terça-feira, 16 de junho de 2009

A POESIA, SEMPRE A POESIA: ERÓTICA, CLARO




(André Lambert)

O reino da poesia, principalmente a lírica, há espaço para todas as viagens, para todas as sacanagens. Nas minhas pesquisas, observo, no entanto (e acho até que esteja sendo redundante), que poucos, muito poucos, dos grandes poetas fizeram poesia erótica de qualidade. Acho que há nos poetas consagrados, aqueles que têm nome e lugar cativo nas antologias escolares, sempre um certo receio de cair no chamado mau gosto, quando, na verdade, se há profundidade, se há criatividade e, principalmente, se há verdade no que se escreve, não pode haver mau gosto. Além do fato de que esse conceito, o do mau gosto, é extremamente subjetivo. O que agrada a uns pode desagradar a outros. 


(Egito antigo - dançarinas)

E também os valores estéticos mudam com o tempo, com o lugar, com o tipo de sociedade em que vivemos (e de novo acho que estou sendo repetitivo, mas não importa, como diz um velho ditado ou seja o que for francês: “se eu te digo sempre a mesma coisa, é porque é sempre a mesma coisa; se não fosse sempre a mesma coisa, eu não te diria sempre a mesma coisa”). Então, vamos ao que interessa: poesia erótica de boa qualidade.

De Alice Ruiz, poeta de expressão, de linguagem forte e criativa, achei esta pérola, em forma de hai-kai (embora não seja hai-kai, segundo o conceito da própria escritora – um tema que abordarei em outro momento):









Há, também, armadilhas. Recebi, há pouco, de uma amiga, um poema interessante, atribuído a Mário Quintana. O gaúcho tem um estilo muito próprio e delicado, para tê-lo escrito. Foge, completamente, às suas características. (Por exemplo: quando lemos a poesia erótica de Drummond, não podemos negar que ali está o poeta, o seu modo característico de escrever, de poetar, embora sejam versos que fujam completamente à temática conhecida do grande autor – isso é estilo, a que ninguém consegue fugir, ou seja, é quase impossível copiar o estilo de alguém, a não ser de forma meio canhestra ou paródica). No entanto, em 99% dos sites de poesia da Internet, encontramos o tal poema atribuído a Mário Quintana.

Então, com você, meu leitor, um poema erótico (de autor desconhecido), que NÃO É DE MÁRIO QUINTANA:



A CRIAÇÃO DA XOXOTA






Sete bons homens de fino saber
Criaram a xoxota, como pode se ver:

Chegando na frente, veio um açougueiro.
Com faca afiada deu talho certeiro

Um bom marceneiro, com dedicação.
Fez furo no centro com malho e formão

Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno.
Forrou com veludo o lado interno

Um bom caçador, chegando na hora.
Forrou com raposa, a parte de fora.

Em quinto chegou, sagaz pescador.
Esfregando um peixe, deu-lhe o odor.

Em sexto, o bom padre da igreja daqui.
Benzeu-a dizendo: 'É só pra xixi!'.

Por fim o marujo, zarolho e perneta.
Chupou-a, fodeu-a e chamou-a... Buceta!