sábado, 16 de agosto de 2008

A ESTRUTURA DE LUA QUEBRADA








Em forma de diário, não tem, exatamente, a divisão clássica de capítulos de um romance. Esse expediente não é novo. Aliás, bastante usado em toda a literatura ocidental.

Há vantagens e desvantagens no uso dessa estrutura. As desvantagens deixo que o leitor descubra. Afinal, não vou entregar assim de bandeja uma crítica negativa.

A vantagem que eu procurei explorar é a visão subjetiva do narrador, que permite um certo jogo de esconde-esconde. Temos apenas o ponto de vista do professor e, através dele, construímos a personagem feminina. Fabiana torna-se, assim, mais misteriosa e suas motivações crescem apenas na fantasia do leitor. Em compensação, conhecemo-la pelas atitudes, pelas ações e pelas palavras que ela deixa escapar ao amante.

Já o professor é um livro aberto: sua mente é devassada à exaustão, seus pensamentos são claros. Mas também ele tem seus pequenos (ou grandes?) segredos, nem todos revelados, mas um deles só aparece bem mais tarde... nem vou dizer onde.

Além das personagens, há um comentador, que surge de vez em quando. É quem encontrou e publicou o diário do professor. Sua voz só se faz ouvir no início, ao prefaciar a obra, e no final. Fora isso, em uma outra nota no interior do romance.

Assim, a estrutura de Lua Quebrada é bastante simples.

Uso, também, o diálogo indireto, para as conversas entre as personagens.

Quanto à categoria, não concordo em tachá-lo de romance erótico, mas não dá para fugir disso, por uma questão de alerta ao leitor. Preferia dizer apenas leitura para adultos. Seu erotismo será objeto de um próximo post.


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