sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

ANO NOVO, DESEJOS NOVOS


Um ano novinho em folha vem aí...







...cheio de desejos novos.

FELIZ

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

FOTOS POLÊMICAS: BROOKE SHIELDS NUA AOS DEZ ANOS DE IDADE



BROOKE SHIELDS: 

ARTE OU EXPLORAÇÃO?






Exposta em lugar de destaque durante a exposição “Polêmicas, fotografias em histórias” (Biblioteca Nacional da França, em Paris, março-abril de 2009), a foto de Gary Gross representando Brooke Shields na idade de 10 anos e inteiramente nua, tem razões para chocar profundamente nossos dias, na era da pedofilia, da proteção da infância, do turismo sexual etc...




Uma volta ao passado é necessária...




Estamos em 1975 e Gay Gross, fotógrafo americano, realiza uma série de fotos de uma criança de 10 anos, a futura atriz Brooke Shields, inteiramente nua num banheiro cheio de vapores de água quente. Em suas poses lascivas, as fotos não escondem absolutamente nada da nudez da garotinha. Para Gross, esta série de fotos, muito provocante, deve ilustrar seu pensamento segundo o qual uma garotinha não se transforma em mulher de uma dia para o outro. 




Assim, as fotos não encontram nenhuma espécie de rejeição. É preciso dizer que os problemas de pedofilia ou de exploração sexual das crianças não estão “em voga” nas mídias, como hoje. Nos anos 70, a tolerância é que está na moda. Então, os trabalhos de Gross são comparáveis àqueles de Irina Ionesco ou ainda ao francês Jacques Bourboulon, sem que isso provoque alarme ou recriminação.







Em conclusão, assinalemos que três anos depois dessas fotos, onde ela aparece nua, Brooke Shields interpretará seu primeiro papel no cinema, no filme de Louis Malle, La Petite ou Pretty Baby (1978), onde ela fará o papel de uma protituta de 12 anos (curiosamente, os 3 minutos em que ela aparece nua no filme serão cortados na primeira versão, mas reintroduzidos na versão em DVD!), sem esquecer sua interpretação inesquecível no filme A Lagoa Azul (1980), quando ela aparece ainda (parcialmente) desnuda e dublada em algumas cenas de nudez total...








Então, se a liberdade de expressão, sob todas as suas formas, é sagrada em si mesma, onde termina a arte e começa a “perversão”? As crianças devem ser sistematicamente excluídas de toda forma de arte? A nudez de uma criança é ainda inocente? Deve-se, em nome da proteção da infância (no fim das contas, legítima) cobrir toda escultura ou toda pintura representando crianças nuas nos museus?






Deve-se proibir a visita das crianças aos museus onde nus estão em evidência? O debate está aberto...





Artigo publicado em A NAKED WORLD:


http://anakedworld.canalblog.com/

Tradução: Isaias Edson Sidney


Observação: Garry Gross morreu no dia 7 de dezembro de 2010, aos 73 anos, em Mahattan, EE.UU.


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

FOTOS POLÊMICAS: AS NINFETAS DE JACQUES BOURBOULON


O FOTÓGRAFO JACQUES BOURBOULON 

E SUAS NINFETAS






Jacques Bourboulon (nascido em 08 de dezembro de 1946) é um fotógrafo francês, especializado em fotografia de nus de adolescentes. Ele começou como fotógrafo de moda, mas ligou-se à fotografia de nus em meados dos anos setenta. O ápice de sua carreira foi nos anos setenta e início dos anos oitenta.







O foco das fotos de Bourboulon são imagens em luz brilhante e contrastes. Suas fotos mais típicas foram tiradas na ilha espanhola de Ibiza, jogando com a justaposição de céu azul, paredes brancas e a pele bronzeada das modelos. Também incluem detalhes fetichistas, como meias brancas ou roupas íntimas, corpos brilhantes de óleo, com modelos em poses bastante semelhantes.











O modelo mais famoso de Jacques Bourboulon foi a atriz francesa Eva Ionesco. Bourboulon também é conhecido por sempre trabalhar com uma Pentax.







Jacques Bourboulon é um fotógrafo que representa um momento em que imagens de garotas muito novas, nuas, eram muito mais aceitáveis do que hoje. Não era, pois, de forma alguma, um fotógrafo underground e suas fotos eram amplamente distribuídas em livros ou exibidas em revistas populares. 


