quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

POESIA ERÓTICA, SEMPRE ELA...





Poesia erótica: sempre ela a provocar controvérsias. Há a poesia antiga, aquela dos gregos, de Safo, por exemplo, ao mesmo tempo intelectual e safada, sem pejo, sem medo. Há a poesia erótica de grandes nomes, de medalhões da literatura (que nem é preciso citar), que fazem uma poesia erótica inibida, intelectual demais, metida a besta, embora bela, pela classe, pela escolha das palavras, pela filosofia nela embutida. Poesia que as pessoas ditas de bem definem como de bom gosto (seja lá o que isso seja). 




Mas há também a poesia escrachada, de cujos exemplos temos publicado aqui, neste blog, aquela poesia sem eira nem beira, que não teme o chamado palavrão, que se compromete com o tema até à raiz do cabelo ou de outras coisas... se é que me entendem. Gosto de todas. Assim como gosto, também, da poesia que emana de palavras simples, de frases sem frescura, do dizer claro e simples, quase prosaico. Aí vai um exemplo, de Leila Miccolis, com ilustrações de Frans de Geetere:




Confissão





Dizem que o amor é cego,
não nego,
por isso te abro os olhos:
não tenho bens nem alqueires,
eu não sou flor que se cheire,
nem tão boa cozinheira,
(bem capaz que ainda me piches
por só comer sanduíches),
minha poesia é fuleira,
tenho idéias de jerico,
um cio meio impudico
como as cadelas e as gatas,
às vezes me torno chata
por me opor ao que contemplo,
sei que sou péssimo exemplo,
por pouca coisa me grilo,
talvez por mim percas quilos,
eu não sei se valho a pena,
iguais a mim, há centenas,
desejo te ser sincera.
Mas no fundo o amor espera
que grudes qual carrapicho:
são tão grandes meu rabicho
e minha paixão por ti,
que não estão no gibi...
Ao te ver, viro pamonha,
sem ação, e sem vergonha
o meu ser inteiro goza.
Por isso, pra encurtar prosa,
do teu corpo, cada poro
eu adoro adoro adoro...







Nenhum comentário: