quinta-feira, 12 de novembro de 2009

PEQUENOS POEMAS FESCENINOS - 04



Quero-te chama,
mesmo que molhes
minha cama.


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

PEQUENOS POEMAS FESCENINOS - 03


Silêncio no quarto:
depois que me chupas,
sinto-me farto.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

PEQUENOS POEMAS FESCENINOS - 02


Tu, quando acabas:
tem teu gozo o gosto
de jabuticabas.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

PEQUENOS POEMAS FESCENINOS - 01




No amor,
quem
tem
língua
não morre
à míngua.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

YONI, A VAGINA DENTADA


O triângulo invertido que representa a vulva da deusa parece ter sido adorado desde a Pré-História. Existem provas de sua utilização no Paleolítico, como pendente, símbolo de fertilidade ou amuleto para afastar o perigo, e foi realçado em estatuetas de Vênus e estilizado em diversas formas de arte e nas escritas cuneiformes que constituem os textos mais antigos.

O triângulo genital da deusa, bastante conhecido atualmente devido ao seu nome sânscrito de yoni, e cujo símbolo é uma flor de lótus, é a entrada e a saída para o mundo uterino. Todavia, o yoni da deusa não é apenas gerador da vida, o caminho pelo qual a vida entra no mundo, é também o mesmo por onde sai, e o yoni tem sido retratado em várias culturas como uma entidade temível, faminta e independente, com dentes vorazes - a vagina dentada.
Os navajos e os apaches contam muitas histórias de órgãos sexuais femininos decepados, que andam e mordem, e que foram castigados por heróis civilizacionais, como o Matador de Monstros, filho da Mulher Que Muda, traduzindo essas histórias por imagens fálicas de elevado potencial sexual, como aquela em que o citado Matador de Monstros Mata Vagina Cheia (uma das mais ferozes de sua espécie, pois até acasala com cactos) atirando-lhe um pau que lhe parte os dentes afiados. Também os pueblos e outros nativos norte-americanos representam o esmagamento dos dentes da vagina de uma mulher com um falo de madeira.

Em termos mitológicos, é muitas vezes neste ponto que os tabus da menstruação e do nascimento se impõem à mulher, cuja hemorragia vaginal, que em tempos controlava e que constitui uma faceta importante do seu poder, fica restringida a um ciclo mensal e ao parto.
Curiosamente, o medo da vulva devoradora está ausente das imagens dominantes do culto indiano do yoni, onde a deusa, em geral personificada por Devi ou Kali, surge deitada de costas, com as pernas inclinadas, ou de pé, com as pernas afastadas, libertando o seu fluido vaginal, o yoni-tattva, um elixir divino que os seus devotos recebem na boca.

Num texto místico denominado Yoni-Tantra conta-se que o deus Brahma cortou aos pedaços o cadáver da deusa Sati (Parvati) para aliviar o fardo de seu marido Shiva, que andava com ele de um lado para o outro, desolado. A vulva caiu à terra em Kamakhya Assam, e foi construído um templo em sua honra, no interior do qual o yoni está representado por uma rocha fissurada, sempre umedecida por uma nascente subterrânea natural, de onde a água sai avermelhada uma vez por ano, devido ao óxido de ferro, na fase inicial da monção. Essa menstruação natural é interpretada pelos fiéis como uma maneira de a natureza confirmar a adoração da vulva feminina e dos processos a que ela está sujeita e como prova de que a Deusa é a terra.

Em toda a Índia encontram-se formações rochosas, grutas e dólmenes semelhantes ao yoni, e muitas vezes os peregrinos entram de rastos pela abertura, se esta é suficientemente grande, e saem também de rastos, imitando o renascimento divino - a entrada e o regresso do ventre celestial - quando tais estruturas naturais não existem, são construídas em formas de lagos triangulares no exterior dos templos.

É também freqüente os altares dos templos hindus ostentarem manchas vermelhas ou triângulos pintados junto deles que simbolizam o yoni, que por vezes exibe um falo preto e erecto no meio, caso em que se chama yoni-lingam e simboliza a união do deus Shiva com o seu princípio feminino, Shakti. Outras vezes é o próprio yoni que está na posição vertical, em especial quando colocado mesmo em frente de um altar.

O fluido do yoni é freqüentemente confundido com o sangue menstrual nos textos místicos do budismo tântrico e tem o nome de alimento de sangue, sendo muito venerado pelo poder especial que possui de curar e fazer magia.

O fluido do yoni também tem o nome de pushpa, ou flor, porque, "tal como a flor da árvore", anuncia o seu poder de dar frutos.

O culto do sangue







Desde o Paleolítico que o sangue se encontra intimamente associado ao ritual e ao culto. Os seus símbolos eram o ocre vermelho (usado para tingir imagens e também encontrado sobre cadáveres em posição fetal, a fim de que estes regressassem ao ventre da terra, prontos a renascer) e o vinho tinto.

O sangue constitui a base do clã, da realeza e da herança, e tem-se admitido que as mulheres se beneficiavam de um elevado status nas sociedades antigas por serem guardiãs e transmissoras - através da procriação - do sangue do clã e, portanto, do seu espírito.

Outrora, o sangue menstrual era considerado benéfico de muitas formas, sendo derramado nos campos como fertilizante e usado para curar e para conferir poder - nos tantras indianos há ainda alusões ao "sangue como alimento". Os homens tentaram muitas vezes imitar a hemorragia menstrual nos seus rituais, em atos como a circuncisão, a subincisão, entre alguns aborígenes australianos, e o corte dos mamilos, que se realiza durante a Dança do Sol dos sioux.

Afirma-se por vezes que os sacerdotes inventaram tabus menstruais para não usar o sangue feminino em rituais que numa determinada época se confinavam às sacerdotisas. Assim, rejeitado como impuro, o sangue menstrual tinha de ser substituído nas cerimônias sagradas por outro proveniente do sacrifício de seres humanos e animais.





(O texto é um excerto das páginas 96 e 97 do livro Divindades Femininas, de Shahrukh Husain, publicado pela editora Evergreen/Taschen)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O LOUVA-A-DEUS


Assunto estranho, você pode pensar, para ser tratado num blog que fala de sensualidade e sexualidade. Mas será um assunto que dará pano pra manga, como se dizia antigamente (epa!).


O louva-a-deus é um bicho estranho. Além desse nome carola, tem mistérios de que duvidaria até o Shakespeare. E mais: gerou uma longa e mais estranha ainda teoria, ou filosofia, sei lá, de um autor francês chamado Roger Caillois, que escreveu um livro chamado "La mante religieuse, de la biologie à la psychanalyse" [O louva-a-deus, da biologia à psicanálise], em que relaciona a morte desse inseto às teorias do marquês de Sade.


Vou tentar falar um pouco sobre isso, mais adiante. Por enquanto, só o que digo sobre o louva-a-deus é que, em muitos casos, a fêma (que é bem menor) deglute a cabeça do macho (e às vezes o corpo todo) durante ou após o coito. É uma forma de sobrevivência, por incrível que possa parecer. Também falarei disso mais tarde.


Hoje, como introdução a esse inseto carnívoro e... canibal, apresento-lhes um poema de minha autoria. Degustem-no e aguardem mais estórias do Caillois, do Bataille e do Breton, que estão envolvidos no estudo do gafanhoto e de sua relação com alguns aspectos da sexualidade humana, em que entra até mesmo o Divino Marquês, o Sade.







LOUVA-A-DEUS


Como as mulheres.
Sim, como-as, sim.
E por que não as comeria,
Se para comê-las
Sou nascido?
Mas não as como, simplesmente,
Assim, sem mais nem menos.
Como-as com traquejo,
Com todo o meu jeito
De comer sem machucar,
Sem lhes fazer qualquer dano,
Gentleman que sou,
Generoso que sou.
E depois de as comer
Assim, muito bem comidas,
Dou-me inteiro para elas,
E como bom louva-a-deus,
Deixo-me devorar,
Inteiramente,
Generoso que sou:
Como todas as mulheres.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

TRAIÇÃO: VENENO OU ELIXIR?


Li algures e conto para vocês que, em tribos da África, maridos traídos se vingam envenenando os próprios pênis. Preparam o veneno e o antídoto. Tomam o antídoto e depois lambuzam o pênis com o veneno. Transam com suas mulheres (os mais bonzinhos dão antídotos para as esposas também), e quando o Ricardão chega para se divertir, é acometido por uma dor alucinante, parecida com queimadura, que o deixa gravemente doente. As tribos Ngoni e Zulu usam uma poção que não causa a morte, mas a impotência.

Fiquei pensando, então, sobre a traição. Será um veneno ou um elixir para o relacionamento amoroso?

Se há mágoas, sofrimento e até morte, quando há traição, há também sublimação, literatura, arte. E há os que gostam – por que não? - de ser traídos. De ver o parceiro ou parceira nos braços de “um outro qualquer”. Haja vista a quantidade de casais que praticam o swing. Mas, tudo isso é conversa fiada, para falar um pouquinho de música.

Porque dor de corno dá música. E, muita música. Como existem canções que falam de traição, na MPB, não? Talvez a dor de corno seja a maior musa de nossos compositores. E dentre eles, um que soube como ninguém falar de amores perdidos e traídos é, sem dúvida, Lupicínio Rodrigues.

Vejam os versos desta canção – Nervos de Aço – como um exemplo acabado de dor de corno. E, depois do último verso, pensem na vingança dos africanos:

“Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar este amor, meu senhor
Nos braços de um outro qualquer


Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá lo em um braço
Que nem um pedaço do seu pode ser


Há pessoas com nervos de aço
Sem sangue nas veias e sem coração
Mas não sei se passando o que passo
Talvez não lhe venha qualquer reação


Eu não sei se o que trago no peito
É ciúme, despeito, amizade ou horror
Eu só sei é que quando eu a vejo
Me dá um desejo de morte ou de dor”


Pois, é: hoje estou mais para "romantismo" do que para sexo. Acontece.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A POETA BRUNA LOMBARDI

Não posso negar: sempre admirei a beleza mignonne de Bruna Lombardi, o sex-apeal de Bruna Lombardi. E a cabeleira loira de Bruna Lombardi?

