terça-feira, 23 de novembro de 2010

MANUELA AMARAL, POETA DO AMOR LÉSBICO







Pouco se sabe de Manuela Amaral: nasceu em Lisboa em 7 de junho de 1934 e morreu na mesma cidade, em 1995, de câncer de mama.

Fez Filosofia, na Faculdade de Letras de Lisboa.

Viveu muitos anos em Paris, fazendo de um tudo, desde empregada de balcão a professora de português e correspondente de jornais portugueses.

Sua poesia canta o amor lésbico. Sem meias verdades. Com versos fortes e apaixonadas.

Uma pequena antologia de Manuela Amaral, para ler, degustar e não esquecer, jamais.



SER TUDO NÃO BASTA



(Foto: x. maya)








Não sou homem
nem mulher
nem lésbica
ou pederasta
Sou tudo
Mas ser tudo
não me basta





SEXO/CAMA






(Foto: ana oliver)








Fui ordinária
requintada
timida
Misturei poesia com vários palavrões
Gritei
Uivei
Gemi
Rasguei almofadas e lençóis
Fui carnaval de amor
no circo de uma cama






O ESPÍRITO DO SEXO








(Foto: david freire)




Hoje acordei debaixo de mim
e senti o orgasmo do mundo
no corpo dos outros







RECADO SEXUAL






(Foto: andré luiz pires)








Não gosto das mulheres
- Só gosto da Mulher
Não gosto do homem
- Só gosto dos Homens
E que cada um pense de mim o que quiser.




SAGRADO IMPROFANO




(Foto: jorge casais)






Nas ilhas mais remotas do teu corpo
fui encontrar o santo graal perdido






MOMENTO



(Foto: antónio stª clara)




Mulher tão deitada
de mim tão despida
Mulher resumida
em cama de noite




MULHER MAIS



(Foto: joão paulo redondo)


Mulher imensa
Vagina secular
Orgia
Bacanal
Gargalhada solta
em carnaval
Mulher sem direcção
direita ao espanto.




Um comentário:

submissa flor de cristal{LB} disse...

Que poetisa mais contemporânea, não a conhecia. Parabenizo a vc pelas belas fotos.

Beijos,

flor de cristal{LB} .