sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O DIÁRIO DE ANNE FRANK






Quem não se comoveu com o drama da menina presa no sótão, com a família, para fugir (inutilmente) da sanha nazista? O DIÁRIO DE ANNE FRANK foi publicado em 1947. Diz Catherine Blackledge que “muitas passagens foram omitidas, entre as quais várias sobre a sexualidade e os genitais da Anne”. Só foi publicado integralmente no final do século passado, depois da morte do pai. Transcrevo, do livro “A HISTÓRIA DA V.”(p.60), um trecho censurado, escrito quando Anne tinha 15 anos:




Sexta-feira, 24 de março de 1944



Querida Kitty,

... Gostaria de perguntar a Peter se ele sabe como as garotas são lá embaixo. Acho que os rapazes sejam tão complicados quanto as garotas. Você pode ver facilmente como os rapazes são em fotografias ou pinturas de nus masculinos, mas com as mulheres, é diferente. Nas mulheres, os genitais, ou como quer que sejam chamados, estão escondidos entre as pernas. É provável que Peter nunca tenha visto uma garota bem de perto. Para falar a verdade, nem eu. Os rapazes são muito mais fáceis. Como seria possível descrever as partes de uma garota? O que posso dixer, a partir do que ele me ele me disse, que ele não sabe muito bem como as diferentes partes se encaixam. Ele estava falando do Muttermund (útero), mas isso fica lá dentro, não dá para ver. Tudo é bem encaixadinho em nós, mulheres. Antes dos 11 ou 12 anos, eu não havia percebido que havia um segundo par de lábios, mais para dentro, porque não dava para ver. O mais engraçado é que pensava que a urina saía pelo clitóris. Uma vez eu perguntei a minha mãe o que era aquele botãozinho e ela disse que não sabia. Ela sabe se fazer de besta, quando ela quer!




(Apollonia Saintclair)


Mas, de volta ao tema. Como é possível explicar como a coisa é sem modelos? Posso tentar, mesmo assim? Então, lá vou eu.



Se você ficar em pé, tudo o que se vê, de frente, são os pelos. Entre suas pernas há duas coisinhas macias e estufadinhas, também cobertas de pelos, que se comprimem quando você fica em pé, de forma que você não consegue ver o que há lá dentro. Quando você se senta, elas se separam, e são muito vermelhas e carnosas do lado de dentro. Na parte de cima, entre os grandes lábios, há uma prega de pele que, pensando bem, parece uma espécie de bolha. Isso é o clitóris. Aí, vêm os pequenos lábios, que também ficam grudados numa espécie de fenda. Se você os abrir, poderá ver um morrinho bem carnoso, do tamanho da ponta do meu polegar. A parte de cima tem um par de buracos, e é por onde sai a urina. A parte de baixo parece que é só pele, e é aí que fica a vagina. Mal dá para achá-la, porque há umas pregas de pele que escondem a abertura. O buraco é tão pequeno que mal consigo imaginar como é que um homem pode entrar ali, e muito menos como é que um bebê pode sair dali. É difícil até para tentar enfiar o dedo indicador. Isso é tudo, e, no entanto, tem um papel tão importante!

(Apollonia Saintclair)

Sua, Anne M. Frank.







E então, marmanjos e marmanjas, que tal a descrição dessa maravilha que é órgão genital feminino nas palavras de uma menina de 15 anos, uma sábia menina de 15 anos?




Talvez, agora, muitos e muitas de nós passemos a olhar com um pouco mais de paixão, e não só tesão, o que as mulheres trazem no meio das pernas. A natureza deu à mulher um órgão extraordinário, que dá o gozo e dá a vida, por sua extrema capacidade de proporcionar prazer e adaptar-se, alargar-se e deixar que saia mais uma vida humana.



Não foi à toa que li sofregamente o livro da Catherine: uma lição de compreensão da mulher!









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