sexta-feira, 8 de outubro de 2010

SER OU NÃO SER







Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre


Em nosso espírito sofrer pedras e setas


Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,


Ou insurgir-nos contra um mar de provações


E em luta pôr-lhes fim? Morrer... dormir: não mais.


Dizer que rematamos com um sono a angústia


E as mil pelejas naturais – herança do homem:


Morrer para dormir... é uma consumação


Que bem merece e desejamos com fervor.


Dormir... Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:


Pois quando livres do tumulto da existência,


No repouso da morte o sonho que tenhamos


Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita


Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.





(William Shakespeare – tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos; fotos de Jaak Bellen)

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