sexta-feira, 22 de agosto de 2008

QUEM TEM MEDO DAS PALAVRAS?






Escritor é aquele que luta diariamente com as palavras. Para encontrar o ritmo certo da frase. A palavra exata para cada emoção.

Não pode o escritor temer as palavras. Elas estão aí, em forma de dicionário, como dizia o mestre Drummond, para serem usadas, abusadas, modificadas, às vezes esquartejadas, outras vezes remontadas, criadas e recriadas pela imaginação de Machado de Assis, de Guimarães Rosa, de Cruz e Souza, de milhares de escritores, poetas, versejadores, letristas de músicas, cronistas, jornalistas, críticos e tantos e tantos outros que delas vivem e com elas convivem.

Não pode o escritor temer as palavras. Não as considera nem feias nem belas: necessárias. No texto, a palavra que brilha, que transcende, é a que melhor diz da ideia, da emoção.





Não pode o escritor temer as palavras. Ele as trata como filhas e filhos, com o mesmo carinho. Mas é um pai severo, na escolha, na sua colocação precisa na frase. Não exita em expulsá-las do texto, quando não lhe trazem a comoção pretendida.

Não pode o escritor temer as palavras. Esse exército de emoções e ideias está ali, no dicionário, presas e ansiosas por liberdade, para servir de ponte entre a sentimento do autor e a desconfiança do leitor, de seu senso crítico.

Por isso, não existem palavras feias, proibidas, não usáveis. Soltas da prisão dos dicionários, ganham vida e sobrevida nos múltiplos significados do texto do escritor que não as teme.






(Fotos da internet, sem indicação de autoria)





terça-feira, 19 de agosto de 2008

EROTISMO E PORNOGRAFIA








Acho inútil a distinção entre erotismo e pornografia. Principalmente no campo das artes.

O que é arte erótica? O que é arte pornográfica?

A arte fálica da Grécia antiga (há um livro muito bom sobre isso: FALO NO JARDIM, PRIAPÉIA GREGA, PRIAPÉIA LATINA, do professor João Ângelo Oliva Neto; Editora Unicamp) é, primeiramente, arte e, só depois, erótica, ou pornográfica.

Também as inscrições de Pompéia, tanto os poemetos quanto os grafites, hoje são considerados patrimônios da humanidade. Arte, portanto. Eram arte, na época em que foram produzidos? Provavelmente, não.

Tudo é relativo: à época, às intenções, à qualidade, aos julgamentos. Ou seja, tudo é subjetivo, muito subjetivo.

Tanto que o critério é apenas o artístico. E nisso tinham razão os dadaístas: dadá só é dadá, quando dadá não é dadá; ou: arte só é arte, quando arte não é arte; ou, melhor, ainda: arte é aquilo que se considera arte. E ponto final.

LUA QUEBRADA não é erótico nem pornográfico. É aquilo que o leitor considerar que é. E isso depende, apenas, de seu julgamento. Que é, como todo julgamento, subjetivo.

Quem tem medo de palavras, afinal, por mais cruas que sejam?










sábado, 16 de agosto de 2008

A ESTRUTURA DE LUA QUEBRADA








Em forma de diário, não tem, exatamente, a divisão clássica de capítulos de um romance. Esse expediente não é novo. Aliás, bastante usado em toda a literatura ocidental.

Há vantagens e desvantagens no uso dessa estrutura. As desvantagens deixo que o leitor descubra. Afinal, não vou entregar assim de bandeja uma crítica negativa.

A vantagem que eu procurei explorar é a visão subjetiva do narrador, que permite um certo jogo de esconde-esconde. Temos apenas o ponto de vista do professor e, através dele, construímos a personagem feminina. Fabiana torna-se, assim, mais misteriosa e suas motivações crescem apenas na fantasia do leitor. Em compensação, conhecemo-la pelas atitudes, pelas ações e pelas palavras que ela deixa escapar ao amante.

Já o professor é um livro aberto: sua mente é devassada à exaustão, seus pensamentos são claros. Mas também ele tem seus pequenos (ou grandes?) segredos, nem todos revelados, mas um deles só aparece bem mais tarde... nem vou dizer onde.

Além das personagens, há um comentador, que surge de vez em quando. É quem encontrou e publicou o diário do professor. Sua voz só se faz ouvir no início, ao prefaciar a obra, e no final. Fora isso, em uma outra nota no interior do romance.