Com as preocupações crescentes com esse tipo de fotografia, por causa da pornografia infantil e do abuso de menores, no início do século XXI, a distribuição de sua obra tornou-se restrita, ficando sua circulação apenas entre apreciadores especiais.









sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

FOTOS POLÊMICAS: A MÃE IRINA IONESCO E SUA FILHA, EVA




IRINA IONESCO E SUA FILHA, EVA



Como o assunto e as fotos são extremamente polêmicos, nem vou entrar no mérito da questão que pode assustar olhares mais conservadores – se isto pode ou não incentivar a pedofilia. A finalidade é exatamente esta: discutir os limites da arte. Então, vamos lá:



EVA SOB O OLHAR DE IRINA IONESCO: 



DOS 5 AOS 10 ANOS






As imparidades de sua trajetória se refletem num olhar apurado sobre o que de insondável há na alma feminina por uma tangente de sensualidade. Mesmo antes de sua primeira exposição, em 1975, a fotógrafa francesa Irina Ionesco já havia despertado o interesse de um grupo particular de artistas; mas seu êxito – paradoxal - e aclamação viriam de seu maior escândalo; a exposição Eloge de Ma Fille entraria na galeria Nikon de Paris e era esse mesmo olhar fetichista agora voltado para ela, Eva Ionesco... dos 5 aos 10 anos, em ensaios eróticos.




Segundo Irina, a proposta que originou a série de fotografias surgiu da própria Eva; eram sem dúvida anos muito diferentes dos nossos, de uma busca e aceitação da liberdade sexual, ou ainda, da liberdade dos corpos. Como mulher e artista, fruto de sua época, não pareceu estranho à francesa que Eva também pudesse ser alvo de fotografias simbolistas e que fosse focada exatamente como as outras mulheres, adultas, alvos das lentes de Irina.




As datas divergem - uns falam em 4 a 11 anos, outros de 5 a 10 anos de idade; ficamos aqui com a segunda possibilidade por ser a mais encontrada nas fontes – mas, sistematicamente, ano após ano, a fotógrafa utilizou sua filha como modelo em fotografias branco & preto de extremo apuro e ousadia. Ousadia até maior que a encontrada nas demais imagens obsessivas produzidas por Ionesco, muito maior. Eva aparece em nus, mas o efeito aterrador é o mesmo se ela é capturada vestida, como isso? É intrigante.





Assim a menina Eva surge como criança-mulher nos mesmos ares sombrios, ornada com dezenas de jóias ou bijuterias ordinárias, artefatos que falam deste mundo particular onde convivem delírio, morte, sensualidade e paixão. Seria quase uma entidade, um totem, um mito... Mas Eva era e é real: o choque é inevitável. Comunidade artística e opinião pública se puseram maciçamente contra Irina; a primeira – que já classificava seu trabalho como um desfile de maus gostos – considerou a coleção como o ápice dos absurdos, aquilo simplesmente não era arte. Já o público, numa oposição já esperada e recorrente, a execrou alegando uma falta explícita de moralidade.




Nada disso, logicamente, impediria Eloge de ma fille de entrar para a história da fotografia e do erotismo. Mesmo hoje, em que vivemos tempos de tão intenso tráfego de material de pedofilia, tempos que talvez nos turvem a visão para certos aspectos fascinantes do bizarro ou do cruel, as fotografias que Irina Ionesco fez de sua filha permanecem inadvertidamente cheias do mesmo conceito, da mesma busca pela natureza do ser mulher vista através dos anos que passam para Eva e a revelam tão ou mais terrível (e uso terrível no sentido de espantoso) que a Lolita de Nobokov.





Fiquem aos leitores suas próprias interpretações, choques, achaques, absolvições ou engrandecimentos à obra prima de Irina Ionesco.



Há muito mais o que ser dito, refletido e debatido sobre a obra de Ionesco – que ainda produz. Um ou dois artigos é certamente pouco, fora que limitados pelo meu conhecimento pouco frente a trabalhos tão místicos. Mas, aos que se interessam, Eloge de ma Fille é hoje também um coffee table publicado pela Alice Press, com primeira edição em 2004.






O texto é de Priscilla Santos, publicado em novembro de 2007 no site:










terça-feira, 14 de dezembro de 2010

FOTOS POLÊMICAS: A NUDEZ DE SIMONE DE BEAUVOIR



SIMONE DE BEAUVOIR NUA




Simone de Beauvoir, mentora da causa feminina, advogada do belo sexo e de sua liberdade, tornou-se famosa por seus escritos e tomadas de posição, mas também pelo viés de uma foto muito conhecida e igualmente polêmica em seu tempo e mesmo, aliás, nos dias de hoje.