Bruna: mulher e atriz. Não sei se mais mulher ou mais atriz. Sempre gostei dela, no entanto.

O tempo passa. As pessoas passam. Bruna já não é jovem. Continua bela, continua mignonne em sua cabeleira loira. Agora, talvez, mais mulher. Agora, talvez, mais atriz.

E descubro que, naquela mulher bela há também uma bela poeta. Fiquei ainda mais fã. Por isso, deixo com vocês, leitoras e leitores desse blog meio sem eira nem beira, um pequeno e delicioso poema de Bruna Lombardi, ilustrado por ela mesma (quem mais?):



Uma mulher





Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela

a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca

uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,
a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora

o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

“A HISTÓRIA DA V”, DE CATHERINE BLACKLEDGE





Nas minhas andanças (ou seriam “viagens”?) pela blogosfera, sempre encontro artigos interessantes sobre sexo. Desta vez, pousei num site português, chamado “O Coiso” (sei lá por quê), onde deparei com a sinopse de um livro – A HISTÓRIA DA V. – sendo V nada mais nada menos do que VAGINA. Dou a palavra ao português (de Portugal, que tem sotaque até na escrita, mas cujo estilo é saboroso, por isso mantenho até a ortografia). Não sei a profissão do gajo, portanto o últlimo parágrafo é tão misterioso para mim como será para você, leitor ou leitora.

Divirta-se:






Catherine Blackledge é doutorada em Ciências e uma conhecida jornalista científica inglesa. Para escrever este livro procedeu a uma investigação exaustiva sobre a vagina, em todas as suas vertentes: histórica, científica, mitológica, antropológica, etc.


Aprendemos muito com este livro. Blackledge não se poupou a esforços para realçar o papel que a vagina tem na nossa vida, chamando a atenção para o facto de esse papel ter sido subalternizado durante séculos, não só devido aos conceitos morais vigentes, liderados por homens, mas também devido a uma certa cegueira científica. Como é possível, por exemplo, que a Ciência tenha deliberadamente ignorado muitos factos sobre a importância da vagina, já detectados pelos Antigos? Neste particular, o papel obscurantista da Igreja é notável.


Penso que vale a pena transcrever algumas passagens deste livro, embora nada disto substitua a sua leitura integral.


Sobre a concepção, por exemplo: o papel determinante da mulher na concepção, melhor, o papel único, já que, para os Antigos, só a mulher estava implicada na concepção.


“O poeta grego Homero revela o quanto os homens ainda esperavam um papel principal na concepção, com a sua descrição de como as éguas são fertilizadas pelo vento. Uma teoria posterior propunha que o ar estava cheio de microscópicos ‘animálculos’ etéreos que, por acaso, o vento ou a corrente de ar penetravam na mulher e a engravidavam. (…) A versão cristã da concepção da Virgem Maria diz que ela foi ‘visitada’ por um Espírito Santo etéreo. Em contraste, os ilhéus das Trobriand contam como Bolutukwa, mãe de Tudava, seu herói lendário, concebeu quando gotas de água penetraram na sua virginal vagina.”



Quer dizer: parece que os homens não tinham nenhum papel na concepção. A importância da mulher na perpetuação da espécie era essencial para os povos antigos.


Sobretudo para certas culturas orientais, a vagina era (e é) sacralizada, em vez de ser demonizada, como acontece no ocidente, sobretudo depois da Idade Média e da Inquisição.


Blackledge coscuvilhou e encontrou coisas curiosas, como a ligação entre chifres, fertilidade e útero. Os médicos sabem que, segundo a anatomia humana, o útero tem cornos. Diz a autora: “a associação entre um homem corneado e chifres prevalece em toda a Europa meridional. Em português (cornudo ou cabrão), em espanhol (cornudo), em catalão (cornut ou cabron), em francês (cocu) e em grego (ketatas), a palavra para a pessoa corneada quer dizer ‘o que foi corneado’ ou ‘aquele que transporta os chifres’. (…) É significativo que esse termo só se aplique a homens, nunca a mulheres”.


A autora procura também decifrar o significado das palavras relacionadas com a vagina.


“Na verdade coño é uma palavra tão vulgar em Espanha (embora seja usada como imprecação) que, tal como os ingleses foram chamados de fuckoffs pelos franceses, no Chile e no México, os espanhóis são conhecidos como coños. (…)


A dicotomia do significado de cona também é visível noutras regiões da Europa. Em Itália, figa (cona) não é um insulto nem um palavrão. Trata-se, pelo contrário, de uma imprecação bastante comum (depois de cazzo – caralho – talvez seja a mais usada). Figa é a forma falada, e fica, o termo escrito. Che figa! É, de facto, uma expressão brejeira. Pode aplicar-se a pessoas, ‘que pedaço de mulher!’, a objectos – Che festa figa! – ‘que bela festa!’ e a situações, ‘que sorte!’ (…) No entanto, na Alemanha, tal como na Grã-Bretanha, cunt ou fotze são os supremos tabus. Mas fotze é igualmente uma antiga palavra para boca.”



Blackledge dedica muitas páginas ao clítoris e acho muito bem. Pena que muita gente nem sequer saiba muito bem onde fica o clítoris. Mais uma vez, a autora mostra como a Ciência escondeu, durante séculos, as descrições que anatomistas antigos fizeram desse órgão glorioso, como ela lhe chama, e com razão. De tal modo, que até parece que o clítoris só foi descoberto no século 17, quando existem descrições pormenorizadas dessa órgão em escritos antiquíssimos.


Neste particular, entram em acção os puritanos. Blackledge conta como, no final do século 19 e princípio do 20, a clitoridectomia esteve tão na moda, para resolver problemas de histeria e outros. “Kellog, o rei dos flocos de aveia, (…) defendia que se despejasse ‘fenol concentrado no clítoris’, caso as jovens continuassem a satisfazer-se sozinhas”. O que era preciso é que as mulheres não sentissem prazer. O papel das mulheres e da vagina, como simples receptoras do esperma para a concepção, dominou (domina?) o pensamento durante séculos.


São deliciosas, as lendas que a autora conta sobre o clítoris e a vagina, sobretudo as que são contadas em algumas ilhas do Pacífico, no Amazonas e também em África. Só por essas histórias, o livro vale a pena. As histórias da vagina dentada, que comia os pénis, são muito engraçadas.


O papel da vagina na relação sexual é bem destacado pela autora. Contradizendo a ideologia dominante, de uma vagina passiva, mero receptáculo do esperma, Blackledge explica como a vagina é essencial, por exemplo, na escolha dos espermatozóides mais promissores e como participa activamente na relação sexual. Os exemplos são às dezenas, das besouras às macacas. Baseada na teoria evolucionista, a autora mostra-nos como as fêmeas controlam tudo, no que respeita à perpetuação das espécies.


E dá exemplos deliciosos: “o escritor francês Gustave Flaubert refere-se com entusiasmo aos seus encontros com as prostitutas profissionais exiladas na cidade egípcia de Esneh: ‘a sua cona ordenhava-me como rolos de veludo – eu enloquecia.” Através do mundo, Shilihong era uma profissional de sexo de Xangai famosa pelo seu excepcional controlo dos músculos vaginais. Consta que era capaz de movimentar o pénis do homem para dentro e para fora, simplesmente contraindo e relaxando os seus músculos, movimento que produzia uma sensação de sucção. Diz-se igualmente que a ‘chupeta de Xangai’, de Wallis Simpson, foi um dos motivos pelo qual a Grã-Bretanha perdeu um rei em 1936. Comentava-se que a Sra. Simpson conseguia que um palito de fósforo se sentisse um charuto de Havana”.


Pesquisando a literatura, Blackledge acaba por descobrir que, afinal, também as mulheres têm próstata ou, pelo menos, um tecido semelhante à próstata, algures na parede ventral da vagina, naquilo a que se convencionou chamar o ponto G – aquele que, estimulado, provocaria, indubitavelmente, o orgasmo da mulher. Afinal, como muita gente já desconfiava, a mulher possui diversos tipos de orgasmos, com o clitoridiano à cabeça. Sempre baseada em estudos, a autora avança mesmo com algumas ideias revolucionárias, como o facto de existirem semelhanças entre as estruturas tecidulares da tal próstata feminina e do nariz. Por isso, se percebe a importância do cheiro para as relações bem sucedidas. Quando uma mulher diz “este tipo não me cheira”, é natural que a relação não avance…


A importância do orgasmo para a concepção, o facto de os vibradores terem sido um dos primeiros utensílios domésticos a serem electrificados, a moda de os médicos dos finais do século 19 e princípios do século 20, masturbarem as suas pacientes, para as “curarem” das histerias e, simultaneamente, a Ciência condenar a masturbação feminina – tudo isso e muito mais percorre este livro interessantíssimo e que nos fez passar um bom bocado.


Aconselhamo-lo a toda a gente, nomeadamente a colegas de profissão, que, da vagina, só devem ter uma pálida ideia.




Fonte: http://www.coiso.net/?m=200609&paged=3
Sunday, September 3rd, 2006



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

QUEM TEVE MEDO DO GARGANTA PROFUNDA?

Richard Nixon, com certeza, não só teve medo, mas ódio. “Garganta Profunda” foi o codinome da fonte jornalística que levou à denúncia do escândalo chamado Watergate, que provocou sua renúncia.

Mas, não é do Nixon nem de seus escândalos que vamos falar, e sim, de um filme de 1972, dos Estados Unidos: DEEP THROAT ou, como ficou conhecido no Brasil, GARGANTA PROFUNDA (em Portugal, Garganta Funda), dirigido por Gerard Damiano e estrelado por Linda Lovelace.

