quarta-feira, 18 de agosto de 2010

UM BELO POEMA




(Alexandre Dupouy)



Edmond Haraucourt – 1856-1941 – poeta e romancista francês, foi também compositor, letrista, jornalista, dramaturgo e museólogo.



De sua autoria encontrei o poema que se segue, que foi musicado pelo autor e interpretado pela cantora Suzy Solidor, cuja voz rouca e bela pode ser ouvida neste endereçao, cantando Lili Marlene:









(Tamara de Lempicka - Suzy Solidor)





OUVRE



(LA modèle du peintre de François Benveniste)



Ouvre les yeux, réveille-toi ;

Ouvre l'oreille, ouvre ta porte :

C'est l'amour qui sonne et c'est moi
Qui te l'apporte
.
Ouvre la fenêtre à tes seins ;
Ouvre ton corsage de soie ;
Ouvre ta robe sur tes reins ;
Ouvre qu'on voie.
.
Ouvre à mon cœur ton cœur trop plein
J'irai boire sur ta bouche !
Ouvre ta chemise de lin :
Ouvre qu'on touche
.
Ouvre les plis de tes rideaux :
Ouvre ton lit que je t'y traîne
Il va s'échauffer sous ton dos
Ouvre l'arène
.
Ouvre tes bras pour m'enlacer :
Ouvre tes seins que je m'y pose ;
Ouvre aux fureurs de mon baiser
Ta lèvre rose !
.
Ouvre tes jambes ; prends mes flancs
Dans ces rondeurs blanches et lisses ;
Ouvre tes genoux tremblants...
Ouvre tes cuisses
.
Ouvre tout ce qu'on peut ouvrir :
Dans les chauds trésors de ton ventre
j'inonderai sans me tarir
L'abîme où j'entre.



Edmond Haraucourt (Sire de Chambley) 1902.


ABRE




(Midnight torso by Uly)



Abre os olhos, desperta;
Abre os ouvidos, abre tua porta:
É o amor que chama e sou eu
Quem o mostra a ti.


Abre a janela de teus seios;
Abre tua blusa;
Abre teu vestido sobre teus rins;
Abre para que te possamos ver.


Abre ao meu coração teu coração repleto
Eu irei beber em tua boca!
Abre tua camisa de linho:
Abre para que te possamos tocar


Abre tuas cortinas:
Abre teu leito para nele eu te jogar
Que ele vai queimar sob tuas costas
Abre a arena


Abre teus braços para me enlaçar:
Abre teus seios para que neles eu repouse;
Abre ao furor de meu beijo
Teus lábios cor-de rosa!


Abre tuas pernas, aperta meus flancos
Em teu corpo branco e liso;
Abre teus joelhos trêmulos...
Abre tuas coxas


Abre tudo o que se pode abrir:
Dentro dos quentes tesouros de teu ventre
Eu invadirei sem me cansar
O abismo onde eu entrar.



(Tradução: Isaias Edson Sidney)



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