Essa foto, tirada em 1952, pelo fotógrafo Art Shay, tem sido objeto de intensa polêmica, desde janeiro de 2008, quando o Nouvel Observatoire foi acusado de tê-la retocado. Para tirar a história a limpo, até mesmo o artista foi entrevistado. É o momento de saber um pouco mais sobre uma das fotos mais famosas de seu tempo...


Art Shay lembra. Foi Nelson Algren, amante de Simone de Beauvoir, que lhe pediu para providenciar um chuveiro para Madame (era assim que a chamava Algren). Uma amiga do fotógrafo cedeu amigavelmente um banheiro para o escritor. Shay esclarece: “Você deve compreender que para mim, Madame não era uma ‘instituição’ nesta época, mas a amante estrangeira de um amigo... Então, eu me encontrava ali, estagiário na Life Magazine, quando eu vi Beauvoir sair do banho e se pentear diante do espelho. Eu rapidamente tirei duas ou três fotos e ela ouviu o clique da máquina. “Você é um mau garoto”, ela me disse, sem no entanto fechar a porta nem me mandar parar de tirar as fotos”.




Art Shay conta, ainda, ter esquecido de tirar cópias das fotos de Simone de Beauvoir. Quanto a Algren, ele parecia não estar ciente da existência dessas fotos. Mas, Shay conclui sua história, dizendo que aquilo não tinha nenhuma importância, visto que ele não desejava vendê-las. No anos 50, esse tipo de foto não tinha então “nenhum valor de mercado”.




O fotógrafo joga com as palavras quando lhe dizemos que as feministas o censuram por haver “roubado” essas fotos. “No sentido estrito, sim”, reconhece sem titubear Art Shay. Mas o ícone das feministas igualmente não tirou partido de seu corpo quando foram tomadas essas fotos? 

Pelas palavras de Shay, Beauvoir não se deixou levar pela ideia de provocação? Ou mais simplesmente pela aceitação pura e simples de sua nudez de mulher livre? Recolocada em seu contexto, a história destas fotos não nos mostra (à evidência?) que as feministas se enfurecem às vezes (muitas vezes) um pouco rápido demais?...



Fontes:

Texto retirado do site: A Naked World - http://anakedworld.canalblog.com/ 






Tradução de Isaias Edson Sidney




sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

EROTISMO JOCOSO EM LIMERICKS







Limericks?



Sim, isto mesmo: limericks!



São poemas populares, de uma só estrofe, com cinco versos e rimas no esquema aabba, escritos no gênero burlesco, geralmente satírico e muitas vezes erótico.



Seu sucesso é garantido quando uma boa risada é ouvida ao final da declamação. No entanto, há Limericks de toda espécie. Via de regra, é uma estrofe isolada, mas pode ser apresentado como uma sequência, formando uma só ideia.



Na literatura britânica, foi lançado por Edward Lear em 1846, em "The Book of Nonsense" (O Livro de Bobagens), não obstante já surgissem os primeiros versos deste tipo em 1820, cuja origem é desconhecida. Acabou se tornando um estilo de poema muito apreciado. No começo do séc. XX, ficou tão popular nos países de língua inglesa, que muitas revistas e até lojas do comércio faziam concursos de Limericks. Associa-se erroneamente o Limerick com a Irlanda, porque lá existe uma cidade homônima, na província de Munser, com 60.000 habitantes.







Cabe ressaltar, no entanto, que o Limerick é, na sua origem, altamente jocoso e transgressor, até mesmo obsceno, em termos de conteúdo.

Do site “Contos e Encontros” descobrimos a história do Limerick e do blog Ponto Rouge reproduzimos os poemas abaixo, de conteúdo erótico ou safado, é claro (não há informação de autoria).





Certa moça de Moçambique
Não trepava: tinha chilique.
Até que um negrão
C'um pau de garanhão,
Curou de vez seu tremelique.







Um romano chamado Brutus
Fodia uma puta, abruptus.
Mas antes do jato,
Sofreu um infarto.
Morreu num coitus interruptus.








Sempre virgem: Aparecida
Jurou ser casta toda a vida.
Mas quando o capeta
Lhe assanha a buceta,
C'uma vela está bem servida.







