sexta-feira, 20 de agosto de 2010

MULHERES INCENDIÁRIAS




(Marilyn Monroe)





Permita-me, caro leitor, amiga leitora, um momento de nostalgia. De nostalgia erótica.



Pois vou falar de algumas – poucas, dentre muitas – mulheres.



Não de mulheres que tive, não sou assim tão pretensioso. Mas de mulheres que incendiaram a imaginação do moleque que eu era, no interior de Minas, lá pelos anos... deixa pra lá: você vai sacar que faz muitos, muitos anos...



Não importa.

Os anos passaram, elas – as mulheres incendiárias – ficaram na minha imaginação. Vou apenas me lembrar delas, nada de biografias, nada de escândalos de suas vidas. Apenas lembranças.


No cinema de minha cidade, passava um filme proibido para dezoito anos. E eu passava pela porta, quando um senhor – conhecido na sociedade – irrompeu porta a fora, esbravejando contra a licenciosidade do filme, contra a nudez da atriz – que pouca vergonha! – gritava ele. Olhei o cartaz – nem me lembro o nome da película, ela fez tantas! – e lá estava, deslumbrante: MARIA ANTONIETA PONS!

Foi meu primeiro alumbramento cinematográfico:






Mas nada se comparava ao furacão francês. Deixava-nos a todos arrepiados, quando pensávamos – só pensávamos! – no que passava pela tela do velho cinema, quando surgiam os cartazes pudicos, mas extremamente provocadores de um filme de BRIGITTE BARDOT. Nossa imaginação realmente fervia:





Ah, e quando soubemos que RITA HAYWORTH ficara nuinha em pelo – era o que juravam os que viram o filme, na época, siderados pela diva – num strip tease em que ela tira apenas e unicamente a longa luva da mão direita! Loucura, loucura geral:








Mais tarde, já quase adultos, não mais no interior, mas na cidade grande, São Paulo, nos deliciávamos com o erotismo light de MICHELE MERCIER, ao encantar o mundo com a beleza de Angélique, uma série de filmes no melhor (ou pior) estilo capa-e-espada:






E então, o erotismo veio cheio de intensões, de preocupações filosóficas, para incrustar em nosso imaginário a beleza que tinha o gelo da Suécia sobre o fogo dos seios de INGRID THULIN, que inaugura a galeria dos filmes de Bergman, com O Silêncio:






Daí, escancarou de vez o erotismo e nossas cabeças, com o cinema brasileiro, quando a câmera rodopia em torno de uma nua NORMA BENGELL sobre as areias de uma praia do Rio, em Os Cafajestes:







Mas, então, já éramos adultos e imaginávamos poder assimilar tudo o que viria em seguida, até que a onda verde se instalasse e decretasse que devíamos continuar sendo os mesmos inocentes lá do interior. E que não podíamos dispor de nosso próprio discernimento para compreender a beleza estampada no rosto de JEANNE MOREAU na famosa cena de Os Amantes:





Quando tiramos o olho do buraco da fechadura e escancaramos as portas, as divas incendiárias já eram todas senhoras respeitáveis e respeitadas, tocando suas vidas como mães, avós e artistas. Maria Antonieta morreu em 2004, no México.



E a chama?





Bem, a chama está aí, bruxuleando às vezes, acesa outras tantas, mas já não tem o mesmo brilho da inocência que perdemos todos pelos caminhos da vida.


Que continua, claro, mesmo que alguns produtos farmacêuticos acabem tendo alguma ou muita influência na nossa libido de homens e mulheres do século XXI, nascidos e crescidos sob o signo da liberdade que brilhou nos olhos, nos seios e nos corpos das divas do século XX.





(foto de Judy Dater)

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