sexta-feira, 26 de março de 2010

MUITA SACANAGEM... COM ARETINO






Pietro Aretino. Já falei dele aqui, há algum tempo. A seus versos volto, com muita sacanagem, falando daquilo que ele mais gosta: de caralho e de cona. E diverte-se com isso, o velho chantagista. Vejam o que ele escreveu sobre os seus próprios poemas:



(Dubigeon)



"Diverti-me [...] escrevendo os sonetos que podeis ver [...] sob cada pintura(*). A indecente memória deles, eu a dedico a todos os hipócritas, pois não tenho mais paciência para as suas mesquinhas censuras, para o seu sujo costume de dizer aos olhos que não podem ver o que mais os deleita".


(Dubigeon)


E antes que algum moralista – de antanho ou de hoje – pudesse erguer seu braço vingador para execrá-lo, ele mesmo, Aretino, tratou de dar uma boa resposta:

(Dubigeon)


"Que mal haverá em contemplar um homem a possuir uma mulher? Serão os mesmos animais mais livres do que nós? Não é mister ocultar órgãos que engendraram tantas criaturas belas. Seria antes mister ocultar nossas mãos, que nos dissipam o dinheiro, fazem juramentos falsos, emprestam a juros usurários, torturam a alma, ferem e matam".








As duas citações são de “Carta sobre os Sonetos”. E os sonetos a que ele se refere são os famosos SONETOS LUXURIOSOS, que José Paulo Paes traduziu para o português. E eis um deles, para deleite de todos (e escândalo, talvez, de alguns):


(Dubigeon)


Um caralho papal, Faustina, é este.
Pois diz-me onde melhor se te afigura
— Em cona ou cu, que rara é a ventura.
Na cona te porei, se a elegeste.

Mas se no cu o queres, então neste
Há de entrar. Mexe agora com brandura.
Uma bela mulher nunca se apura
Se recebê-lo como o recebeste.

Aperta-o, meu bem, faz da seringa
Do meu belo caralho igual poema.
Aperta, coração, de novo aperta.

Uma das mãos põe-me no cu, oferta
-Me tua língua, abraça-me, vai, ginga,
Mexe, meu bem, oh! que doçura extrema!

Meu Deus, tanto se estrema
O prazer que um prodígio se ambiciona:
O pau fodendo juntos cu e cona.




(*) Aretino escreveu os Sonetos Luxuriosos inspirado em 16 gravuras (que foram destruídas) de Marcantonio Raimondi... Voltarei ao assunto!



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