Assim, a estrutura de Lua Quebrada é bastante simples.

Uso, também, o diálogo indireto, para as conversas entre as personagens.

Quanto à categoria, não concordo em tachá-lo de romance erótico, mas não dá para fugir disso, por uma questão de alerta ao leitor. Preferia dizer apenas leitura para adultos. Seu erotismo será objeto de um próximo post.


quarta-feira, 13 de agosto de 2008

LOVE ME PLEASE, LOVE ME




(Toni d'Agostinho, para Lua Quebrada)



... e foi a primeira vez em que vi Fabiana chorando, e aquela música ficou sendo uma espécie de sinal entre nós, quando ela chegava meio chateada por algum motivo, eu sabia que ela queria ouvir aquele disco e eu respeitava o seu silêncio e nós apenas nos abraçávamos e no beijávamos durante um tempo, até que tudo voltava ao normal e a tarde transcorria lenta e suave, com um sexo sereno e gostoso como se fôssemos um casal em lua de mel e o gozo apenas conseqüência de uma ternura há muito reprimida e agora transbordando num rio calmo de amor e carinho.” (Lua Quebrada).

Esta a letra da música de Fabiana:



Love me, Please Love me


(Michel Polnareff)


Love me, please love me,
Je suis fou de vous!
Pourquoi vous moquez-vous chaque jour
De mon pauvre amour?
Love me, please love me,
Je suis fou de vous!
Vraiment prenez-vous tant de plaisir
À me voir souffrir.
Si j'en crois votre silence,
Vos yeux plein d'ennui,
Nul espoir ne m'est permis
Pourtant je veux jouer ma chance.
Même si même si
Je devais y bruler ma vie
Love me, please love me,
Je suis fou de vous!
Mais vous vous moquerez, vous toujours,
De mon pauvre amour.
Devant tant d'indifferénce,
Parfois j'ai envie
De me fondre dans la nuit.
Au matin je reprends confiance
Je me dis, je me dis:
Tout pourrais changer aujourd'hui.
Love me, please love me,
Je suis fou de vous!
Pourtant votre lointaine froideur
Déchire mon coeur
Love me, please love me,
Je suis fou de vous!
Mais vous vous moquerez-vous toujours
De mes larmes d'amour


TRADUÇÃO:


Ama-me, ama-me por favor,
Sou louco por ti!
Por que debochas de meu pobre amor
A cada dia?Ama-me, por favor, ama-me,
Sou louco por ti!
Na verdade, sentes muito prazer
Vendo-me sofrer.
Acreditando em teu silêncio,
Nos teus olhos cheios de tédio,
Nenhuma esperança me é permitida.
Mesmo assim, mesmo assim quero tentar,

Ainda que
Eu deva com isso queimar minha vida.
Ama-me, por favor ama-me,
Sou louco por ti,
Mas sempre zombarás
De meu pobre amor...]
Diante de tamanha indiferença
Tenho vontade, às vezes,
De fundir-me na noite.
Ao amanhecer, recuperaria a esperança
E me diria, me diria:
Hoje tudo poderá mudar.
Ama-me, por favor, ama-me,
Sou louco por ti!
Tua longínqua frieza, contudo,
Despedaça meu coração.
Ama-me, por favor, ama-me,
Sou louco por ti!
Mas tu, tu zombarás sempre
De minhas lágrimas de amor.


terça-feira, 12 de agosto de 2008

MICHEL POLNAREFF







E então, eu encontrei Michel, o Polnareff, cantor francês, nascido em 13 de julho de 1944. De família de músicos, começou a estudar piano aos 5 anos de idade. Tornou-se uma celebridade musical da França, não só por suas composições, seus shows, mas também por suas excentricidades. Para não alongar demais, eis alguns detalhes curiosos de sua biografia:

Após o primeiro sucesso, La puppé qui fait non, lançado em 1966, fez inúmeras turnês, mas recusou o convite para apresentar-se no Olympia, em setembro de 1967, alegando falta de experiência.

Para proteger os olhos, míopes e frágeis, apresenta-se sempre com óculos brancos e lentes escuras.

Reservado e celibatário, escreve, em 1970, a canção Je suis um homme, para rebater boatos sobre sua ambiguidade sexual.