Causou, claro, escândalo na época, por ser uma ode mais do que explícita ao sexo oral. Sua historinha é ridícula: uma mulher (Linda Lovelace) não consegue chegar ao orgasmo, apesar de todas as tentativas possíveis. Um médico descobre que ela tem o clitóris na garganta. Pronto: está resolvido o mistério. Agora, é só ela encontrar pênis grandes o bastante para atingi-lo e ela conseguirá o tão esperado orgasmo.

Saudado, na época, apesar de todos os protestos dos moralistas de sempre, como liberador dos costumes, como liberador da sexualidade feminina e outras coisas mais, causou uma profunda mudança na indústria de filmes pornográficos.

Linda Lovelace, a protagonista, morreu em 2002, vítima de ferimentos causados por uma acidente automobilístico. Depois de Deep Throat, tentou filmes mais leves, mas não obteve sucesso e, nos seus últimos anos, fez campanha contra a exploração e as irregularidades da indústria pornô.

Em 2005, a Universal Pictures distribuiu um filme, na verdade, um documentário dirigido por Fenton Bailey e Randy Barbato, chamado INSIDE DEEP THROAT (Por dentro do Garganta Profunda).

O artigo abaixo, escrito pela doutoranda em cinema pela Universidade de Nova York, Cecília Sayad, dá-nos uma boa noção do que foi o próprio GARGANTA PROFUNDA, através da análise do documentário sobre ele.

A saga de “Garganta Profunda”

Por Cecilia Sayad

Documentário conta a história do mítico pornô de 1972 sobre a mulher que tinha o clitóris na garganta

· Há filmes cujas ambições, tanto artísticas quanto comerciais, ficam muito aquém da fama que eles acabam por adquirir. "Garganta Profunda", o pornô feito em 1972, é típico exemplo dessa glória acidental, que resulta mais das circunstâncias de uma época do que do valor do filme em si, tomado isoladamente.

· É com um misto de nostalgia, romantismo e reducionismo que o documentário "Inside Deep Throat" (Dentro da Garganta Profunda), dirigido por Fenton Bailey e Randy Barbato, e atualmente um dos filmes mais comentados nos Estados Unidos, revela o que há de irônico e trágico na trajetória deste que foi um marco na história do cinema pornográfico.

· Na narrativa que o documentário nos oferece, o aspecto lúdico da feitura de "Garganta", dirigido pelo ex-cabelereiro Gerald Damiano (que então assinava Jerry Gerard), contrasta tanto com o calor de sua recepção quanto com o furor que gerou da parte dos guardiões da moral e dos bons costumes. Assim como a qualidade artística do filme, definido como ruim pelo próprio Damiano, é desproporcional ao impacto que “Garganta” exerceu sobre a sociedade estadunidense do início dos anos 70.

· A saga do emblemático pornô começa quando Damiano maravilha-se com a capacidade bucal da atriz Linda Lovelace e escreve um filme sobre uma mulher cujo clitóris se localiza na garganta, permitindo-lhe ter prazer com sexo oral. O filme, como muitos do gênero patrocinado pelo crime organizado, viu seu sucesso expandir-se para além do circuito pornográfico. Com a explosão, veio a censura; e, com o protesto contra a censura, maior repercussão.

· Imagens dos anos 70 mostram celebridades, como Jack Nicholson e Warren Beatty, defendendo "Garganta" contra uma suposta onda de moralismo. Em depoimentos exclusivos para o documentário, escritores como Norman Mailer, Gore Vidal e Camille Paglia especulam sobre o impacto do filme em discussões sobre a representação da sexualidade. Havia também rumores de que "Garganta" abriria o caminho para cenas de sexo mais explícitas em filmes do circuito “mainstream” – e, mesmo, de que Stanley Kubrick teria em sua agenda o projeto de um filme pornográfico.

· Os momentos de vitória daqueles que fizeram "Garganta", porém, foram muito mais efêmeros do que as glórias que o filme colheu. Enquanto "Garganta" foi, bem ou mal, eternizado como símbolo de uma geração, como possibilidade de desguetização de um gênero marginal, o ator principal, Harry Reems, foi condenado a cinco anos de prisão por obscenidade e mergulhou em drogas e álcool, ao ver as promessas de uma carreira em Hollywood naufragarem em vista de sua estigmatização como ator pornô.

· Por sua vez, Lovelace, que passou do anonimato às páginas da "Playboy", posteriormente condenou o filme e a indústria pornográfica, afirmando, em rede nacional, que o que vemos em "Garganta" é o seu estupro. Tal depoimento adquiriu proporções enormes, quando se chamou a atenção para a presença de hematomas no corpo da atriz, que poderiam ser observados nas cenas de nudez do próprio "Garganta".

· Mais tarde, comprovou-se que os hematomas haviam sido causados por seu marido, que hipnotizava e abusava fisicamente da emergente estrela pornô. Ironicamente, Lovelace voltou a posar nua em seus 50 e poucos.

· Damiano, finalmente, foi dos três o menos pessoalmente abalado; em compensação, o diretor nunca se beneficiou dos lucros do filme, que custou US$ 25 mil e rendeu US$ 600 milhões na bilheteria, sendo alardeado pelo documentário, talvez imprecisamente, como o filme mais rentável da história do cinema.

· Se a palavra de ordem na narrativa sobre o percurso de "Garganta Profunda" é desproporção, principalmente do seu legado artístico com relação ao debate político que gerou, resta saber se o valor atribuído ao filme por "Inside Deep Throat" não reflete também certa dose de exagero. Impressão causada, em certa medida, pelos eventos relacionados ao filme que acabam ou mal explorados ou forçados numa estrutura artificial; eventos sacrificados em nome de um ritmo ágil e uma narrativa fechada, preocupada em forjar continuidade e logicidade entre os fatos relacionados.

· Daí, por exemplo, a superficialidade da associação que o documentário faz entre o filme e a fonte que denunciou o caso Watergate aos jornalistas do "Washington Post" -fonte esta apelidada "Garganta Profunda". Em entrevista, Bailey afirma que tanto um quanto o outro denunciavam uma "verdade": a de uma sexualidade reprimida no caso do filme e a de um governo corrupto no caso que levou à renúncia de Nixon em 1974.

· Em vez de precisão, o que "Inside Deep Throat" nos oferece é uma defesa do livre discurso, da abertura no tratamento da sexualidade. O mérito de "Garganta", segundo alguns dos entrevistados, era que o filme chamava a atenção para o prazer da mulher.

· Na visão de Bailey e Barbato, a mesma dupla que dirigiu "Party Monster"(*), "Garganta Profunda" marcou, além da emancipação da mulher, uma época em que a indústria pornográfica era sinal de rebeldia; como diz uma ex-atriz de cinema pornô em depoimento ao filme, o que hoje em dia se faz por dinheiro nos anos 70 se fazia por transgressão. Este depoimento é tão questionável quanto a sugestão, em talk shows com a presença de feministas, de que as intelectuais que antes lutavam pela liberação sexual da mulher nos anos 60 e 70 passaram a repudiar sexo de maneira geral, já que a mulher seria sempre e inevitavelmente tornada objeto.

· Por um lado seria injusto dizer que os diretores simples e descaradamente romantizam "Garganta". Em relação à idéia de que o filme seria uma ode ao sexo oral, sempre condenado socialmente, "Inside" mostra tanto a ex-editora da "Cosmopolitan" Helen Gurley Brown dizendo que o esperma do homem faz bem para a pele quanto uma atriz pornô afirmando que o sexo oral nunca é prazeroso para a mulher.

· Por outro lado, o documentário coloca o filme num suposto momento privilegiado em que a pornografia era feita com paixão, possuía aspirações artísticas e, para muitos, servia como iniciação em uma carreira de cinema. Wes Craven afirma que participou da produção de filmes pornôs, preferindo, todavia, não entrar em detalhes. Em suma, o documentário nos revela uma produção pornográfica que se impunha como forma alternativa de cinema, uma espécie de nouvelle vague ou cinema novo ou Dogma, em que cineastas conseguiam produzir filmes com pouco dinheiro e muita liberdade.

· A contrapartida para esse olhar ingênuo sobre o pornô é a constatação de que o que era supostamente sinal de rebeldia, hoje virou pura exploração financeira. Se a produção de filmes se multiplicou, eles foram relegados às prateleiras de videolocadoras – salas de cinema pornô ficaram para a história e, diz Damiano, o "valor artístico" das novas produções é nulo.

· Críticos de cinema como Anthony Lane ("New Yorker") e Manohla Dargis ("New York Times") atacaram "Inside Deep Throat" por supervalorizar o fenômeno "Garganta Profunda". Apesar de pecar pela artificialidade de algumas relações, "Inside Deep Throat" vale como protesto contra o tipo de hipocrisia que fez com que Charles Keating Jr., líder da liga pela decência que perseguiu tanto Larry Flynt quanto "Garganta", fosse pouco depois preso num escândalo financeiro. Ainda que a idealização de uma época muitas vezes soe ingênua, o filme não deixa de ser um grito ainda necessário.

(*) Party Monster é um filme de 2003 sobre o nascimento da cultura clubber, ou os "club kids" como eram chamados na época, vista aos olhos de um de seus criadores, Michael Alig.

Fonte: http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2540,1.shl

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

QUEM TEVE MEDO DE ALCIDES CAMINHA?




Dito assim – Alcides Caminha – talvez quase ninguém associe o nome aos famosos “catecismos” que burlavam o moralismo das décadas de 60, 70...

Se falarmos em CARLOS ZÉFIRO, no entanto, muita gente se lembrará com prazer das revistinhas de sacanagem que ensinou sexo a toda uma geração, que teria sido muito menos feliz na cama, sem ele.

Porque, esse sim, não se podia ir pra cama sem ele, naquela época em que sexo era assunto de polícia, sob o comando da ditadura que não admitia nenhuma outra coisa dura no País, mesmo que fosse em particular, no escondido de banheiros, onde a molecada ia desfrutar das histórias e dos desenhos quase naïfs de Carlos Zéfiro.

