quarta-feira, 21 de outubro de 2009

TRAIÇÃO: VENENO OU ELIXIR?




(Graça Martins)


Li algures e conto para vocês que, em tribos da África, maridos traídos se vingam envenenando os próprios pênis. Preparam o veneno e o antídoto. Tomam o antídoto e depois lambuzam o pênis com o veneno. Transam com suas mulheres (os mais bonzinhos dão antídotos para as esposas também), e quando o Ricardão chega para se divertir, é acometido por uma dor alucinante, parecida com queimadura, que o deixa gravemente doente. As tribos Ngoni e Zulu usam uma poção que não causa a morte, mas a impotência.


(Graça Martins)

Fiquei pensando, então, sobre a traição. Será um veneno ou um elixir para o relacionamento amoroso?


(A. não identificado)

Se há mágoas, sofrimento e até morte, quando há traição, há também sublimação, literatura, arte. E há os que gostam – por que não? - de ser traídos. De ver o parceiro ou parceira nos braços de “um outro qualquer”. Haja vista a quantidade de casais que praticam o swing. Mas, tudo isso é conversa fiada, para falar um pouquinho de música.


(Igor Amelkovich)

Porque dor de corno dá música. E, muita música. Como existem canções que falam de traição, na MPB, não? Talvez a dor de corno seja a maior musa de nossos compositores. E dentre eles, um que soube como ninguém falar de amores perdidos e traídos é, sem dúvida, Lupicínio Rodrigues.




(Jaeda Dewalt)
Vejam os versos desta canção – Nervos de Aço – como um exemplo acabado de dor de corno. E, depois do último verso, pensem na vingança dos africanos:






“Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar este amor, meu senhor
Nos braços de um outro qualquer



Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço
Que nem um pedaço do seu pode ser



Há pessoas com nervos de aço
Sem sangue nas veias e sem coração
Mas não sei se passando o que passo
Talvez não lhe venha qualquer reação



Eu não sei se o que trago no peito
É ciúme, despeito, amizade ou horror
Eu só sei é que quando eu a vejo
Me dá um desejo de morte ou de dor”



Pois, é: hoje estou mais para "romantismo" do que para sexo. Acontece.



(Rowlandson)





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