Em 1972, é acusado de atentado ao pudor, quando espalha pelos muros de Paris um cartaz anunciando seu novo show – com a bunda de fora!

Em 1973, seu empresário embolsa toda a fortuna de seus shows e desaparece. Com uma dívida milionária com o fisco, exila-se nos Estados Unidos.

Em 1989, fica recluso num quarto de hotel, por 800 dias, para compor um novo disco.

Entre períodos de sucesso e reclusão, Polnareff volta ao palco da música popular francesa em 2006, com um grande show para mais de 100.000 pessoas, na França.


(Foto da internet, sem indicação de autoria)



segunda-feira, 11 de agosto de 2008

COMO MICHEL POLNAREFF FOI PARAR NO "LUA QUEBRADA"








Quando estava escrevendo o livro, precisava encontrar uma canção que determinasse um certo estado de ânimo de Fabiana, a personagem feminina de Lua Quebrada. Não podia ser um hit americano nem uma música brasileira, porque desejava passar ao leitor a idéia de que, embora muito jovem, Fabiana tinha um gosto mais próximo ao europeu. Já havia passado um ano na Suíça e falava bem o francês. Assim, a escolha parecia óbvia: uma canção francesa. Mas, qual? Podia escolher entre as várias de Jacques Brel, por exemplo. Porém, queria uma canção que fosse ao mesmo tempo triste, sofisticada e tivesse uma pitada de pop. A escolha recaiu em Michel Polnareff: Love me please, love me.

A bela introdução de piano, o ritmo pop, a voz meio amarga do cantor, a mistura de idiomas e, principalmente, os versos cheios de uma ternura mendiga de amor determinaram a escolha dessa bela canção. Além, é claro, da própria trajetória de vida de Polnareff, um cara meio misterioso e um tanto marginal da canção francesa. Será ele o motivo do próximo post. Aguarde.

Por enquanto, quero dizer apenas que a canção cujos versos estão transcritos no texto tem a intenção de passar ao leitor um certo mistério da tristeza de Fabiana, no seu jeito meio menina, meio mulher, de encarar um amor tão profundo e tão proibido quanto o que ela nutre por seu professor.

Ouça Love me please, love me no Youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=ZQIsv_4PuHA




quinta-feira, 7 de agosto de 2008

LUA QUEBRADA: CAPA E ILUSTRAÇÕES








Muito antes de publicá-lo, já imaginava uma capa para Lua Quebrada: na cor preta, com o recorte dos prédios na frente de uma lua tipicamente paulistana, vista pela janela. Quando houve a proposta de publicação, procurei meu amigo Toni D'Agostinho, para fazer algumas ilustrações e a capa. Nada, absolutamente nada, lhe falei a respeito do que imaginara. Deixei-o livre para criar. E ele fez exatamente a capa que eu sonhara. E também as ilustrações internas ficaram muito boas.

Toni é dramaturgo e artista plástico. Suas caricaturas podem ser vistas neste endereço:




quarta-feira, 6 de agosto de 2008

LUA QUEBRADA - O LIVRO




(Capa, de Toni d'Agostinho)



Pois, é: Lua Quebrada é o meu primeiro livro de ficção PUBLICADO.

Aí está um resumo do livro:


Um romance entre o professor e sua aluna. Banal? Não o jogo de sedução e erotismo de Lua Quebrada. Além de todas as convenções, do alto grau de entrega e do encontro de dois mundos tão diversos, há um sutil jogo de poder entre os protagonistas que põe em cheque a relação entre homem e mulher, entre tesão e amor e, principalmente, entre a razão das convenções sociais e o desafio de quebrá-las em nome de um sentimento ao mesmo tempo tão irracional e tão humano quanto a velha e boa paixão.




Publicação da Biblioteca24x7.

ISBN: 978-85-61590-45-1

Só disponível pela Internet, nos endereços abaixo:

http://www.biblioteca24x7.com.br (ÁREA, à esquerda, clique em : ERÓTICO).


http://pesquisa.livrariacultura.com.br/busca.php?q=lua+quebrada (LIVRARIA CULTURA)





LUA QUEBRADA

PARA INCENDIAR SUA IMAGINAÇÃO!



NÃO DEIXE DE LER!