Suas revistinhas ficaram conhecidas, principalmente em São Paulo, por “catecismos”, porque, ironicamente, eram vendidas nas bancas disfarçadas de material religioso. Um belo drible no antissexualismo do Vaticano.

As historinhas eram bastante simples, como sói ser o bom erotismo. O enredo tratava de traições, de mulheres solitárias, de aventuras inesperadas, mas sempre com personagens que acabam indo para a cama e gozavam, gozavam muito, um sexo sem culpa, com ou sem amor. O desenho de Zéfiro também não era sofisticado, mas minimalista e direto.

Um dado interessante de sua biografia: sua indentidade permaneceu secreta quase até a data de sua morte, em 1992, quando algum engraçadinho tentou se passar por ele, em entrevistas para jornais e revistas. Teve uma vida absolutamente simples, como funcionário público e pai de família. Nenhum traço de tara ou de desvio de conduta, como podia parecer a quem lia suas historinhas picantes.

Enfim, deixemos aqui uma homenagem a um desenhista e escritor que muito contribuiu para a história da sexualidade no Brasil, desempenhando um papel que, hoje, é considerado como o de um educador, mas que foi por muito tempo procurado pela polícia, tendo suas revistinhas muitas vezes confiscadas em bancas de jornais.

Moralismo e moralistas: descansem em paz!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

QUEM TEVE MEDO DE ODETE RIOS?



Odete Rios? Talvez, assim, com esse nome, ninguém se lembre. Mas estou falando de uma escritora “maldita”, que vendeu livros como ninguém, no Brasil, nos anos 70.

E por que “maldita”, se obteve tanto sucesso?

Execrada pela censura militar da época, aqueles truculentos que não gostavam de sexo, CASSANDRA RIOS – esse o seu nome de escritora – provocava arrepios não só na molecada ansiosa por algo mais que atiçasse sua libido, mas também na sociedade conservadora da época (digo “sociedade conservadora da época” no sentido de que toda época tem sua sociedade conservadora e parece que continuará tendo), por ser uma “escritora lésbica” (como se opção sexual fosse categoria literária) e escrever com liberdade sobre assuntos que eram tabus.
Morreu em 2002, praticamente esquecida. E esquecida permanece até hoje, pelo menos para o grande público.

Tem, no entanto, alguns poucos apreciadores de sua arte, de sua literatura, que hoje já não causaria tanto furor, tanto uterino quanto entusiástico. Espalham-se por aí, em blogs lésbicos, principalmente.

Não merece o esquecimento, porque assim como Carlos Zéfiro, com seus quadrinhos eróticos, também CASSANDRA RIOS contribuiu, e muito, para a melhor compreensão e aceitação da pluralidade sexual.

Para degustar, um pequeno trecho de CARNE EM DELÍRIO:


“Nesse momento, Roberto acercou-se dela e inadvertidamente abraçou-a pela cintura. Cristina tentou desvencilhar-se de seus braços. Não queria que ele percebesse que estava chorando. Ele porém a reteve fortemente contra o peito,
— Cristina... parece incrível que depois de um mês de casados eu tenha sempre que excitá-la... exigir que seja minha... que me faça carinhos...
— Roberto... não falemos nisso agora, por favor...
— Sempre a mesma coisa. Quero-a, Cristina. Não é possível continuar assim...
— Dessa maneira? — completou ela enraivecida. — Você nunca me deu oportunidade para demonstrar-lhe minha grati...
Roberto apertou-a rudemente impedindo-a de terminar e encolerizado esbravejou:
— Isso mesmo! Gratidão! Gratidão por tê-la querido quando já pertencera a outro... outro que nem sequer pôde viver para livrá-la de cair no ridículo... E será que ele se casaria mesmo, depois de ter...
— Oh!... Como pode ser tão cruel?... — Depois ela não disse nada. Sufocou o pranto que lhe estourava no peito.
Tentou ainda livrar-se dos braços dele, porém não conseguiu. Ele estava colado nela como um polvo. Imobilizou-a e ferindo-a com a pressão forte de seus membros retesados.
— Cristina... eu a desejo...
Roberto delirava ofegante. Suas mãos percorriam-lhe o corpo desenfreadamente. Agarrava-a ainda pelas costas. Apalpou-lhe os seios por cima da fazenda fina do negligé, tateou-a inteira, querendo conhecê-la mais do que já conhecia, Mordiscou-lhe a nuca resmungando impropérios.
Cristina parecia desfalecer de pavor. Não podia ser Roberto aquele homem de cuja boca saíam palavras tão chocantes. Sentiu uma onda de frio e de calor percorrer a espinha, como se sentisse prazer.
— Oh!... solte-me, Roberto... não quero... não quero...
Correram pelo quarto numa luta tumultuosa, derrubaram mesas e cadeiras. Vasos foram espatifados. Roberto subjugou-a e atirando-a sobre a cama, desnorteado, arrancou uma a uma as peças que a vestiam e, como um animal, possuiu-a, esbravejando que ela lhe pertencia.
Deixou-a depois ofegante e saiu do quarto, rastejando como um animal ferido.
Cristina meio desfalecida comprimia as mãos contra o peito e chorava baixinho.
Ah! se tivesse surgido alguém para salvá-la das garras daquele bruto! Alguém forte e destemido.”

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

MULHER É MAIS DO QUE FODA!


Estava feliz, porque descobrira, afinal, o caminho das pedras: o gozo e o orgasmo femininos.

Hèlas!

Esqueci-me de que, em se tratando de mullher, nem tudo é o que parece. E, às vezes, aquile que nem parece, é o que é.

Ou seja, mulher é mais do que foda.

Porque a polêmica continua e talvez nem termine nunca. Pode-se perguntar a mil mulheres como elas gozam que, provavelmente, haverá mil respostas diferentes.

É um terreno em que se pisa devagar, onde há abismos, planícies, planaltos e altas montanhas. O melhor, mesmo, é bancar o aventureiro, o explorador de galáxias. Buscar sempre as respostas. E não encontrá-las nunca.

Aplaudi o texto anterior, como se tivesse encontrado o caminho das pedras. Agora, apresento mais uma idéia polêmica. E da mesma autora. Leia e tire suas conclusões.

Como sempre, o texto em francês está traduzido logo abaixo.

CLITORIDIENNE OU VAGINALE?




En 1686, Yoshida Hambei, écrivain érotique, dit qu'il se trouve un «doigt tendu» au fond de la vulve. Et que si l’homme ne touche pas ce doigt, Bouddha restera absent… A la recherche de ce fameux doigt (dont je n’avais jamais entendu parler)… j’ai trouvé, tiens, le clitoris.


Les Japonais du XVIIe siècle savaient-ils faire jouir une femme? Partant à la recherche de ses zones érogènes, ils en dénombrent entre 3 et 9 du côté du clitoris: en surface, le sexe féminin (appelé «porte royale») leur dévoile des trésors qu’ils comparent à des «sanctuaires». Puis plongeant plus profond leur quête quasi-spirituelle, certains —comme Yoshida Hambei— essayent de voir s’il n’y a pas des choses intéressantes par là aussi.

«La porte royale de bonne qualité se situe naturellement assez haut. (…) Ces abattants se rejoignent sur la fente; l’intérieur de celle-ci est doux, avec une chair tendre, alors que les bords extérieurs se ferment pour serrer l’instrument. Ainsi cette porte s’adapte à toutes les formes, grandes et petites, elle est docile comme l’eau qui épouse n’importe quel galbe. Au dedans se trouve un quartier de mandarine, mou et charnu. Et tout au fond apparaît une petite saillie rattachée à la partie supérieure, comme un doigt tendu. Quelle que soit la porte, cette saillie est toujours là, sous le même aspect. (…) Quand ce méat est suffisamment long et proéminent, la femme pousse des cris joyeux au cours de l’extase. Les dames les plus vertueuses éprouvent une sensation inexprimable, chaque fois que l’outil du seigneur touche cet endroit. Elles laissent échapper un chant semblable à celui du rossignol, enivré du parfum suave du prunier dans la brume légère.»




Laissant de coté les métaphores fleuries, j’ai voulu me renseigner sur la pertinence de cette étrange description. Me voilà plongée dans le dernier livre publié sur l’anatomie féminine.
La revanche du clitoris, de Maïa Mazaurette et Damien Mascret, édité par la Musardine.

Première mise au point. Ce que tout le monde appelle le clitoris, ce petit organe érectile à l’aspect de bouton, est en réalité la partie émergée d’un iceberg. Quand une femme dit qu’elle a trouvé son point G, ou qu’elle est vaginale, elle se trompe : ce qui, à l’intérieur du vagin lui procure du plaisir c’est la stimulation des piliers du clitoris. Le clitoris est donc bien le seul VRAI organe sexuel de la femme. Le vagin est un tube au design conçu pour la procréation et non pas pour la jouissance. «Le clitoris est l’âme d’Eros, le site de rassemblement de 8000 fibres nerveuses formant un véritable petit cerveau.» (Natalie Angier)

Deuxième découverte : bien que les piliers du clitoris s’enfoncent de part et d’autre du vagin, il est très difficile pour une femme de jouir au seul moyen de la pénétration vaginale. Parce que «dans la pénétration, la verge (ou le gode) viendrait surtout masser les corps carverneux de l’appareil génital féminin.» Les piliers du clitoris sont situés derrière ces corps caverneux, qui font l’effet d’un tampon. «Il faudrait donc cesser de se pâmer devant la-nature-qui-est-si-bien-faite pour admettre enfin que la nature a mal fait les choses en éloignant le clitoris du vagin», s’insurgent Maïa Mazaurette et Damien Mascret.
Le résultat est en effet désastreux : il est très difficile pour une femme de jouir par le seul moyen d’une pénétration vaginale. 25% seulement des femmes y parviennent. Les autres ne parviennent à jouir que si elles stimulent la partie émergée de leur clitoris.