El Presidente, ofegante,
tentava meter na amante,
jovem jornalista,
boa de entrevista:
"Querido, o poder é broxante?"







Uma mulher chamada Duda
Tem a chavasca tão peluda,
Que um mau fodedor,
Enroscou o picador -
Perdeu seus colhões na barbuda.



(Tradução: Luiz Roberto Guedes)






Era um rapaz desastrado,
não tinha nenhum cuidado.
Quis pintar o sete,
pintou canivete.
A moça tinha namorado.

(Tradução: Paulo Camelo)






Uma linda nativa do Nilo
Foi fodida por um crocodilo.
Ficou-se sem saber
Se ela teve prazer
Pois ele a engoliu depois daquilo.







Uma raça notável, os lapões
Eles cultivam raras diversões
Fodem o dia inteiro
Do modo costumeiro
E a noite guardam para perversões.




(Tradução: José Paulo Paes)




Fontes:

Contos e Encontros: http://msalun.sites.uol.com.br/







Ilustrações: Rowlandson, Thomas (1756-1827)





terça-feira, 7 de dezembro de 2010

UM PIRULITO SAFADINHO, PARA UMA FESTINHA SAFADA




OU: UM PIRULITINHO SAFADO, PARA UMA FESTA SAFADINHA


Esta loja virtual francesa – CHARME ET FÊTE – prima pelo bom humor na oferta de alguns produtos. Por exemplo: pode-se comprar camisinhas para pênis pequenos, com a intenção de fazer troça. Embora eu ache que, neste caso, a troça, a gozação sejam apenas desculpa de marketing, para não constranger os homens menos dotados.



Mas, não é de “p’tites bites” que vamos falar, e sim de “foufounes” (xaninhas) em forma de “deliciosos pirulitos”.


Pirulitos xaninhas ou xanas pirulitinhos.

Diz o comercial da loja: uma doçura original para as festas de fim de ano! Dez centímetros de puro prazer! (Ou seja: mais ou menos do tamanho de um picolé).
Pense bem: depois da ceia de natal ou de reveillon, todo mundo lambendo e chupando uma xaninha, sem nenhuma culpa!

Ah, sim: se houver crianças, não lhes diga, por estranho que possam achar a aparência do pirulito, que estão chupando uma xaninha: crianças pequenas costumam ter nojo dessas coisas.

Portanto, para uma festa original, uma sobremesa também original:







http://private.charme-et-fete.com/




sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

EROTISMO ANTIGO: SACANAGEM COM FINESSE




(A. não identificado)


Encontram-se histórias interessantes, por aí. Principalmente histórias eróticas, ou de sacanagem mesmo.

A de hoje remete à corte europeia do século XVI, precisamente na França. 

Douce France! 


Hèlas!


E vem contada na prosa especial de um blog português, com aquele sotaque luso e sua respectiva e peculiar ironia:


http://obelogue.blogspot.com/2009_01_01_archive.html

E a história envolve não apenas a nobreza, mas também um já nosso velho conhecido poeta – Aretino.


Aretino, como se lembram (ou, se não se lembram, procurem por ele neste blog), é figura carimbada nas artes eróticas, com seus poemas e as ilustrações que eles geraram. Mas, vamos à história, que é saborosa:





A taça que se bebe vazia






(Prince Hercule-François, Duc d'Alençon,1572 -National Gallery of Art, Washington)





Este senhor que aqui vemos chama-se Hercule François e era duque de Anjou e de Aleçon. Como podem ver, não era um exemplo nem de beleza nem de força, graças a algumas deformações que lhe vieram da varíola e devido ao cruzamento sanguíneo (fiquem sabendo que existe menor risco de deformação no fruto de uma cópula entre dois primos judeus, que ainda hoje casam entre si do que entre uma asiática e um ocidental. Ah pois é!). Logo o seu nome – Hércules - não lhe assentava muito bem. Mudou-o para François, mas nem as deformações o impediram de ser um a mistura perfeita entre a sedução dos Médicis e o poder dos Valois. Para quem viu e quem se lembra, ele era um dos pretendentes da mão de Elizabeth I, mas não foi aceite nem por ela nem pela sua corte por ser católico, pertencer a um país católico e obedecer às ordens do Papado Romano, com quem a Inglaterra Protestante de Elizabeth tinha cortado relações. François não foi uma figura muito falada na história dos governantes franceses, mas se pudéssemos perguntar às senhoras da época, por certo nos diriam que seria para sempre lembrado entre lençóis. Pelo menos se não ficou com o proveito, ficou com a fama.



