sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

QUEM VÊ CARA NÃO VÊ BOCETA




Agnés Giard, de quem já publiquei, aqui mesmo, alguns artigos, trouxe em sem blog “Les 400 culs” a notícia e o comentário do lançamento de um livro curioso: “PUSSY PORTRAITS”, da fotógrafa americana Frannie Adams. Traduzo (de forma livre) o que disse a escritora francesa sobre essa obra:


Fotografias do sexo feminino em close têm sempre alguma coisa um tanto frustrante. Deseja-se ver “o outro rosto”. Agora, isso é possível através de um livro magistralmente intitulado RETRATOS DE BOCETAS: vê-se a “xaninha” das mulheres e... o sorriso que vem junto. 


Frannie Adams, americana de 27 anos, ganha a vida fotografando mulheres e, às vezes, suas bocetas em close. Ela acaba de publicar pelas edições Reuss uma galeria de retratos inéditos: de baixo e de cima. Fascinante diálogo visual entre o sexo e o rosto. A gente se surpreende a olhar as dobras e plissados dos pequenos lábios com a mesma atenção com que olhamos as bocas e a cor dos olhos... à procura de uma lógica. 



É possível adivinhar como pode ser o sexo de uma mulher vendo apenas o seu rosto? E o contrário? Frannie Adams responde: “Já faz um ano que tiro fotografias duplas e, pessoalmente, fico desconcertada quando uma mulher tira a calcinha. Cada vez é uma surpresa. É possível que algumas pessoas consigam estabelecer correspondências, ou ‘ler’ as vulvas com a mesma acuidade que alguns psicólogos leem suas expressões faciais... mas este não é o meu caso”.


As modelos que aceitaram posar para esse livro histórico são geralmente modelos “tímidas, mas orgulhosas de seus corpos”, assegura Frannie. “Algumas são até mesmo exibicionistas e adoram se deixar fotografar”. Fica evidente que efetivamente elas amam isto: pode-se ver a olho nu o sexo que aflora.

Tiradas à luz do flash, a maior parte das vulvas brilham, mucosas húmidas exsudando ligeiramente uma espécie de secreção que goteja às vezes do oco de algumas fendas. “Não há nenhum truque, assegura Frannie, nada de gel ou de lubrificantes. 



As modelos estavam excitadas. Acontece muitas vezes durante as sessões de fotos, porque – para poder tirar os closes – eu me aproximo muito. Eu sinto seu calor. Eu sinto seu odor. E elas sentem que eu sinto. Há uma verdadeira relação de proximidade”.





Frannie escolheu suas modelas apenas pelo rosto. “Era preciso que elas fossem variadas (de todas as origens), belas e autênticas. Eu queria mulheres verdadeiras, não manequins magricelas. Elas têm entre 18 e 25 anos”. De modo surpreendente, os rostos são tão variados quantos os sexos. 




Incrível diversidade de lábios e de clitóris. A gente se vê numa arca de Noé genital: cada espécie representada por uma vulva diferente. Há as discretas, aquelas que se parecem com pequenas canoas, com fendas ou com fechaduras. Há as espetaculares, que desfraldam velas ao vento como navios. 



Há as artísticas, que cultivam suas excrescências e circunvoluções como cogumelos mágicos... Se este livro devesse ter uma moral, seria: “cada boceta é única, e viva a diferença!” Frannie Adams afirma: “As mulheres são a obra mais bem acabada da natureza”. Como americana, ela sabe o quanto é difícil para uma mulher amar seu corpo ‘integralmente’: a nudez é muito mais tabu em seu país. O que faz desse livro uma verdadeira obra de saúde pública.


Na França, nós tivemos a oportunidade de ter Gerard Zwang: já em 1967, esse sexólogo liberador publica uma obra de grande repercussão, O SEXO DA MULHER (incluindo esboços precisos). Uma pequena revolução. “A obra é simplesmente a primeira a fazer uma descrição anatômica exata”. Uns vinte anos mais tarde, Gerard Zwang publica O ATLAS DO SEXO DA MULHER: mais de 150 fotografias de vulvas, acompanhadas de um texto que as descreve numa linguagem acessível.

A fisiologia desse órgão permanece tão mal conhecida... As mulheres – em sua maioria – não tomam jamais a inciativa de se olhar num espelho. O que Gérard Zwang critica sempre com bastante vigor. Em O ELOGIO DA VAGINA, publicado em 2001, ele se indigna: “Quantas vezes será necessário repetir que os órgãos genitais externos da fêmea humana foram esculpidos por cinco (ou até sete) milhões de anos de evolução humanizadora? (...) ‘A boceta (*) é a pátria do homem’. Mas ainda, e isso é uma vergonha, é o maior palavrão com o qual o macho usa e abusa para estigmatizar seus congêneres. Ó ingratidão! Ó contradição!”



Fonte: 
Agnés Giard: Les 400 culs:











(*) Em francês, “con” significa tanto a vulva quanto um xingamento, como “besta”, “idiota”, “estúpido”, “coisa sem valor”.








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