Troisième découverte : la femme peut jouir aussi vite qu’un homme. Si elle stimule son clitoris (le bouton), elle a un orgasme aussi vite qu’un homme : le rapport Kinsey établit que 45% jouissent en trois minutes… L’idée selon laquelle les femmes seraient lentes à jouir est donc typique des personnes qui ignorent le clitoris.

«Ne minimisons pas l’intérêt de la pénétration, concluent Maïa et Damien. Mais cessons d’en faire l’alpha et l’omega de la sexualité.» Pour eux, la pénétration vaut surtout comme un symbole de l’union amoureuse. C’est une manière de montrer à l’homme qu’on aimerait l’avoir en soi (plus près de toi mon cœur)… Mais dans les faits, la femme ne peut jouir que si on s’occupe de son VRAI organe sexuel.

«Schématiquement, vouloir faire jouir une femme sans toucher son clitoris est aussi difficile que de vouloir faire éjaculer un homme sans lui toucher le gland : c’est possible, mais il y a plus simple.»

Maïa et Damien ajoutent avec humour : essayez de faire jouir une femme en lui touchant les seins, l’anus, la nuque ou tout simplement le cerveau. Si vous y arrivez, tant mieux pour vous, bravo.

Certaines personnes ne parviennent-elles pas à jouir dans leur sommeil ou par la force de la pensée ? Si on aime les complications dans la vie, il suffit donc d’emprunter les voies détournées, et continuer d’ignorer avec orgueil ce clitoris qui tend vers nous le doigt !

La pénétration vaginale doit-elle devenir une option facultative, à mettre au même rang que les bougies, les yeux dans les yeux, les baisers, les caresses, les jeux de langue, la sodomie, la fellation et le reste ? Pourquoi pas. Selon un sondage Louis Harris réalisé en 2002, 41% des femmes estiment qu’une pénétration n’est pas obligatoire à une relation sexuelle. «Les femmes restent aujourd’hui très attachées à la pénétration, masculine ou pas. Le problème c’est que certaines persistent à croire, comme on le leur a appris, que le clitoris est un organe réservé aux fillettes ou aux femmes en manque, et que seule la pénétration du vagin mérite droit de cité au royaume de la vie de couple

Je crois qu’en chemin, le texte de Yoshida Hambei s'est perdu. Mais ça ne fait rien. Ne sachant toujours pas quoi penser de cette histoire de doigt tendu, je me rabats sur une réplique empruntée au Marquis de Sade, citée telle quel dans La Revanche du clitoris : «Toi, ma poule, continua-t-elle en me baisant, tu n’abandonneras pas mon clitoris ; c’est là le véritable siège du plaisir dans les femmes.» (Histoire de Juliette).



La Revanche du clitoris, de Maïa Mazaurette et Damien Mascret, coll. L’attrape-corps, éd. La Musardine, 12 euros. Lecture indispensable.

Agnès Giard





Em 1686, Yoshida Hambei, escritor erótico, disse que se encontra um “dedo teso” no fundo da vulva. E que, se o homem não toca esse dedo, Buda estará ausente... À procura desse famoso dedo (do qual eu não tinha jamais ouvido falar)... eu achei, que surpresa! - o clitóris.

Sabiam os japoneses do século XVII fazer uma mulher gozar? Em busca de suas zonas erógenas, eles enumeram entre 3 e 9, ao lado do clitóris: em princípio, o sexo feminino (chamado “porta real”) lhes revela tesouros que eles comparam a “santuários”. Depois, penetrando mais pronfundamente a questão quase espiritual, alguns – como Yoshida Hambei – tentam ver se não há coisas interessantes por ali também.

A porta real de boa qualidade se situa naturalmente bem no fundo. (...) Suas abas de juntam sobre a fenda; seu interior é tão doce, com uma carne suave, enquanto as bordas exteriores de fecham para apertar o instrumento. Assim, essa porta se adapta a todas as formas, grandes e pequenas, ela é dócil como a água que se molda não importa o que a contorna. No fundo, econtra-se uma metade de laranja, suave e carnuda. E mais ao fundo, aparece uma pequena protuberância presa na parte superior, como um dedo teso. Qualquer que seja o tamanho, essa saliência está sempre ali, com o mesmo aspecto. (...) Quando esse meato é suficientemente longo e proeminente, a mulher solta gritos alegres ao longo do êxtase. As damas mais virtuosas experimentam uma sensação inexprimível, cada vez que o instrumento do senhor toca esse endereço. Elas deixam escapar um canto parecido ao do rouxinol, embebido de um perfume suave de ameixeira numa bruma ligeira.”

Deixando de lado as metáforas florais, tive vontade de me resignar diante da pertinência dessa estranha descrição. Eis-me enfiado no úlimo livro publicado sobre a anatomia feminina. A vingança do clitóris, de Maïa Mazaurette e Damien Mascret, editado pela Musardine.

Primeiro ponto. Aquilo que todo mundo chama de clitóris, esse pequeno órgão erétil com a aparência de um botão, é na realidade a parte aparente de um iceberg. Quando uma mulher diz que ela encontrou seu ponto G, ou que ela é vaginal, ela se engana: aquilo que, no interior da vagina, lhe proporciona prazer é a estimulação da base do clitóris. O clitóris é, então, o único verdadeiro órgão sexual da mulher. A vagina é canal de desenho concebido à procriação e não ao gozo. “O clitóris é a alma de Eros, o lugar de concentração de 8000 fibras nervosas, formando um verdadeiro pequeno cérebro” (Natalie Angier).

Segunda descoberta: ainda que a base do clitóris se estenda de um lado ao outro da vagina, é muito difícil para uma mulher gozar somente por meio da penetração vaginal. Porque “durante a penetração, o pênis (ou o consolo) iria, sobretudo, massagear os corpos cavernosos do aparelho genital feminino”. A base do clitóris está situada atrás desses corpos cavernosos, que agem como um tampão. “Era precido, então, parar de se extasiar diante da natureza-que-faz-tudo-tão-bem-feito para admitir enfim que a natureza fez mal feitas as coisas ao afastar o clitóris da vagina”, insurgem-se Maïa Mazaurette e Damien Mascret.
Com efeito, o resultado é desastroso: é muito difícil para uma mulher gozar pelo único meio de uma penetração vaginal. Somente 25% das mulheres o conseguem. As outras só conseguem gozar se estimulam a parte saliente de seus clitóris.

Terceira descoberta: a mulher pode gozar tão rapidamente como um homem. Se ela estimula seu clióris (o botão), ela tem um orgasmo tão rápido quanto um homem: o relatório Kinsey estabelece que 45% gozam em três minutos... A idéia segundo a qual as mulheres seriam lentas no gozo é, então, típica de pessoas que ingoram o clitóris.

Não minimizemos o interesse da penetração, concluem Maïa e Damien. Mas paremos de fazer disso o alfa e o ômega da sexualidade”. Para eles, a penetração vale sobretudo como um símbolo da união amorosa. É uma maneira de mostrar ao homem que nós amaríamos tê-lo dentro de nós (quanto mais perto de ti meu coração)... Mas, de fato, a mulher não pode gozar sem que se ocupem de seu VERDADEIRO órgão sexual.

Esquematicamente, querer fazer gozar uma mulher sem tocar seu clitóris é tão difícil quando querer fazer ejacular um homem sem tocar sua glande: é possível, mas há um jeito mais fácil”.

Maïa e Damien acrescentam com humor: tente fazer gozar uma mulher tocando-lhe os seios, o ânus, a nuca ou apenas simplesmente a cabeça. Se você o conseguir, melhor para você, parabéns.
Algumas pessoas não conseguem gozar enquanto dormem ou pela força do pensamento? Se se gosta das complicações da vida, basta então tomar as vias tortas, e continuar a ignorar com orgulho esse clitóris que aponta o dedo para nós!

A penetração vaginal deve-se tornar uma opção facultativa, posta no mesmo nível que as velas, os olhos nos olhos, os beijos, as carícias, os jogos de palavras, o sexo anal, a felação e tudo o mais? Por que não? Conforme uma pesquisa de opinião realizada em 2002, 41% das mulheres consideram que uma penetração não é obrigatória numa relação sexual. “As mulheres ficam hoje muito presas à penetração, masculina ou não. O problema é que algumas continuam a acreditar, como lhes ensinaram, que o clitóris é um órgão reservado às virgens ou às mulheres carentes, e que somente a penetração da vagina merece o privilégio no reino da vida de um casal."

Acredito que por esse caminho, o texto de Yoshida Hambei se equivocou. Mas não faz mal. Nem sempre sabendo o que pensar dessa história de dedo teso, eu me conformo com uma réplica emprestada ao Marquês de Sade, citada ao pé da letra em A vingança do clitóris: “Tu, minha amante, continuou ela, ao me beijar, tu não abandonarás meu clitóris; está lá o verdadeiro centro do prazer nas mulheres” (Histoire de Juliette).




quarta-feira, 30 de setembro de 2009

MULHER É FODA!



Tínhamos, eu e alguns amigos, nossos dezesseis, dezessete anos. Interior de Minas. Atraso. Principalmente sexual. Curiosos, líamos muitos livros de inciação. Até palestras, de vez em quando, nos proporcionava o Colégio onde estudávamos. Palestras mescladas com o conservadorismo ferrenho da santa madre igreja católica apostólica romana. Sexo e pecado andavam juntos.

O corpo, porém, com sua natureza febril, falava mais alto. Ou melhor, exigia. A língua é que falava. E muito. Sobre sexo, claro. O pecado, àquela altura, já havia sido exorcizado: não mais acreditávamos nas baboseiras dos padres. Mesmo assim, o sexo era difícil, quase impossível: só a zona do meretrício proporcionaria alívio. Éramos menores, no entanto, menores e... (o que era pior) duros! Como nossos sexos dentro de nossas calças.

