terça-feira, 3 de agosto de 2010

O IMORALISMO DOS POETAS




(Paul Émille Bécat)



Versos perfeitos. Pensamentos nobres. Elevação literária. Estamos falando da rica literatura do século XIX. Dos poetas românticos, parnasianos, simbolistas.


Há uma gama enorme de “escolas literárias” à disposição de gênios como Victor Hugo, Baudelaire, Rimbaud, Verlaine... São muitos os poetas franceses – e é deles que estamos especialmente falando - que frequentam os livros escolares e as grandes antologias com seus versos maravilhosos.

Há, no entanto, o outro lado dos gênios: o lado que os moralistas insistem em esconder. O lado humano, demasiado humano. Da poesia satírica e erótica.

Já falamos, aqui mesmo nesta Lua, de poetas fesceninos. E hoje apresentamos uma pequena joia de um grande poeta um tanto esquecido – THÉOPHILE GAUTIER (18111872).





(autor desconhecido)



Além de poeta, foi novelista, jornalista, crítico de arte e de literatura, precursor do parnasianismo e cuja grande produção literária incluiu peças de teatro, obras de crítica e história da arte, e, em parceria com Vernoy de Saint-Georges, foi o autor do roteiro do famoso balé Giselle. Respeitado pelos contemporâneos, entre eles Flaubert, Sainte-Beuve e Baudelaire, morreu no subúrbio de Neuilly-sur-Seine e foi enterrado no Cimetière de Montmartre, Paris. Figura proeminente por cerca de 40 anos na vida artística e literária de Paris, produziu ainda obras fantásticas e notáveis contos exóticos e de temas sobrenaturais, como La Mort amoureuse (1836) e La Comédie de la mort (1838). Entre seus escritos críticos se destacaram Histoire de l'art dramatique depuis vingt-cinq ans, 6 vols (1858-1859) e Rapport sur le progrès des lettres depuis vingt-cinq ans (1868). Outras publicações interessantes foram Le Roman de la momie (1858) e Le Capitaine Fracasse (1863).


De THÉOPHILE GAUTIER, uma pequena obra-prima da poesia não-oficial:


Bonheur parfait



Que les chiens sont heureux !
Dans leur humeur badine
Ils se sucent la pine,
Ils s’enculent entr’eux ;
Que les chiens sont heureux !



Traduzido livremente: 




Felicidade perfeita


Como são felizes os cães!
Com seu temperamento brincalhão,
Chupam-se os paus uns aos outros,
Enrabam-se, uns outros, entre si;
Como são felizes os cães!




(A. não identificado)



(Fonte: http://blog-coquine.nouslibertins.com/bonheur-parfait-23122008)




(Desconhecido: ilustração para Histoire de Juliette, de Sade)






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