quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

PIETRO ARETINO, 1492 - 1556



(Paul Avril - sonetos luxuriosos)



Um grande chantagista, o Aretino. Vivia num palácio, em Veneza, cercado de prostitutas, e sua profissão era falar mal da vida alheia. Quem não queria ser alvo de sua língua ferina, pagava. E pagava bem, a crer na vida luxuosa em que vivia. Mas, sua fama chegou até nós por causa de sua obra obscena, sem meias palavras. Principalmente os Sonetos Luxuriosos. São pouco mais de vinte sonetos estranhos (têm mais de 14 versos!). A linguagem é nua e crua e, diz ele, foi inspirada pelos quadros eróticos de um pintor chamado Giulio Romano. Aqui vai um desses poemas, com a mesma temática de nosso Bernardo Guimarães. A tradução de José Paulo Paes:





(Adeline Rognon)



Este caralho é mais do que um tesouro!
É o bem que pode me fazer feliz!
Este sim é que é bem de Imperatriz!
Vale esta gema mais que um poço de ouro!

Acode-me, caralho, que eu estouro!
Vê se encontras o fundo da matriz;
Um caralho pequeno se desdiz
Quando na cona quer guardar decoro.

Estás dizendo a verdade, ó mulher;
Quem caralho pequeno em cona enfia
Merece, de água fresca, um bom clister.

Esses devem foder cu, noite e dia.
Já quem o tem, como eu, brutal, feroz,
Somente na boceta se sacia.

Sim, é verdade. Mas
O caralho nos dá tanta alegria
Que nossa gula o quer na frente e atrás.



(Paul Avril - sonetos luxuriosos)




2 comentários:

luzdeluma disse...

Esse poema é fruto do meio em que vivia. Há quem goste!

Anônimo disse...

Com a licença poética da palavra: - Porra! Se em 1492 havia esse tipo de literatura (sem críticas),a pornografía já é coisa antiga. Mas como pudi deixar te pensar que a volupia sexual do homem existe desde que o mundo é mundo? E graças a Deus, está ai Pietro Aretino para nos provar.