Uma vez, sei lá como, sei lá por que, numa dessas conversas de moleques sobre sexo, de interrogações e dúvidas, chegamos à conclusão de que as mulheres deveriam ter muito mais prazer com o sexo do que os homens, por sua anatomia e por uma série de outras possiblilidades e probabilidades que aventamos e achamos que descobríramos.

Só me lembro que era uma teoria (apenas teoria: helàs!) complicada, talvez prolixa. Mas a conclusão era óbvia, para nós, naquele momento meio mágico, quando mal ainda descobríamos o outro sexo: as mulheres deviam gozar mais que os homens. Ponto.

O tempora!

Pois, é: o tempo passou. E agora, ao ler (e traduzir) o texto da escritora francesa Agnès Giard, que eu publiquei no post anterior deste blog, constato que ela, através da análise de dois livros de autores diferentes, chega à mesma conclusão. Ou seja, a mulher tem dois tipos de gozos: o vaginal e o clitoridiano.

Mulher não apenas goza, mas também tem orgasmos!

Dois gozos num só ato e suas adjacências ou manobras!

Os moleques bobos de tantos anos atrás já haviam intuído algo que os estudiosos agora dão a conhecimento! Mesmo assim, eu passei a vida toda tentando entender as mulheres, sem nem me lembrar mais de que, um dia, ainda moleque insipiente e incipiente, descobrira que elas gozam, sim, mais, muito mais, do que os homens. Porque elas podem, quando fodem ou, até mesmo, quando não fodem!

Mulher é mesmo foda! Muito foda!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

ORGASMER OU JOUIR, TELLE EST LA QUESTION


Probablement parce que beaucoup de femmes n’arrivent pas à jouir pleinement, certains sexologues disent que l’orgasme est «facultatif». Discours rassurant. Mais est-ce si vrai? Jean-Claude Piquard consacre un livre intitulé Les deux extases sexuelles. La jouissance et l'orgasme enfin expliqués!

Dans La Sexualité des gens heureux, le sexologue Pascal de Sutter souligne que l’abstinence augmente les risques de dépression. Pour être heureux, il faut faire l’amour. «Il existe une explication neurochimique liée à la production d'endorphines: ces substances contribuent à procurer une sensation de bien-être et possèdent un effet tranquillisant comparable à un médicament comme le Valium.» Mais, peut-être pour se démarquer d’un discours trop culpabilisant (tout le monde n’a pas forcément la possibilité de jouir), Pascal de Sutter ajoute: «Le bonheur sexuel n'est pas synonyme de performance.» Ouf, on respire. Il est donc possible d’être heureux sans pour autant cocher «orgasme» dans la liste des obligations?

«47% des femmes qui se disent heureuses ou très heureuses n'arrivent pas si souvent à l'orgasme. Et pourtant, cela ne les empêche pas de se sentir bien. L'orgasme n'est donc certainement pas indispensable au bonheur? [...] Il existe cependant une sorte de cercle vertueux entre les deux phénomènes: une femme heureuse et épanouie sexuellement qui ne jouit pas et ne se pose pas trop de questions finira probablement par y arriver un jour ou l'autre. Et même si elle n'y arrive jamais, au fond ce n'est pas grave. Rien n'est obligatoire.»

Curieusement, un autre livre sort ce mois-ci, avec un point de vue légèrement différent: dans Les deux extases sexuelles, Jean-Claude Piquard, ergothérapeute, explique la différence entre l’orgasme et la jouissance, avec une précision lumineuse. Beaucoup de femmes affirment qu’elles n’éprouvent pas d’orgasme, sans savoir de quoi elles parlent précisément. Si elles savaient, peut-être y arriveraient-elles plus facilement? Le grand problème, à l’heure actuelle, c’est que le discours sur la sexualité manque cruellement de précision. «Encore un livre sur la sexualité! La sexualité est partout, sur les affiches, dans les magazines et à la télé! On en parle trop!». Voilà le discours dominant, véhiculé principalement par des journalistes masos: s’auto-flagellant à tort, ils affirment que les médias imposent une «dictature du sexe». Ce qui est faux, bien évidemment. Ils se contentent de répondre à la demande. Ils n'imposent rien. Ils ne font que satisfaire (pas très bien d'ailleurs) les attentes d'un lectorat ou d'un audimat.

Les gens s'intéressent au sexe. Or, le problème avec le discours actuel sur le sexe, ce n’est pas qu’il est autoritaire. C’est juste qu’il est mauvais: "On a l’impression qu’on en parle trop peut-être parce qu’on en parle mal, avec gêne ou obscénité, sans trouver les mots justes, explique Jean-Claude Piquard. A la sortie d’un long tunnel de deux siècles de répression s’articulant autour de l’interdit de la masturbation, notre culture sexuelle est encore marquée. Dans notre conception collective, le coït est représenté exagérément par rapport aux caresses intimes, à la masturbation réciproque. Plus étonnant encore, l’orgasme semble être l’unique objectif d’une relation sexuelle. Résultat: la moitié des femmes occidentales ne connaissent pas l’orgasme!».
Tel est le bilan: on parle mal de sexualité, donc on le fait mal. On ne connaît même pas le sens du mot orgasme. Pas étonnant qu’on ne sache comment s’en procurer un. La définition de ce mot est floue, subjective, totalement éculée: «point culminant du désir sexuel».
Etant donné que chaque personne atteint forcément un point culminant dans son plaisir, plus ou moins intense, cette définition pourrait laisser croire que tout le monde a un orgasme en faisant l’amour. Faux.

«Pour l’homme, l’orgasme est essentiellement lié à l’éjaculation, c’est un moment court, avec des contractions rythmées au niveau du bassin mais aussi des spasmes sur l’ensemble du corps, parfois jusqu’au visage, accompagné d’une explosion du plaisir, le tout induisant une résolution de la tension sexuelle. L’équivalent pour la femme est essentiellement l’orgasme clitoridien, déclenché par le stimulation du clitoris. L’orgasme féminin dure de 5 à 15 secondes. Le vagin se contracte involontairement et fortement, de 4 à 5 contractions à 0,8 secondes d’intervalles. L’ensemble du corps est soumis à des spasmes cloniques."

Mais alors, comment parler et nommer l’immense plaisir vaginal, plaisir qui monte progressivement, qui ondule parfois, dure longtemps, qui ne génère pas de contractions vaginales réflexes ni de spasmes sur l’ensemble du corps? Jean-Claude Piquard propose de le nommer jouissance. "L’orgasme explose, résout la tension sexuelle dans un acmé de plaisir. Il est déclenché essentiellement par une stimulation du gland ou du clitoris (qui ont la même origine embryonnaire). La jouissance, elle, est essentiellement vaginale, varie progressivement en intensité, avec souvent une forte implication émotionnelle. Il y a des pics de jouissances, avec un plaisir immense mais sans contractions réflexes sur le corps. Une femme qui ne connaît que la jouissance peut se sentir mal à l’aise à la fin du rapport sexuel. Elle ne comprend pas pourquoi, après tant de plaisir, elle demeure insatisfaite. En fait, il lui manque la résolution de la tension sexuelle que procure l’orgasme clitoridien. Certaines en arrivent même à ne plus faire l’amour, alors qu’elles y trouvent du plaisir, pour éviter cette inexplicable sensation de rester sur sa faim, d’autant plus si l’homme s’endort, repu." Pour Jean-Claude Piquard, l'orgasme est donc nécessaire. Rien de dictatorial dans ce discours. Il s'agit juste de remettre les pendules à l'heure: si l'on admet que la majorité des femmes a des orgasmes par stimulation du clitoris, et non pas par pénétration vaginale, rien n'est plus facile que d'avoir des orgasmes. Il suffit de s'intéresser un peu plus au clitoris. Soit en se masturbant pendant la pénétration, soit en se masturbant avant et après, soit en se masturbant côte à côte ou réciproquement.

La plupart des femmes ont été éduquées à tout attendre de leur partenaire, dans une attitude passive. C'est à l'homme de les faire jouir, pensent-elles. Il ne leur viendrait jamais à l'idée qu'en amour, c'est à chacun de prendre son plaisir en main. Le discours le plus culpabilisant n'est donc finalement pas celui qu'on croit. Les hommes se sentiraient certainement beaucoup mieux dans leur peau, s'ils traitaient les femmes sur un pied d'égalité: "Prends-toi en charge, arrête de me reprocher que je ne te procure pas d'orgasme. Caresse-toi. Masturbe-toi, entraîne ton clitoris. Le phallus n'est qu'un instrument pour se mettre en condition, pour se sentir plus proche l'un de l'autre. Sers-toi de mon pénis pour jouir. Mais sers-toi de tes doigts pour te faire orgasmer". Quant aux femmes, elles devraient plus souvent exiger de l'homme qu'il s'occupe de ce clitoris au lieu de les ramoner bêtement. Le va et vient leur donne parfois l'impression qu'elles sont juste des poupées gonflables.




Agnès Giard (*)


Les deux extases sexuelles, Jean-Claude Piquard, éd. Les Presses Libres, 14 euros. La Sexualité des gens heureux, Pascal de Sutter, éd. Les Arènes, 19 euros.






TER ORGASMO OU GOZAR, EIS A QUESTÃO

Provavelmente, porque muitas mulheres não cheguem a gozar plenamente, alguns sexólogos dizem que o orgasmo é “facultativo”. Discurso animador. Mas, verdadeiro? Jean-Claude Piquard ratifica-o num livro intitulado Os dois êxtases sexuais. O gozo e o orgasmo enfim explicados!

Em A Sexualidade das pessoas felizes, o sexólogo Pascal de Sutter sublinha que a abstinência aumenta os riscos de depressão. Para ser feliz, é preciso fazer amor. “Não existe uma explicação neuroquímica ligada à produção de endorfinas: essas substâncias contribuem para proporcionar uma sensação de bem-estar e têm um efeito tranquilizante comparável a um medicamento como o Valium”. Mas, talvez por se tratar de um discurso culpabilizador (nem todo mundo tem necessarimente a possibilidade de gozar), Pascal Sutter acrescenta: “ A felicidade sexual não é sinônimo de performance”. Ufa! pode-se respirar: então, é possível ser feliz sem, por isso, acrescentar o “orgasmo” na lista das coisas obrigatórias?

