sábado, 22 de novembro de 2008

POESIA ERÓTICA 3 - ANA C. POZZA






Ana C. Pozza. Tem muitos poemas na internet. Nenhuma biografia até agora. Gosto do seu jeito, às vezes escrachado e irreverente. Sensual sempre. Dessa poeta, pesquei o poema abaixo que ilustro com vários desenhistas bem safados, ou não:




Tirando a roupa

Ana C. Pozza


(Susanne Meunier)



Gosto de tirar a roupa
E sentir o teu caralho duro
Enchendo de prazer a minha boca
Deixando-me louca de tesão
Enquanto vou sendo beijada com sofreguidão...



(A. desconhecido)

Gosto de tirar a roupa
Virar-me de costas
E oferecer-me por inteiro
Pedindo sorrateira
A tua entrada no meu traseiro.



(George Grosz)




Gosto de tirar a roupa

E me sentir lambuzada
Inteiramente desejada
Pronta para comer
E ser comida...



(Alfred Jarry)




Gosto de tirar a roupa
Abrir as minhas pernas
E ficar te sacaneando
Oferecendo a minha vagina quente
Cheia de vontade de ficar molhada.



(Paul Émile Bécat)

Gosto de tirar a roupa
E me sentir uma puta
Pronta para ser abusada
Penetrada, amada
Tonta de tesão e dor.




(Paul Avril)


Gosto de tirar a roupa
E sentir as tuas mãos me envolvendo
O teu dedo no meu cuzinho
A tua língua na minha pombinha
E a minha boca no teu pau



(Fameni Leporini)


Gosto de tirar a roupa
E de gritar como uma maluca
Com o prazer doidivanas
Que tu provocas no meu corpo
Quando entra em mim ereto.



(Peter Fendi)

Gosto de tirar a roupa
E ser obscena
Ser a tua pequena
Ser a tua tarada
Sempre pronta para tirar a roupa...



(Achille Deveria)


quarta-feira, 19 de novembro de 2008

POESIA ERÓTICA 2




O que cai na rede é peixe. Refiro-me, claro, à rede mundial de computadores, à Internet. O lixão da cultura humana. Onde há pérolas e porcos. Lama e ouro. Do site de Celso Jupiassu, encontrei essa pérola:



(A. não identificado)



Augusto Anacleto Farias de Carvalho, poeta velho, pobre, gago e feio, passou à memória do seu tempo com a alcunha de Faria. Isto mesmo. Farias sem s . Faria do verbo fazer, no condicional. Era um sonhador que só vivia de planos. Tinha todas as idéias do mundo e nenhuma concretude. Jamais realizou nada do que idealizou apesar de viver permanentemente imaginando realizá-las. Todos os dias falava de um projeto que estava quase pronto e acabado. Um conto , um poema, um livro , uma mulher para comer. No dia seguinte, já não falava do que ia fazer e novamente vinha com outra história do que faria. Por isso, Faria era seu apelido.




(A. não identificado)


Farias de Carvalho não era, necessariamente, um mentiroso. Para confirmar Mario Quintana, as mentiras, para ele, eram verdades que se esqueceram de acontecer. De concreto na vida, era padre e professor de latim do Ginásio Estadual do Amazonas. Só para contrariar a alcunha, fez um único soneto. Primor de métrica, rima e irreverência. Como Farias era Faria e não deixou nada publicado, apropriei-me do soneto e espalho que é meu. Faço sucesso, mas por pudor adoto, quando poeta, o pseudônimo de Farias de Carvalho.


(Ronald de Carvalho)



FODER


Farias de Carvalho



(Agostino Carracci)



Foder , foder em pé , foder deitado
Foder no céu , no mar , foder na esquina
Foder sobre a esmeralda do gramado
Ou sobre a tábua dura da sentina.

Foder de quatro pés , acocorado
Dentro dos templos ou pelas campinas,
Foder no torno, velhas ou meninas,
Gozar fodendo de colhões puxado.

Foder, foder com o olhar, foder com pica.
Foder com a língua rubra que se estica
Ao contato de púbis distendido.

Foder, foder que a vida é tão somente,
Um fodalhaço dado , diariamente ,
E quem não fode , irmão , está fodido.



(A. não identificado)


http://www.umacoisaeoutra.com.br/index.htm

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

POESIA ERÓTICA - 1



Há uma estranha maldição, quando se trata de poesia erótica: tenho observado que grandes poetas raramente escrevem boa poesia quando se trata de temas, digamos, mais fortes ou de teor mais erotizado.

No Brasil, creio haver uma exceção: um grande poeta e uma poesia erótica sem pejo e de grande qualidade. Estamos falando de CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, em O AMOR NATURAL, de que deixo, aqui, uma pequena amostra:


O QUE SE PASSA NA CAMA



(A. não identificado)


(O que se passa na cama
é segredo de quem ama.)

É segredo de quem ama
não conhecer pela rama
gozo que seja profundo,
elaborado na terra
e tão fora deste mundo
que o corpo, encontrando o corpo
e por ele navegando,
atinge a paz de outro horto,
noutro mundo: paz de morto,
nirvana, sono do pênis.



(A. não identificado)



Ai, cama canção de cuna,
dorme, menina, nanana,
dorme onça suçuarana,
dorme cândida vagina,
dorme a última sirena
ou a penúltima… O pênis
dorme, puma, americana
fera exausta. Dorme, fulva
grinalda de tua vulva.
E silenciem os que amam,
entre lençol e cortina
ainda úmidos de sêmen,
estes segredos de cama.




