sexta-feira, 31 de julho de 2009

A LÍNGUA, AH! A LÍNGUA






Adverte-me, por e-mail, uma amiga: “como mulher, tenho propriedade pra dizer que a língua é o órgão mais erógeno que há. Tanto a que bem fala e sabe o que diz, quanto a que se movimenta bebendo o que há de bom no corpo!”



Sem dúvida, penso, quanto somos os homens deseducados para o sexo! Crescemos na idiotice da macheza a qualquer preço, no pensamento de que o coito é só penetração, gozo e sono. Quanto tempo perdido para as sutilezas que, sim, a língua pode nos dar!


E sutilezas que começam não exatamente na cama, mas na conversa gostosa, no entendimento da pareceria, na busca do que gosta o outro, com palavras que penetram como chuvas de verão pelos ouvidos e vão umedecendo pouco a pouco a terra, derretendo-a por dentro, para liberar, enfim, a libido.






E, depois, no beijo. No contato com a pele, dentro da orelha, no pescoço, no corpo todo, até o ponto culminante do encontro entre a saliva e os líquenes do orgasmo.



A língua, sim, a língua tem kamasutras próprios, associados ao cheiro, ao sabor, à pele com pele, a espasmos inauditos. Não apenas coadjuva o ato, mas pode até mesmo substituí-lo em momentos oportunos, como prova não só de amor, mas de profundo envolvimento com o ato de descobrir a libido de quem compartilha conosco o seu corpo e a sua emoção.




Por isso, acho, tanta acolhida aos meus poemetos da série EROSKAI.

E que aprendamos todos a compartilhar esse órgão magnífico em sua carga erógena, para falar tanto palavras de agradável teor erótico quanto para incendiar o “prazer da minha carne, agora percebendo a sua”, quando “gozo, gozo muito na língua”, nas palavras da amiga do “Escrevendo na pele” – na pele nua, de quebrada lua em momentos de prazer.






sexta-feira, 10 de julho de 2009

EROSKAI - POESIA ERÓTICA EM QUASE HAIKAIS




EROSKAI

QUASE HAIKAIS

ERÓTICOS

 E 

PORNOGRÁFICOS






Tenho escrito alguma poesia de cunho erótico. Tímida, às vezes; contundente, outras. Não sei se boa ou ruim, mas minha, muito minha. Então, aí vai uma série de poemas em forma de hai-kais, a que denominei EROSKAI. Saboreie em conta-gotas, para degustação demorada e com a aquela pimentinha ardida que faz com que o paladar se acostume aos poucos e, aos poucos, queira cada vez mais. O tema desses versos é um só: a cunilíngua (uma das palavras mais feias da nossa querida última flor do Lácio), uma homenagem à mulher ou, mais precisamente, àquilo que a mulher tem de mais belo e mais atraente, apesar de todas as outras qualidades que ela possa ter. As ilustrações são de Harukawa:



1.



Dedo afasta  calcinha
preta.
Alcança a  língua tua
boceta.


2.





A língua cobra
  dobra
 por dobra
se desdobra.


3.





Clitóris duro
na língua preso:
só ele goza.
Teso.


4.






Do fundo
vem
 o doce sumo.
 Sumo bem.


5.





Ó vaginíssima:
beber
teu sumo,  depois
morrer!

  
6.





O nariz,
matreiro,
sente o gosto do teu
cheiro.


7.





Lábio com
lábio:
fico mais
sábio.


8.





Penetra a língua mais
fundo:
encontro, enfim, o teu
mundo.


9.





Gemes e morres em gozo
louco:
a língua expande. E acha
pouco.


10.





Na greta, o grelo; na fenda,
a gruta.
Da língua escorre o gosto
da fruta.

  
11.





Ó dulcíssimo vaso
vaginal:
planto em ti meu gozo
paradoxal.


12.





Abre-te, boceta, à língua,
ao dedo:
revela, ao toque, o teu
segredo!


13.





Enquanto a língua a tua gruta
explora:
embaixo, troncho, o pênis
chora.


14.




Fendida em vales pela língua
 molhada,
rompe a vulva a lagoa
represada.


15.




Quando o gozo
 vem,
bebo o sumo que tua greta
tem.



16.





Não te nega a língua, se pêlos
tens.
Mas lambe-te louca se lisa
vens.


17.





Carinhosa, a língua molhadinha
te chama.
Única fenda que na água
se inflama.


18.





Racha, greta, gruta: o teu
nome?
À língua importa que te
come.


19.





Boceta ou caixa
de pandora:
quem te chupa
te adora.


20.





Goza, enfim, goza. Afoga,
na boca,
a língua que te chupa
louca.



(Isaias Edson Sidney)