“47% das mulheres que se dizem felizes ou muito felizes não chegam tão frequentemente ao orgasmo. No entanto, isso não as impede de se sentir bem. O orgasmo não é, portanto, tão indispensável assim à felicidade? “[...] Existe, entretanto, uma espécie de círculo virtuoso entre os dois fenômenos: uma mulher feliz e plena sexualmente que não goza e não se questiona muito acabará provavelment por conseguir um gozo ou outro. E mesmo que ela não consiga jamais, no fundo isso não é grave. Ninguém é obrigado a gozar.”

Curiosamente, outro livro sai este mês aqui na França, com um ponto de vista ligeiramente diferente: em Os dois êxtases sexuais, Jean-Claude Piquard, ergoterapeuta, explica a diferença entre o orgasmo e o gozo, com uma lúcida precisão. Muitas mulheres afirmam que não atingem o orgasmo, sem saber de que estão falando exatamente. Se elas soubessem, talvez chegassem a ele mais facilmente? O grande problema, atualmente, é que ao discurso sobre a sexualidade falta absoluta precisão. “Mais um livro sobre sexualidade! A sexualidade está em todo lugar, nos anúncios, nas revistas e na televisão. Fala-se demais de sexo!” Eis o discurso dominante, veiculado principalmente por jornalistas masoquistas: punindo-se sem razão, eles afirmam que as mídias impõem uma “ditadura do sexo”. O que é falso, evidentemente. Eles se contentam em responder à damanda. Eles não se obrigam a nada. Eles não fazem mais do que satisfazer (não muito bem, aliás) às expectativas de seus leitores ou do ibope.

As pessoas se interessam por sexo. Contudo, o problema com o discurso atual sobre sexo é que ele não é mais do que autoritário. Quase equivocado: “
Tem-se a impressão de que se fala muito talvez porque se fala mal, com vergonha ou com obscenidade, sem encontrar as palavras exatas, explica Jean-Claude Piquard. Na saída de um longo túnel de dois séculos de repressão se articulando em torno da proibição da masturbação, nossa cultura sexual é ainda marcada. Em nossa concepção coletiva, o coito é representado exageradamente no que se refere às carícias íntimas, à mastubação recíproca. Mais espantoso ainda, o orgasmo parece ser o único objetivo de uma relação sexual. Resultado: metade das mulheres ocidentais não sabe o que é um orgasmo”.

Este o resultado: fala-se mal da sexualidade, faz-se um mau sexo. Nem mesmo se conhece o significado da palavra orgasmo. Menos espantoso que não se saiba como proporcionar um. A definição dessa palavra é imprecisa, subjetiva, totalmente gasta: “ponto culminante do desejo sexual”. Se nos dermos conta de que cada um espera forçosamente um ponto culminante em seu prazer, mais ou menos intenso, essa definição poderia fazer crer que todo mundo tem um orgasmo quando faz amor. Falso.

“Para o homem, o orgasmo está essencialmente ligado à ejaculação, é um momento curto, com contrações ritmadas no nível da bacia, mas também com espasmos em todo o corpo, às vezes até no rosto, acompanhado de uma explosão de prazer, o todo induzindo uma redução da tensão sexual. O equivalente para a mulher é essencialmente o orgasmo clitoridiano, provocado pela estimulação do clitóris. O orgasmo feminino dura de 5 a 15 segundos. A vagina se contrai involuntária e fortemente, de 4 a 5 contrações em 0,8 segundos de intervalos. Todo o corpo é sacudido por espamos clônicos”.

Mas, então, como falar do imenso prazer vaginal, prazer que aumenta progressivamente, que ondula por vezes e dura muito tempo, que não gera contrações vaginais automáticas nem espasmos em todo o corpo? E como nomeá-lo? Jean-Claude Piquard propõe chamá-lo de gozo.
“O orgasmo explode, resolve a tensão sexual em um apogeu de prazer. Ele é acionado essencialmente por uma estimulação da glande ou do clitóris (que têm a mesma origem embrionária). O gozo, por sua vez, é essencialmente vaginal, varia progressivamente de intensidade, com uma enorme implicação emocional, muitas vezes. Há picos de gozo, com um prazer imenso, mas sem contrações automáticas do corpo. Uma mulher que só conhece o gozo pode se sentir facilmente mal ao fim da relação sexual. Ela não compreende por que, apesar de tanto prazer, continua insatisfeira. De fato, falta-lhe a resolução da tensão sexual que proporciona o orgasmo clitoridiano. Algumas chegam mesmo a não mais fazer amor, porquanto não encontram nele o prazer, para evitar essa inexplicável sensação de ficar ainda com fome, enquanto o homem adormece, saciado.”

Para Jean-Claude Piquard, o orgasmo é então necessário. Nada de ditatorial nesse discurso. Trata-se apenas de por as coisas nos eixos: se se admite que a maioria das mulheres tem orgasmos pela estimulação do clitóris, e não pela penetração vaginal, nada é mais fácil que conseguir orgasmos. Basta se interessar um pouco mais pelo clitóris. Seja se masturbando durante a penetração, seja se masturbando antes e após, seja se masturbando lado a lado ou reciprocamente.

A maior parte das mulheres foi educada a esperar tudo de seu parceiro, numa atitude passiva. É obrigação do homem fazê-las gozar, pensam elas. Não lhes viria jamais a idéia de que, no amor, cabe a cada um buscar o seu próprio prazer. O discurso mais culpabilizador não é, então, finalmente, aquele em que se crê. Os homens se sentiriam muito melhor em sua pele, se tratassem as mulheres em pé de igualdade: “Te vira, para de me culpar porque não te proporciono orgasmo. Acaricia-te. Masturba-te, provoca teu clitóris. O falo não é mais que um instumento para se agasalhar, para nos sentirmos mais próximos um do outro. Serve-te de meu pênis para gozar. Mas serve-te de teus dedos para teres um orgasmo.” Quanto às mulheres, elas deviam mais vezes exigir que o homem se ocupe de seu clitóris no lugar de as foder simplesmente. O vai e vem dá muitas vezes a impressão de que eles são apenas bonecos infláveis.

(*) Nota: Journaliste spécialisée dans les contre-cultures, le Japon et l’art déviant, correspondante pendant neuf ans de la revue japonaise S & M Sniper, je suis l’auteur du livre d’art Fetish Mode (éd. Wailea, Tokyo, 2003), (éd. Cherche-Midi, Paris 2004), L'Imaginaire érotique au Japon (éd. Albin Michel, Paris 2006), le Dictionnaire de l'Amour et du Plaisir au Japon (éd. Glénat, 2008), et Les Objets du désir au Japon (éd. Glénat, 2009).

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

TÁNATOS NO IMPÉRIO DE EROS


Ainda sob o império da ditadura e da feroz censura que, além de política, também era extramamente moralista, daquele falso moralismo característico das direitas, foi lançado meio tardiamente no Brasil o filme IMPÉRIO DOS SENTIDOS.
Quase um escândalo.

Digo quase, porque acho que realmente não foi visto por tanta gente assim, que justificasse um escândalo, passeatas, protestos etc.

Mas chocou. Com suas cenas fortes de sexo explícito, nunca antes vistas em cinema dito “sério”, ou seja, num filme que pretendia ser uma obra de arte. E, naquela época, arte e sexo não combinavam muito bem, na cabeça de certas pessoas.

Revi-o agora. Sem o escândalo. Sem os comentários idiotas de gente que destacava, por exemplo, a cena do ovo, para fazer piadinhas mais idiotas ainda (não, não vou descrever a cena: assista ao filme).

O que dizer de O Império dos Sentidos, agora?

Talvez apenas uma palavra: obra-prima!

Tem uma história magistral de amor, mas de um amor visceral, carnal, que extrapola qualquer romantismo que ainda pudéssemos ter em relação ao amor.

E mais: a presença de Tánatos no banquete de Eros traduz-se num dos mais perfeitos roteiros de cinema que eu já vi: nada é demais, nada é de menos.

O uso das cores para realçar tanto a paixão carnal quanto a presença sutil do sangue prepara sutilmente o desenlace de uma história acontecida no Japão de 1936, quando rondava o mundo uma das maiores tragédias da história.

Extremamente intimista, o filme é valorizado pela interpretação de Tatsuya Fuji, ator premiado e de grande sucesso no Japão, e de Eiko Matsuda, atriz de tal forma marcada pelas cenas ousadas do filme, que teve de abandonar seu País, passando a viver na Europa.

Serviço:

Ai no corrida, ou 愛のコリーダ (O Império dos Sentidos, no Brasil e em Portugal, e L'empire des sens, na França), é um filme japonês e francês de 1976, do gênero drama erótico, dirigido por Nagisa Oshima.

Encontra-se em DVD, nas boas lojas do ramo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

LA FELLATION, ACTE REBELLE


Il peut sembler paradoxal de revendiquer la fellation comme une forme de libération féminine. Et pourtant, Lilith suçait. C'est, à en croire Primo Levi, la première femme de la Création. Elle faisait l'amour avec sa bouche. Jusqu’au jour où… Ève est arrivée.

Il existe, dans la tradition judéo-chrétienne, deux histoires très différentes de la création. Dans la première, Dieu aurait créé la femme et l’homme égaux. Lilith sortait de la même argile qu’Adam. Mais comme Dieu n’avait pas assez d’argile, il mit le sexe de Lilith sur son visage, son utérus occupant la place du cerveau. Lilith – symbole du plaisir sexuel absolu – jouissait donc par la bouche. Quand elle s’est enfuie, par refus de soumission à l'homme, Dieu créa Ève, pâle ersatz d’Adam, pour lui obéir fidèlement. Tandis qu’Ève inaugurait l’ère de la femme au foyer, Lilith, elle, est restée libre, stérile, affamée de désir, tenaillée par une faim permanente. C’est la femme des premiers âges.

