Schiller e William Shakespeare . Seus desenhos eróticos são particularmente lembrados, embora seja pouco provável que eles fossem o trabalho típico de um pintor da corte.








VON BAYROS



Franz von Bayros (Zagreb, 1866 - Viena, 3 de abril de 1924) foi um artista comercial, ilustrador e pintor. Fazia pinturas sobre temas eróticos. Ficou conhecido por seu controverso portfólio Erzählungen am Toilettentische (Contos de Toucador, numa tradução livre), do qual tiramos este exemplo:









AUBREY BEARDSLEY 



Aubrey Vincent Beardsley (21 de agosto, 1872, Brighton – 16 de março, 1898, Menton) foi um importante ilustrador e escritor inglês. O seu estilo recebeu influência do grupo pré-rafaelita e da estampa japonesa e influenciou o desenvolvimento da art nouveau.







terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PEQUENA ANTOLOGIA DE POEMAS ERÓTICOS


Língua




No amor,
quem

tem

língua

não morre

à míngua.




▼▼▼


Fruta







Tu, quando acabas,

tem teu gozo o gosto

de jabuticabas.




▼▼▼


Dolência







Silêncio no quarto:

depois que me chupas,

sinto-me farto.



▼▼▼


Fogo






Quero-te chama,

mesmo que molhes

minha cama.



▼▼▼


Sim!






Mordo-te

o seio.

Gritas

que o gozo

já veio.




▼▼▼


Apelo






A teu apelo,
não nego fogo:

chupo teu grelo,

colho teu gozo.




▼▼▼


União




Vem, tu dizes,
meu corpo é chama.

E então somos felizes

na mesma cama.



▼▼▼


Tesouro




Fechado o ânus como um cofre,
há somente uma chave para abri-lo:

por isso, para entrar, o pau sofre,

faz seu dono perder um quilo

e precisa agir com toda a perícia.

Mas depois que entra – que delícia!



▼▼▼



Intimidade





Quero a intimidade da carne
sem nenhum pudor.

Por isso, teu pequeno botão

molho com muito charme

até abri-lo na mais bela flor. 




▼▼▼


Isaias Edson Sidney



(Desenhos do ilustrador Húngaro Michael von Zichy - 1827-1906).




sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

OS FOTÓGRAFOS DE MULHERES NUAS



(A. não identificado)


Já que, no post anterior, falei dos ilustradores, hoje minha homenagem aos fotógrafos.


Com um pouco de veneno.


O nu é antigo, na fotografia. Esta foto, por exemplo, é considerada a primeira a registrar um nu frontal, aliás, dois, lá pelos idos de 1839:




Até a década de 50, a moral da época não permitia certos exageros que hoje vemos. Então, a rapaziada gostava de se extasiar com inocentes fotos de campos de nudismo (que se popularizaram, para escândalo de muita gente). Então, era comum rapazes terem sob o colchão revistas com fotos como esta:



No entanto, não eram tão pudicos assim os nossos avós. E se a sacanagem rolava solta, a arte fotográfica não podia ficar de fora, claro. E a fotografia perdeu a vergonha logo, logo: do início do século passado, encontramos muitas fotos (de qualidade meio duvidosa) de erotismo explícito, que deviam ser vendidas como cartões postais, em lojas de souvenirs sacanas pelo mundo afora, como esta:




Com a evolução técnica, encontramos fotógrafos que hoje produzem verdadeiras obras de arte, combinando perfeitamente luz e sombra. E vejam que luz – de um azulado incrível! – obtém esta fotógrafa:



(Foto de Carla Van de Putelaar)


Fotos de nudez – principalmente a feminina – e de sexo, há muito não são novidade: a internet, hoje, muito mais do que as revistas, disponibiliza milhões de fotos de todos os tipos e de todos os fotógrafos, para todos os gostos.

Então, porque todo esse papo sobre fotografia de mulheres peladas?






(Anton Volkov)


Ah, sim: o veneno. Tudo isso para brincar um pouco com dois renomados fotógrafos da atualidade, que também brincaram entre si, plagiando um ao outro.


Posso dizer que o primeiro prefere suas mulheres nuas assim:


(Foto de Leonard Nimoy)

Embora, elas possam ter sido, um dia, assim:



(Foto de Helmut Newton)


Gosto não se discute, não é?

