terça-feira, 29 de junho de 2010

UMA CRÔNICA PORTUGUESA, COM CERTEZA






Trilhar a internet é trabalho de mineiro, não só de mineiro de Minas Gerais, mas mineiro de beira de rio, bateia à mão, sol no lombo, pernas já quase de lodo cobertas. Para achar, entre muita areia escoada, a pedra preciosa, a esmeralda ou o rubi. Ou mesmo, uma lasquinha de ouro. Que acontece, de tempos em tempos, para gáudio de poucos.


Da minha bateia, aí vai uma pequena crônica. De um blog português, assinado apenas por Teresa C.


Teresa: nome forte, que remete à santa que tinha arrepios e gozos homéricos, a pensar em deus. Essa Teresa também é bem espertinha, nas observações do comportamento humano, da sexualidade humana. Com uma linguagem que cheira a bolinhos de bacalhau, a pastéis de Belém ou a ruas de Lisboa onde, entre os carros e suas buzinas, também vive e sobrevive o amor...

Calo-me. E deixo com vocês o prazer da viagem no erotismo discreto de nossa portuguesinha e, principalmente, no texto enxuto de delicioso sotaque luso.



DO BUSTO PARA CIMA





Parada no semáforo. O verde preguiçoso aproveito-o para inspecção ao rosto, enviar mensagem rápida, gozar ou fruir da luz e instalar-me no dia. Uma vez por outra, estando o rímel impecável, observo os passantes ou as viaturas paralelas. Foi o caso. A pendura, do busto para cima, dei-a por visão agradável. Inclinou-se e prolongou beijo ardoroso. Ver casais enamorados enternece o meu coração. Discreta, afastei o olhar – momentos em que o mundo é esquecido precisam que o mundo se esqueça deles.

No instante programado, o verde escancarou o cruzamento. Enquanto o casal se compunha, avancei. Nada tendo de santa pousada em toalha bordada num altar, fui curiosa – arrisquei o retrovisor. Teriam estampado no rosto o langor? Tinham. Sorriam. Um olhar na condução, outro na amada. Adivinhei-lhes as mãos afagando as coxas. Alegria. Felicidade. O gosto de «estar com».

Ninguém se interpôs entre nós até ao vermelho seguinte. Como a ternura é bem que prezo recolher, sinto que apenas do respeito pelos afectos o mundo pode esperar redenção. Novo olhar ao retrovisor – do busto para cima eram lindas as duas mulheres. Num beijo glorificaram o amor.







sábado, 12 de junho de 2010

DIA DOS NAMORADOS







Usando o velho plágio do Poetinha:

“QUE O AMOR SEJA ETERNO ENQUANTO DURO” !

E que dure, para cada um de vocês, leitores dessa LUA QUEBRADA, pelo menos mais


 SESSENTA E NOVE 

anos!