terça-feira, 24 de agosto de 2010

QUANDO NÃO HAVIA LUZ ELÉTRICA






















"Não chame o mordomo às onze horas da noite para pedir-lhe uma banana. A essa hora peça-lhe uma vela.” 
(Pierre Louÿs – Manual de boas maneiras para as meninas para uso nas escolas)





Uma banana, às onze horas da noite, levantaria suspeitas de seu uso, para uma menina de boas maneiras. Já uma vela, se não havia luz elétrica, seria seria só um inocente meio de iluminação.


(Francisco Zuniga - nude with candle)


Pois, múltiplo uso tinham as inocentes velas. Para melhor enxergar, claro, era a primeira utilidade:





Podiam ser colocadas em lugares estratégicos:






Serviam a vícios solitários, sem despertar nenhuma suspeita às senhoras e senhoritas que, assim, apagam as chamas de seu desejo com as chamas das boas e velhas velas (não resisti ao trocadilho infame):







Ou, entre duas discretas senhoras ou senhoritas, substituíam consolos e outros artefatos, sem grandes preocupações:








Numa festa de aniversário, quem já não comeu bolo babado pela saliva da linda criança que sopra as velinhas inocentes ao som do parabéns pra você?









Velas: dão graça e beleza a cerimônias leigas e religiosas e estão presentes em casamentos, enterros, jantares etc.






O apelo erótico das velas se mantém desde os tempos em que eram absolutamente indispensáveis.








Porque, dos inúmeros símbolos fálicos com que convivemos diariamente nessa sociedade falocêntrica, as velas nunca foram e não são apenas um símbolo.








Se começamos esta pequena crônica iluminada com Pierre Loÿs, encerremo-la com ele:


“Algumas meninas muito vigiadas compram uma virgem santa de marfim polido e usam-na como consolo. É um costume condenado pela igreja. Em compensação, você pode servir-se de uma vela para esse fim, desde que não seja uma vela benta.”






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