(Vitrocerâmica erótica - a. desconhecido)

François tinha uma taça especial que me fartei de procurar e não encontrei. Até enviei um mail para um dos descendentes da Casa de Anjou que é casado com uma portuguesinha um pouco afectada (gente das revistas), mas não devia estar ninguém em Casa porque nunca responderam. Bom, a taça era especial porque apenas as senhoras bebiam por ela. Qualquer convidada do duque bebia por aquela taça em especial. Umas faziam-no de olhos abertos, extasiadas, outras perdidas com o riso e já sabendo o que as esperava, fechavam-nos, mas de pouco lhes valia pois a memória do interior da taça era escandalosamente inesquecível. A taça era cinzelada no interior e as cenas retratavam as posições sexuais descritas por Arentino e ilustradas por Giulio Romano que circulavam como pornografia entre os meios sociais mais elevados. Enquanto dava de beber às suas convidadas, o duque ia rodando o cálice e as senhoras podiam admirar no seu interior as sugestivas imagens. Era proibido servir de beber em outro recipiente e quem se negasse a beber pela dita taça corria o risco de passar a noite sem beber nada porque o duque era muito ciente destas coisas das taças e das ilustrações e das posições sexuais. Ao fundo, os homens zombavam das que bebiam com os olhos abertos e das que bebiam com os olhos fechados: umas gulosas e outras fazendo-se esquisitas.





Nota: as figuras originais que ilustravam os poemas de Pietro Aretino desapareceram. Esta é uma das que foram reconstituídas e, que, provavelmente fazia as delícias das damas que bebiam da taça do senhor Hercule-François:






terça-feira, 30 de novembro de 2010

POEMA ERÓTICO

VIDA


(Michael Zichy)






Sopro de leve os pelos
de teu púbis
e abro teus segredos.
Os lábios retêm teu grelo
e tu gemes baixinho.
De novo o sopro, de novo teus pelos
se arrepiam na breve aragem:
é só a vida gozando em minha boca.




(Isaias Edson Sidney)




sexta-feira, 26 de novembro de 2010

BREVE HISTÓRIA DE UM QUADRO POLÊMICO




(Gustave Courbet - a origem do mundo)


De acordo com a História, esse quadro, pintado por Gustave Courbet em 1866, provocou uma gritaria geral. Courbet, nascido em Ornans em 31 de dezembro de 1819, cria rapidamente uma sólida reputação demoníaca: ele bebe muito, fala outro tanto com aquela espécie de franqueza com que se ganham tanto amigos quanto inimigos em poucos segundos, exageradamente vaidoso tanto quanto engajado em política (ele foi ligado à Comuna de Paris em 1871 e defende os ideais republicanos e socialistas em oposição a Napoleão III). É necessário “ler” Courbet para perceber que esse espírito belicoso e vaidoso faz aparecer uma pessoa mais sutil e mais fina.


(Gustave Courbet)


Muito ligado à sua região, Courbet a pintou por muitas vezes em cenas de vida surpreendentemente rudes que constituem, ao cabo, sua delicadeza.



O “pintor” Courbet aparece também na imagem do Courbet “comum”: sem laços, livre, subversivo, não tendo mestre assim como não terá discípulo. E essas telas darão o que falar dele no sentido próprio e figurado. Entre elas, justamente A Origem do Mundo.



(Gustave Courbet)


O quadro foi pintado em 1866. Representa as coxas abertas mostrando um púbis peludo, com lábios inchados que, ligados à visão de um seio túrgido, permite imaginar que uma relação sexual acabou de acontecer. Estaríamos, então, logo após o orgasmo.



Vamos agora à breve história. O quadro foi encomendado por Khalil-Bey, um diplomata turco estabelecido em Paris, e proprietário de numerosos quadros com conotação erótica, como o Banho Turco de Dominique Ingres, ou O Sono, outro quadro de Courbet.




(Ingres – o banho turco)



Courbet pintou quatro quadros durante o ano de 1866 recorrendo ao mesmo modelo feminino: Joanna Hiffernan, apelidada de Jô. Essa Joana Hiffernan vai desencadear uma tempestade não só no mundo das artes, mas também na vida doméstica de Courbet. Com efeito, Joanna era então amante do pintor James Whistler. Este conhece muito bem Courbet, mas as representação do sexo de Joanna, aliado à relação extra-conjugal entre a modelo e o pintor francês, provoca uma séria disputa entre os dois artistas e a separação entre os dois amantes. Whistler volta para os Estados Unidos, deixando, contudo, um testamento em favor de Joanna.