E só para terminar, o fotógrafo da primeira foto deste post não tem, mesmo, medo algum de ser feliz.




terça-feira, 18 de janeiro de 2011

OS ILUSTRADORES – 1: SACANAGEM ANTIGA E DAS BOAS



Aprecio o trabalho dos desenhistas ou ilustradores de obras eróticas. Principalmente os mais antigos. Têm alguns, às vezes, o traço pesado. Outros, a preocupação com detalhes. Mas, quase todos têm o gosto e o timing da safadeza, explícita ou não, a ironia ou a crueza no trato do sexo. Tenho utilizado sua obra, aqui, nesta Lua Quebrada, e hoje rendo-lhes homenagem, com a publicação de uma breve notícia sobre a vida e a obra desses ilustres artistas.

Divirtam-se.



AGOSTINO CARRACCI



Pintor e gravador italiano, nasceu em Bolonha (16.8.1557) e faleceu em Parma (22.3.1602). É de família de artistas. Fundou a Accademia degli Incamminati, origem da Escola de Bolonha. Eis um exemplo de sua arte, como retratista de temas eróticos, em que utilizava, principalmente, motivos mitológicos:





ANTOINE BOREL




Pintor, desenhista e gravador francês, nasceu em Paris em 1743 e morreu em 1810. Fez aquarelas de costumes e de alegorias políticas, tanto com temas “sérios” quanto eróticos. Exemplo de seu traço, na ilustração de “Teresa Filósofa”:







 ACHILLE DEVÉRIA


Outro francês (Paris, 6/2/1800 – 23/12;1857) que exerceu sua arte em diversos gêneros, inclusive em pinturas religiosas. Foi o primeiro a aplicar a cor na litografia. Fez o retrato de celebridades da época, como Balzac e Liszt. No Egito, passou muitos anos a desenhar e transcrever inscrições antigas. Exemplo de seu desenho erótico:








GIULIO ROMANO



Giulio Pippi (apelidado de Giulio Romano) foi um pintor e arquitecto do Renascimento italiano, tido como maneirista. Nasceu em 1492, e era um dos principais assistentes de Raphael. Planejou, construiu e decorou o Palazzo del Té. Nele se encontram algumas das suas obras mais famosas, como os frescos de Psyche, de Icarus e da Queda dos Titãs. Morreu em 1546.








MARTIN VAN MAELE



Martin Van Maele ou A. Van Troizem são pseudônimos de Maurice François Alfred Martin (Boulogne-sur-Seine, 12 de outubro de 1863 — Varennes-Jarcy, 5 de setembro de 1926), desenhista francês especializado em ilustração erótica. Van Maele começou sua carreira ilustrando a obra "Les Premiers Hommes dans la Lune" de H. G. Wells, editada por Felix Juven em 1901. Posteriormente ele ilustrou o romance "Thaïs" de Anatole France e algumas traduções francesas da série Sherlock Holmes. Uma de suas ilustrações para a Trilogia Erótica, de Verlaine:








THOMAS ROWLANDSON



Nascido em Londres (julho de 1756 a 22 de abril de 1827), Rowlandson dedicou-se mais à caricatura do que à pintura, deixando uma extensa obra publicada na época em revistas e livros que ele ilustrou. Exemplo de seu estilo irônico e, às vezes, debochado:








FÉLICIEN ROPS



Félicien Rops (Namur, 7 de julho de 1833 — Essonnes, 23 de agosto de 1898) foi um desenhista, litógrafo, gravurista e pintor belga cuja arte é associada ao movimento literário simbolista e decadentista. Seu trabalho tendia a misturar imagens de sexo, morte e satanismo, como neste exemplo:





Fiquemos por aqui, por enquanto. Voltaremos ao tema. Pois a arte do desenho e da ilustração, ao contrário da pintura – sempre mais conservadora – sempre esteve mais aberta a experiências e a provocações mais explícitas. Para nosso deleite.







sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

PUNHETA: DE NOVO!?






Pois, é, parece fixação, mas não resisti e voltei ao assunto.

E a culpa é do Luís Fernando Veríssimo.

O escritor é bastante finório para não entrar em canoas furadas e mais fino ainda em se tratando de assuntos, digamos, mais cabeludos.

No entanto, fugindo a seu discreto discorrer sobre sexo, deixou a pena correr solta para tratar da famigerada punheta. Com o humor de sempre. Com a “finesse” de quase sempre.

Bem, não vou me alongar mais. Divirtam-se com a crônica abaixo, publicada no vetusto Estadão (e no Caderno 2!) de domingo passado, 9 de janeiro de 2011.






