segunda-feira, 30 de março de 2009

PEDOFILIA (NOTA DE ESCLARECIMENTO E REPÚDIO)




Não considero a pedofilia prática sexual, como a zoofilia, que pode ser discutida em termos éticos, mas não chega a se constituir crime. Pedofilia é crime. E hediondo. Portanto, sujeito ao mais absoluto repúdio.

O problema, como tudo o que se relaciona ao ser humano, é que há nuances. Zonas cinzentas que escapam ao julgamento moral.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, define-se pedofilia como a "preferência sexual por crianças, quer se trate de meninos, meninas ou de crianças de um ou do outro sexo, geralmente pré-púberes ou não".

Também se estabelecem critérios, como compulsão e ser o abusador maior de 16 anos e haver diferença de, pelo menos, cinco anos entre ele e a vítima.

Mesmo que legislações rigorosas e conservadoras considerem presunção de estupro a relação entre adulto (maior de 18 anos) e menor de 14, eu acredito que possam existir exceções, caso contrário não teria escrito LUA QUEBRADA.

Exemplifico com um caso real, de conhecimento público: uma professora dos Estados Unidos teve um relacionamento (e filhos) com um aluno menor. Foi condenada à prisão, como pedófila.

Aqui, na minha modesta opinião, não se trata exatamente de pedofilia, porque não há compulsão, ou seja, não há o desejo sexual de uma parte (no caso, a professora) orientado apenas para crianças ou pré-adolescentes, mas uma relação baseada em sentimentos que costumamos chamar de amor. A condenação, pela sociedade, deveu-se muito mais à intolerância, à incompreensão da mente e da libido humanas.

Assim como há crianças precoces em termos de inteligência, pode haver, também, crianças precoces em termos sentimentais. O amadurecimento dos envolvidos, num caso como o da professora estadunidense e seu jovem aluno, deveria se levado em conta. Para não causar ainda mais sofrimentos.

Minha personagem de LUA QUEBRADA enquadra-se nesse caso. Mas, aí, você tem que ler o livro, para julgar e condenar, se for capaz.






sábado, 21 de março de 2009

PARAFILIAS E FETICHISMOS: AINDA A ZOOFILIA





(Javier Gil)




Não me conformei, claro, com uma visão superficial desse aspecto perturbador da sexualidade humana. Fui atrás, pesquisei, li muita coisa estranha. E quanto mais me aprofundei no tema, menos o compreendi. Fica, aqui, a minha estupefação.



(Katharina Kranichfeld)

Já é meio folclórico o fato de homens terem sexo com animais em fazendas, sítios e interiores (ou, talvez, até mesmo em cidades), durante uma fase da vida. Ou durante mais tempo, por motivos que nem nossa imaginação consegue alcançar.



                                                                                                                         (Katharina Kranichfeld)



Edward Albee, o genial dramaturgo americano, escreveu uma peça em que o triângulo amoroso envolve uma cabra. Ganhou, no Brasil, direção de Jô Soares, com o título de “A Cabra ou Quem é Sylvia?” Fez sucesso na Broadway e tem feito sucesso por aqui. Por quê?

Não sei. Só sei que a zoofilia ao mesmo tempo repugna e atrai.




  
(Katharina Kranichfeld)


Encontrei, por exemplo, sites na rede que descrevem minuciosamente como fazer sexo com cães, aparentemente os preferidos, principalmente das mulheres. Não há nenhum julgamento moral ou objeção de cunho religioso, filosófico ou doutrinal em nenhuma dessas descrições, mesmo para os que comentam os longos artigos “técnicos”. Claro, quem procura esse tipo de coisa parece achar normal que uma mulher tenha relações sexuais com seu cão ou com outros animais, como cavalos.




(Katharina Kranichfeld)


Já falei anteriormente sobre ética: parece-me que a subjugação sexual de uma raça por outra (do homem sobre o animal) deveria constituir um problema, mas os defensores da zoofilia falam abertamente em que o animal (no caso, o cão que, como disse, parece ser o preferido, por sua proximidade e docilidade) precisa ser levado ao ato, como se o animal desse o seu consentimento. Algo muito duvidoso: como saber que um animal “consente”, se o bicho é treinado, condicionado a fazer aquilo que o dono manda?



(Katharina Kranichfeld)


Se ética é algo meio nebuloso, complexo, sujeito a digressões e interpretações de ordem social, temporal ou cultural, há, porém, um lado objetivo, sem meios tons, o aspecto científico relacionado à saúde. O contato, principalmente íntimo, entre animais e seres humanos leva à troca de bactérias e de doenças entre as raças, tanto podendo o ser humano contaminar o animal como o animal contaminar o ser humano.




(Katharina Kranichfeld)


E aí, não há como defender que não há nenhum risco. Isso é inerente à natureza. Temos fisiologias e defesas orgânicas diferentes. O simples fato de que não pode ocorrer concepção entre raças tão distintas já nos deveria dar uma pista de que não é muito natural o contato sexual entre elas. Mesmo entre os animais, é extremamente raro o acasalamento entre espécies distintas. Só o homem rompe, de forma consciente, tais barreiras. E arrisca sua saúde, em troca de um prazer difícil de entender, para quem nunca o experimentou.




(Katharina Kranichfeld)



Não, não vou sair por aqui a atirar pedras e condenar moralmente o ato sexual entre seres humanos e animais. Mas não posso deixar de manifestar o meu extremo estranhamento com isso. Principalmente sob o aspecto sanitário e os riscos que tal prática envolve para a saúde de ambos.


segunda-feira, 16 de março de 2009

PARAFILIAS E FETICHISMOS: ZOOFILIA









Quais os limites da sexualidade?

Costumo dizer, de acordo com minhas crenças ateístas, que o homem não é o anjo decaído que nos querem fazer crer os deístas, mas um animal evoluído, segundo as concepções do evolucionismo.

Assim, guardamos ainda em nossa carga genética muito do bicho que fomos. As taras humanas são incontáveis, por conta dessa nossa herança.

O verniz civilizatório que adquirimos lentamente em busca de uma vida mais harmoniosa e mais, digamos, “humana”, desaparece em atos de vandalismo, pedofilia, estupro, zoofilia e tantos mais.

Essa madrugada, fiquei assistindo, num dos canais pagos, a um filme perturbador, por justamente tocar num assunto meio tabu: a zoofilia.

O enredo é simples: uma mulher aí de seus quase trinta anos confessa ao namorado, num momento de extrema honestidade, que um dia fez sexo oral no seu cachorro. A revelação azeda, é claro, a sua relação com o noivo e faz que ela não mais fale sempre a verdade a seus novos parceiros.

A confissão é constrangedora. A situação toda é complexa. E eu fiquei me perguntando se, nesse caso, podemos considerar que o cão foi vítima de assédio sexual e se é ético um ser humano, dito racional, abusar de um animal, um ser não racional.

Considerar o ato apenas como nojento e condenável me parece ficar numa posição moralista que nos impede de nos ver a nós mesmos como o tal animal mais ou menos evoluído a que aludi acima.

De qualquer modo, atos considerados selvagens expõem a fragilidade desse nosso verniz civilizacional e colocam para o homo sapiens a discussão de quais são os seus limites, na cama e na vida.