(André Leroux)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

MANUAL DE BOAS MANEIRAS PARA AS MENINAS PARA USO NAS ESCOLAS






MANUEL DE CIVILITÉ POUR LES PETITES FILLES À L’USAGE DES MAISON D’ÉDUCATION


Para mim, o livro mais interessante de Pierre Louÿs. Irônico já a partir do título, constitui-se de uma série de pequenos conselhos para as meninas, todos relacionados ao comportamento erótico e sexual. Não deixa pedra sobre pedra na crítica ao falso moralismo do início do século XX e de todos os séculos. Sem dúvida, uma obra-prima do gênero, esse MANUAL DE BOAS MANEIRAS PARA AS MENINAS PARA USO NAS ESCOLAS, de que destaco algumas passagens, para degustação de meus parcos e ausentes leitores.

Obs.: a tradução é de minha autoria.




Glossaire


Nous avons jugé inutile vous expliquer les mots: con, fente, moniche, motte, pine, queue, couille, foutre (v.), foutre (n.), bander, branler, sucer, lécher, pomper, baiser, piner, enfiler, enconer, enculer, décharger, godemiché (1), gougnotte, gousse, soixanteneuf, minette, mimi, putain, bordel. Ces mots son familieres à toutes les petites filles.


Glossário



Julgamos inútil explicar as palavras: boceta, racha, periquita, monte (de Vênus), pica, piroca, colhão, foder, porra, ficar de pau duro, masturbar, chupar, lamber, sugar, trepar, meter, enfiar, embucetar, enrabar, gozar, consolo, sapatão, lésbica, sessenta e nove, minete, xoxota, puta, bordel. São palavras familiares a todas as meninas.


À l’église 




- Une petite fille qui s’éveille doit avoir complètement fini de se branler lorsqu’elle commence sa prière.

- Si vous ne vous êtes pas assez branlée le matin, ne vous finissez pas à la messe.

- Ne suivez pas l’office sur un exemplaire de Gamiani, surtout s’il est illustré.


- N’arrachez jamais un bouton de culotte à votre voisin au moment de le donner à la quête. Faites-le avant d’entrer.

- «Les personnes qui connaîtraient des empêchements à ce mariage sont obligés de nous en avertir», dit le prêtre ; Mais c’est une simple formule. Ne vous levez pas à ces mots pour révéler des confidences.

- Quand vous êtes auprès d’une dame qui s’agenouille en creusant les reins, ne lui demandez pas si cette position lui rappelle des souvenirs tendres.


- Au catéchisme, si le jeune vicaire vous demande ce que c’est que la luxure, ne lui répondez pas en rigolant : «Nous le savons mieux que vous !»

- Le jour de votre première communion, si une dame s’écrie en vous voyant : «Est-elle jolie ! On dirait une petite mariée ! » ne répondez pas : «Il ne me manque que la fleur d’oranger. » La réplique serait jugée leste.

- Si vous sucez un monsieur avant de partir pour communier, gardez-vous bien d’avaler le foutre : vous ne seriez plus à jeun, comme il faut que vous le soyez.

- En vous agenouillant à la table sainte, n’invitez pas votre petite voisine à coucher avec vous dans l’après-midi.

- Pendant le sermon, si le prédicateur parait croire à la «pureté des jeunes filles chrétiennes», ne vous mettez pas à pouffer de rire.

- Si vous baisez l’après-midi dans une église de campagne, ne vous lavez pas le cul dans le bénitier. Loin de le purifier, vous l’aggraveriez au contraire.


Na igreja


- Ao acordar, uma menina deve ter acabado completamente de masturbar-se antes de começar as suas orações.

- Se você não se masturbou o suficiente pela manhã, não termine durante a missa.

- Não acompanhe a missa com um exemplar de Gamiani (*), principalmente se ele for ilustrado.

- Não arranque jamais um botão da calça de seu vizinho no momento da coleta. Faça-o antes de entrar.

- “Se alguém sabe de alguma coisa que impeça este casamento que o digam agora”, diz o padre. Mas é uma simples fórmula. Não se leve por essas palavras para revelar confidências.

- Quando você estiver perto de uma dama que, ao se ajoelhar, senta-se sobre os rins, não lhe pergunte se essa posição lhe traz doces recordações.


- No catecismo, se o jovem padre lhe pergunta o que é a luxúria, não lhe responda com ar de riso: “Nós sabemos isso melhor que você”.

- No dia de sua primeira comunhão, se uma senhora grita ao vê-la: “Como está linda! Parece uma pequena noiva!”, não lhe responda: “Só me falta a flor de laranjeira.” A resposta sejá julgada licenciosa.

-Se você chupar um cavalheiro antes de comungar, tenha o cuidado de não engolir a porra: você não estaria mais em jejum, como é preciso que você esteja.

- Ao ajoelhar-se diante do altar, não convide sua pequena vizinha a deitar com você à tarde.


- Durante o sermão, se o pregador parece crer na “pureza das jovens cristãs”, não se ponha a rolar de rir.



- Se você trepar à tarde dentro de uma igreja no campo, não lave o cu na pia batismal. Ao contrário de o purificar, isso agravará o seu ato.




(*) Gamiani, ou deux nuits d'excès (1833); “Gamiani ou duas noites de excesso”, como boa parte da literatura galante, é obra de autoria discutível. Atribuída a Alfred de Musset (1810-1857), foi, segundo os contemporaneos, executada em três dias, a partir de um desafio lançado por seu suposto autor, numa reunião literária, quando apostou que seria capaz de escrever um romance dos mais obscenos, sem empregar uma só palavra grosseira. Desde então, os críticos parecem se dividir entre a afirmação e a negação do fato, coligindo, aqui e ali, outras tantas anedotas que o confirmam ou o infirmam”. Fonte: prólogo da tradução brasileira, feita por Véra Motta e Ulisses Barbosa, para a coleção “Os libertinos”, editora Ágalma, Salvador, Bahia, 1996.