O HOMEM QUE CASOU COM SUA MÃO DIREITA











Herculano era um homem sério, o que tornava suas esquisitices ainda mais divertidas para o grupo. Mesmo quando não estava na roda, o Herculano era assunto da turma. Volta e meia alguém chegava com uma história nova do amigo, sempre prefaciada com a frase:

- Sabem a última do Herculano?
Pois a última do Herculano ele mesmo anunciou, um dia, ao chegar no bar.
- Pedi minha mão em casamento.
- O quê?!
- Você vai casar com você mesmo?
- Não, só com a minha mão. Esta.
E Herculano levantou sua mão direita. A noiva abanou para todos na mesa.






Herculano explicou que não tinha sido uma decisão súbita e impensada. Ele e sua mão eram ligados desde pequenos. Tinham se criado juntos. A partir da puberdade haviam começado a fazer sexo regularmente, mas nada sério. Coisa de adolescentes. Com o tempo, no entanto, o relacionamento mudara. Crescera uma real afeição entre os dois, que aos poucos se transformara em amor. A verdade, contou Herculano, era que encontrara na sua mão direita o que nunca encontrara numa mulher. Além de ser uma companheira constante que jamais o contrariava e fazia todas as suas vontades, era uma amante perfeita. Nenhuma mulher conseguia satisfazê-lo como sua mão direita.
- Me apaixonei, pronto – disse Herculano.




Herculano enumerou todas as vantagens de ter sua mão direita como esposa. Ela jamais lhe seria infiel. Ela jamais se recusaria, com um gesto que fosse, a fazer amor com ele. Estaria sempre pronta para o sexo, incapaz de alegar dor de cabeça, tendinite ou o que fosse. E não esperaria que ele fizesse conversa de neném antes e depois do ato, como algumas mulheres exigem. Sua mão direita não esperaria nada, não exigiria nada, seria uma amante – alem de exímia nas artes do amor – silenciosa.





Não era brincadeira. Herculano levou adiante o plano de casar com sua mão direita. Durante algum tempo – o tempo do noivado – a noiva usou duas alianças no seu dedo anular, uma dela e outra do Herculano. Depois do casamento a aliança do Herculano passou para a sua mão esquerda. Todos na roda queriam saber quando seria o casamento, quem seriam os padrinhos, etc., mas Herculano informou que a cerimônia seria simples e sem testemunhas. Ele sabia que não seria difícil arranjar alguém para oficializá-la. Hoje em dia, como se sabe, tem até padre casando surfistas em cima da prancha e pegando onda. Mas Herculano preferiu a discrição. A lua de mel foi em Cancún.






E aconteceu uma coisa que ninguém poderia prever. O Herculano, que nunca fora disso, se revelou um grande ciumento. Continua frequentando a roda mas se desconfia que alguém está dando muita atenção à sua esposa, põe a mão no bolso.



(Fotos e ilustrações da internet, sem indicação de autoria)




terça-feira, 11 de janeiro de 2011

BOCETA DE BOLSO!





BOCETA DE BOLSO?! POIS, É...


Este é mais um artigo para provocar os punheteiros de plantão.







(PECADO NADA!)




Brinquedos sexuais. Há um número muito grande deles, por aí. A maioria, voltados para o erotismo feminino. É um campo em que elas reinam absolutas: desde consolos e vibradores, até cremes e roupas exóticas, passando por mil instrumentos de fetiche absolutamente impensáveis para os não praticantes da modalidade.

No entanto, ultimamente, vêm-se multiplicando os brinquedinhos voltados para os homens: bonecas infláveis, masturbadores etc. Já até falamos deles por aqui, em outros momentos.

Veio-me à lembrança a cena do romance O COMPLEXO DE PORTNOY, de Philip Roth, em que o protagonista, adolescente, masturba-se com um pedaço de fígado de boi, encontrado na geladeira e sente, depois, um grande “desconforto” ao reencontrá-lo no almoço da família.

Muitos objetos têm sido usados para a arte masturbatória, principalmente a masculina, como garrafas (!), frutas etc. Tudo isso, agora, está superado, pois encontrei um masturbador portátil. Ou seja, uma boceta de bolso.

Vejam o anúncio da loja na internet (traduzido bem livremente):




Um brinquedo sexual finamente detalhado e ultrarrealista, fabricado com Cyberskin, cujo material é o mais próximo que se pode sentir da pele humana. Tem a temperatura ideal, a suavidade e a elasticidade perfeita para envolver seu pênis com classe e conforto. Nenhuma outra boceta de bolso fará você sentir-se melhor do que com a Cyberskin.


Todo o seu interior é texturizado para provocar sensações incríveis e uma poderosa experiência de orgasmo, quando você a penetrar e fizer os movimentos de entra e sai.

A boceta de bolso Cyberskin foi concebida de forma tão real, que vem com todas as dobras e a textura da pele verdadeira. Quem não gosta de uma boceta perfeita, raspada e com belos lábios cor-de-rosa? Ela foi feita para você!

