terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

CULTO À VULVA: AMEAÇA AO REINO DE FALO?








Nossa cultura ocidental, civilização baseada em princípios greco-romano-cristãos, cultua o FALO como símbolo do poder preponderantemente masculino. Ou seja, somos uma cultura máscula, macha, de caçadores e guerreiros. Erguemos, desde os tempos antigos, monumentos à agressividade.


Às vezes explícitos, como o Pilar do Céu, feito de aço (parque Longwan Chaman, da cidade chinesa de Changchun):






Ou mais disfarçados, como a famosa torre de Babel, um mito bíblico que podia ser apenas mais um monumento ao poder masculino, um zigurat imenso que, provavelmente, não deu muito certo, ainda que pareça fantástico na visão de Brueghel:





Disfarçam-se esses monumentos em formatos os mais diversos, como torres, edifícios, faróis, pelourinhos, obeliscos etc., mas são todos símbolos fálicos, símbolos do poder masculino. Isso, em qualquer época. Por exemplo, na Londres atual, o edifício Gherkin (projetado pelo arquiteto Ken Shuthleworth), é chamado de “Erotic Gherkin” por razões óbvias:




O Oriente, no entanto, tem mais sutileza, quando se trata de símbolos sexuais e de cultos ligados a deuses e deusas da sua mitologia. Assim, em oposição à nossa falocracia, o culto a Yoni, aparece em vários momentos e monumentos, como essa enorme pedra do santuário de Cát Tiên, no Vietnam:



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Yoni é uma palavra sânscrita que significa “passagem divina”, “lugar de nascimento”, “fonte da vida”, “templo sagrado”, o que dá bem a ideia de como a vagina tinha o seu reconhecimento nessas culturas, ao denominá-la assim, como o faz o famoso livro do amor, o Kama Sutra.





Agora, independentemente do retorno ao culto de deusas da antiguidade, muito além dos próprios conceitos feministas na luta da mulher por um lugar mais do que justo ao lado do homem e não submissa a ele, parece surgir um certo culto à vagina, à Yoni, através não de monumentos agressivos, mas da sutileza e da beleza de jóias, como este delicado pingente:






Ou este quase improvável, mas belíssimo enfeite de natal:




Mulheres há que mandam esculpir em materiais nobres sua própria vulva, orgulhosas de sua beleza natural ou em forma de jóia, como este pingente:








Não apenas como jóias (e jóias como deleite aos olhos, apenas, e não voltadas para o prazer, como algumas de que já falamos algures neste blog) e enfeites delicados: o marketing de Yoni começa a chegar a objetos mais utilitários, como canecas e travesseiros:












Os falos estão por aí, em símbolos ou explicitamente, tanto que já nem os reconhecemos mais, ainda que enormes, ainda que agressivos, ainda que grosseiros. Agora, bem-vindas sejam as vulvas a substituí-los ou, pelo menos, a ameaçar sua soberania. Nós, homens, só temos a agradecer, pelo reconhecimento de que é belo, sim, o órgão genital feminino. E merece estar presente em nosso dia a dia tanto quanto eles, os falos.

Bem-vinda a sutileza feminina, através de Yonis, vulvas, bocetas, vaginas ou que nomes lhes chamemos.








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