(James Whistler – simphony in white nº 1: the white girl, tendo Joanna Hiffernan como modelo)


Em sua apresentação, o quadro desencadeia paixões. A crítica conservadora acusa Coubert de pintor sujo, de cultivar a torpeza, de achincalhar a tradição. Com efeito, estávamos longe, muito longe mesmo, das representações de nus até então realizados, às vezes eróticos na intenção, mas com os atributos geralmente ocultos pela presença oportuna de uma coxa ou de um mão passando por ali... Os detalhes pintados (seios túrgidos, o rosa do interior dos lábios, púbis entreaberto pelo afastamento das coxas) introduzem a obra no realismo mais completo, que não tinha ido tão longe até então! Não é somente toda uma moral de época que é colocada em cheque, mas também os cânones da pintura narrativa... Quanto à Courbet, surdo aos protestos provocados, declara: “a pintura é uma arte essencialmente concreta e não pode consistir em representar senão as coisas reais e existentes” .



(Pierre Bonnard – Model in Backlight)



Courbet se une então a artistas como Lautrec, Manet, Degas ou ainda Bonnard, para que a vida parisiense do dia a dia seja fonte de obras. Bem longe das obras mitológicas ou bíblicas, representa-se a intimidade das pessoas, entra-se no “micro” com tudo aquilo que ele tem de desconcertante: depois disso, o sexo da mulher poderia ser o seu (se o leitor é uma leitora), ou o de sua irmã, de sua mãe. Ele é ao mesmo tempo pessoal e de todo mundo: pode-se vê-lo tal como é, descoberto, nu, aberto, oferecendo-se à vista de todos. Há qualquer coisa de atrativo e de insuportável, há muito de voyeurismo e um tantinho de repugnância.

(Gustave Courbet)


Uma análise proposta por Bertrand Naivin (www.art11.com, 27 de janeiro de 2007) defende sobretudo a ideia da ligação da visão desse sexo ao lado animal do homem: A nudez segundo Courbet não tem mais a leveza diáfana da alegoria ou do mito, mas ao contrário o peso da terra, da carne, dos corpos. Também essa obra assinala uma reviravolta na história do nu artístico. Desde as primeiras representações primitivas de seios e falos hiperbólicos, tornando-se obra de arte, elas foram sempre recobertas pelo véu do símbolo. Imagem da fertilidade, alegoria de todas as virtudes, representação do Belo ideal antigo, a nudez nunca deixou de ser vestida de conceitos.





(Gustave Courbet)

Por isso, quando o pintor francês vende seu quadro a Khalil-Bey, um diplomata turco, nós compreendemos que ele não poderá ser visto senão sob um lençol. Com efeito, como não ficar chocado pela vista desse sexo tão presente e, sobretudo, tão animal. Porque é exatamente isso que está em jogo. Courbet dá as costas, com esse corpo sem rosto, com esse sexo verdadeiro, a todo um pensamento ocidental que desde Antiguidade grega até o Século das Luzes via na humanidade a história de uma separação total de nossas origens animais. O homem seria um ser ilhado, único, voltado à perfeição. O artista realista, quanto a ele, nos obriga a assumir nossa animalidade ao aceitar esse pelos que Ingres se teria apressado em banir. O corpo se oferece, então, em toda a sua brutalidade ao observador impressionado por tanta materialidade. Assim como a fotografia, a realidade começa a bater à porta da arte. Coincidência?...





(Gustave Courbet - la belle irlandese – portrait of Jo)


A tela, ainda em nossos dias, continua a inflamar os espíritos: a tese oficial acredita que a representação pubiana seria a de Joanna Hiffernan, apesar da diferença de cor entre os pelos do púbis do quadro e os cabelos representado no quadro A Bela Irlandese. Apesar de tudo, Courbet pode ter querido “maquiar” o púbis demoníaco para não “ligá-lo” a sua proprietária? Outros sustentam que Courbet teria pintado esse púbis a partir de uma fotografia e que eles não seriam o de Joanna Hiffernan...



(Autor não identificado: pintura claramente inspirada na origem do mundo)



Fonte: A Naked World