Sua extremidade é aberta, para facilitar a limpeza. Uma vez que você a experimente, não vai precisar usar as mãos nunca mais!


Este discreto e perfeito brinquedo masculino é fácil de guardar, embora reproduza o tamanho exato de uma boceta verdadeira, para seu real prazer. Mede 8 polegadas de comprimento total (mais ou menos, 20cm) e seu interior, 6 polegadas (mais ou menos, 16 cm); com uma abertura de 3,5 polegadas (mais ou menos, 9 cm).








Primeiro, notei uma certa deselegância em termos de correção, digamos, política, do anúncio: as bocetas são cor-de-rosa e isso é exaltado. Nada de bocetas moreninhas ou negras, por exemplo. O preconceito esconde-se até em inocentes brinquedos sexuais, como as bocetas de bolso.


Segundo, fiquei imaginando situações de uso, já que pode ser levada numa mochila (a famigerada mochila que todo mundo usa atualmente): no cinema, quando o filme for ou muito chato ou muito excitante, de forma discreta, sem incomodar o vizinho ou vizinha do lado; no trabalho, numa ida rápida ao banheiro, quando a chefia tiver deixado você estressado... enfim, uma festa para os todos os punheteiros.







Finalmente, deixando de lado os aspectos negativos de preconceito e as ironias que tais brinquedos com certeza despertam em todos, louve-se a idéia implícita nesse tipo de anúncio: a desmitificação da velha prática masturbatória, terror da adolescência e desconfiança de adultos. Usando ou não de instrumentos auxiliares, só podemos dar vivas à saudável arte da punhetação. Sem traumas, sem moralismos, sem remorsos!




(A. não identificado)


Para ambos os sexos, aliás!






( Fameni Leporin)


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

UMA ALICE QUE TEM BARREIRA SÓ NO NOME




Alice Barreira, poeta. E que delícia de poeta. Sem peias nem barreiras, vai tecendo poemas como quem sabe o que diz, com dedos de fada e foda. Que é, afinal, a temática dos poemas abaixo: dedos. Se é que me entendem.

Nada mais próprio. Já que faz parte de Dedo de moça — uma antologia das escritoras suicidas (São Paulo: Terracota Editora, 2009).

Nascida em Barura, no Amapá (1968), enfermeira do Manicômio Municipal de sua cidade, também escreve contos (Pequena enciclopédia de inutilidades, 1987) e, como fotógrafa, participou da Quarta Bienal Internacional de Fotografia, com a exposição "A Fé Não Costuma", em Lisboa, 1995.

E foi no site das “Escritoras Suicidas” que eu a encontrei e trago, para o deleite de meus/minhas leitores/as, algumas de suas pérolas eróticas.

Dedilhem com prazer: 




1.






percorro perpasso me perco
às escuras
até onde a mão alcança & a vista turva

meus dedos anunciam
a mina daguamel

do vale gramado das coxas
brotam meus abaulados gemidos 






2.





como bicho do mato
sigo meu tato
atrás do teu capricho
escondido
no mato do teu bicho



3. 




te conto histórias
de fadas bem debochadas

brincando atrás do muro
com valetes de pau duro

imagino sem o pensamento
só com a vagina

tiro lá do fundo
teu desejo mais abismal
teu abismo mais desejado

enquanto minha mão encontra o teu pau



4.






abra em frente ao espelho
minha caixa de pandora

loucura mentira paixão
tudo se espalha no mundo

& me roube o fogo dos deuses
pra sempre escondido
escandido
entre minhas pernas




5.





dedo-mindinho
seu-vizinho
pai-de-todos
fura-bolo
mata-piolho
cadê o toucinho que estava aqui

a gata comeu
& lambeu os dedos




6. 






num ônibus rio–são paulo
na festa de aniversário da madrinha
numa cabine de banco 24 horas
nas escadas do prédio
no banheiro da receita federal
em frente à jaula do leão
no banco de trás de um táxi
nos pedalinhos da lagoa rodrigo de freitas
na torre eiffel
atrás da muralha da china

foda-se!



7.



no meio do caminho das minhas pernas
tinha teus dedos no meio do caminho
tinha teus dedos
no meio do caminho das minhas pernas

nunca me esquecerei desse acordecimento
na vida de minha vagina tão re-catada
nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha teus dedos
tinha teus dedos no meio do caminho
no meio do caminho das minhas pernas 





Escritoras suicidas: 


http://www.escritorassuicidas.com.br/ 



(Ilustrações: Suzanne Ballivet - Paris, 1904 - 1985)