«On dit qu’elle aime la semence des hommes», explique Primo Levi. «Toute la semence qui échappe à la seule destination admise – la matrice conjugale – elle s’en empare: toute celle que chaque homme a gaspillé dans sa vie, en rêve ou par vice»… Lilith, la louve junkie, recueille le sperme du monde avec l’appétit d’une démone. Comme les succubes, elle vient la nuit visiter les hommes pour les sucer dans leur sommeil. Vampire nocturne, Lilith incarne la puissance du désir porté à son incandescence: elle fait l’amour avec sa langue, avec l’orifice sacré de la parole, transformant l’acte sexuel passif en acte de création. Car en elle, le sperme ne donne pas naissance à des enfants de chair et d’os. Il féconde son cerveau et non pas son ventre.
Voilà pourquoi Lilith fait peur: elle fait l’amour d’une façon mystique, recevant le phallus comme une hostie, à genoux devant le fétiche qu’elle embrasse, éblouie par la grâce… il y a quelque chose de scandaleux dans ce plaisir contre-nature. Car Lilith parvient, en adorant le sexe viril, à renverser les rôles: c’est l’homme qui s’abandonne entre ses lèvres, et non pas la femme qui se soumet. C’est la femme qui prend le contrôle et l’homme devient sa nourriture. Spirituelle bien sûr. Mais il n’empêche, c’est ambigu: pour beaucoup d’hommes, la fellation reste une menace associée au «con denté».

Pour eux, la seule manière de surmonter cette angoisse de castration consiste à faire de Lilith un «trou» où décharger toute cette agressivité revancharde. Les résumés des vidéos X illustrent bien cet état d’esprit. «Pour la première fois de sa vie, une belle blonde se fait remplir de sperme par tous les trous. Cette salope complètement déchainée s’étranglera en avalant le sperme d’une dizaine de queues» (Puissance X2). «Ils la forcent à les sucer pour la transformer très vite en vide-couilles. Son corps et sa bouche servent de serpillère pour éponger le foutre» (Gang-bang et sodo pour une salope). Résumés révélateurs: «Sous la loupe grossissante de la pornographie, explique Claude Guillon, auteur du livre Le Siège de l’âme, la femme doit être soumise, humiliée et satisfaite de l’être, mais cela ne suffit pas. Le voyeur-violeur postule que la salope aime l’abjection qu’il lui impose: ce postulat lui est d’un certain secours émotionnel pour surmonter la honte de ses faiblesses.»

Et pourtant, même réduite a silence, la fellatrice peut rester sublime: ne se souciant ni d’orgueil, ni de morale, elle dépasse le vieux problème de la violence et du sacrifice. C’est la mutante idéale du roman d’Alina Reyes qui lui consacre – sous le titre éclatant Lilith – sa plume la plus fiévreuse et haletante. Lilith est un roman de science fiction apocalyptique: une femme du futur retourne à l’état primitif. Elle devient “mangeuse” d’homme, notre nouvelle mère. Lilith réincarnée, pour qu’enfin nous puissions sucer sans nous avilir.


Agnès Giard (*)






Histoire raisonnée de la fellation, Thierry Leguay, (éd Le Cercle).
Lilith, Alina Reyes (éd robert Laffont).
Lilith, Primo Levi, (éd Liana Levi).
Le siège de l’âme, Claude Guillon, (éd Zulma).



Tradução: A felação, ato de rebeldia

Pode parecer paradoxal reivindicar a felação como uma forma de liberação feminina. Contudo, Lilith chupava. A acreditar em Primo Levi, ela é a primeira mulher da Criação. Fazia amor com a boca. Até o dia em que.... Eva chegou.

Existe, na tradição judaico-cristã, duas histórias muito diferentes da criação. Na primeira, Deus criara a mulher e o homem iguais. Lilith saía do mesmo barro que Adão. Mas como Deus não tinha muita argila, ele colocou o sexo de Lilith em seu rosto, o útero ocupando o lugar do cérebro. Lilith – símbolo do prazer sexual total – gozava, então, pela boca. Quando ela fugiu, por recusar-se a submeter-se ao homem, Deus criou a Eva, pálido rascunho de Adão, para lhe obedecer fielmente. Enquanto Eva inaugurava a era da mulher dona de casa, Lilith ficava livre, estéril, sedenta de desejo, atormentada por uma fome permanente. É a mulher de eras passadas.

“Diz-se que ela ama o esperma dos homens”, explica Primo Levi. “ De todo o esperma que escapa ao único destino aceito - a relação conjugal – ela se apossa: de tudo aquilo que cada homem desperdiçou em sua vida, em sonho ou pelo vício”... Liliht, a loba viciada, recolhe o esperma do mundo com apetite de um demônio. Como os súcubos, ela vem à noite visitar os homens para chupá-los durante o sono. Vampira noturna, Lilith encarna o poder do desejo levado ao paroxismo: ela faz amor com a língua, com a cavidade sagrada da palavra, transformando o ato sexual passivo em ato de criação. Porque, nela, o esperma não dá origem a crianças de carne e osso. Ele fecunda seu cérebro e não seu ventre.

Lilith provoca medo: ela faz amor de uma forma mística, recebendo o falo como uma hóstia, de joelhos, diante do fetiche que ela beija, cheia de graça... há qualquer coisa de escandaloso nesse prazer antinatural. Porque Lilith consegue, ao adorar o sexo viril, trocar os papéis: é o homem que se abandona entre seus lábios, e não a mulher que se submete. É a mulher que toma o controle e o homem se torna seu alimento. Espiritual, claro. Mas que não impede esta ambiguidade: para muitos homens, a felação permanece como uma ameaça associada à “vagina dentada”.

Para eles, a única maneira de superar essa angústia da castração consiste em fazer de Lilith um “buraco” onde descarregar toda a agressividade revanchista. Resumos de vídeos pornôs ilustram bem esse estado de espírito: “Pela primeira vez em sua vida, uma bela loira se faz encher-se de esperma por todos os buracos. Essa vadia completamente descontrolada sufocará ao engolir o esperma de uma dezena de cacetes” (Poder X2). “Eles a forçam a chupá-los para transformá-la em receptáculo. Seu corpo e sua boca servem de pano de chão para absorver a porra” (Gang-bang e sodomia para uma puta). Resumos reveladores: “Sob a lupa de aumento da pornografia, explica Claude Guillon, autor do livro O Centro da Alma, a mulher deve ser submissa, humilhada e ficar satisfeita de o ser, mas isso não é suficiente. O voyeur-violador deseja que a prostituta ame a abjeção que ele lhe impõe: esse seu postulado é de uma incontestável ajuda emocional para superar a vergonha de suas fraquezas”.

Apesar disso, ainda que reduzida ao silêncio, a felatriz pode tornar-se sublime: não se preocupando nem com o orgulho, nem com a moral, ela supera o velho problema da violência e do sacrifício. É a mutante ideal do romance de Alina Reyes, que lhe consagra – sob o brilhante título de Lilith – sua pena mais ardente e excitante. Lilith é um romance de ficção científica apocalíptico: uma mulher do futuro retorna aos tempos primitivos. Ela se torna uma “devoradora” de homens, nossa nova mãe. Lilith reencarnada, para que, finalmente, nós possamos chupar sem nos aviltar.


(*) Nota: Journaliste spécialisée dans les contre-cultures, le Japon et l’art déviant, correspondante pendant neuf ans de la revue japonaise S & M Sniper, je suis l’auteur du livre d’art Fetish Mode (éd. Wailea, Tokyo, 2003), (éd. Cherche-Midi, Paris 2004), L'Imaginaire érotique au Japon (éd. Albin Michel, Paris 2006), le Dictionnaire de l'Amour et du Plaisir au Japon (éd. Glénat, 2008), et Les Objets du désir au Japon (éd. Glénat, 2009).

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

F COME FELLATION


Une main caresse les testicules, fermes et moelleuses à la fois, l’autre monte et descend le long de la hampe, faisant lentement glisser le prépuce sur le gland où la langue musarde et se délecte avant de s’enfiler légèrement dans le méat qu’elle titille malicieusement.

La bouche de velours humide, aspire et tête le membre ravi qui, fier, se dresse sous l’hommage amoureux.

Les doigts effleurent la lisse et tendre peau du périnée, folâtrent sur l’anus, puis dessinent sur les fesses de folles arabesques.

Le membre en la bouche enfoncé, de plaisir se raidit autant que faire se peut.

La bouche, dont les lèvres recourbées protègent le phallus de la rudesse des dents, petites perles cruelles, s’active et se régale sur la mâle vigueur.

Le va et vient s’active, le paroxysme approche.

Mais l’enjôleur mouvement s’apaise et s’alanguit, il est encore trop tôt pour que la jouissance fuse et la langue à nouveau caresse le tendre gland.

D’un coquin mouvement la bouche enserre puis lâche la bite abandonnée à ses soins ardents.

Les hanches entrent en danse, poussant entre les lèvres soyeuses le sexe turgescent qui exige, qui prend, qui réclame.

Et la bouche à nouveau danse follement le long de long de la verge dont les doigts compriment la base.

Elle se retire soudain et, dans un long spasme libérateur, jaillit des profondeurs la blanche semence.






Tradução:


F. DE FELAÇÃO

Uma das mãos acaricia os testículos, firmes e às vezes macios, enquanto a outra sobe e desce ao longo do pau, fazendo lentamente deslizar o prepúcio sobre a glande onde a língua passeia e se deleita antes de se meter agilmente no orifício que ela titila maliciosamente.

A boca veludosa e úmida chupa e mama o membro deliciado que, altivo, endurece sob a homenagem amorosa.

Os dedos tocam levemente a lisa e suave pele do períneo, brincam no ânus, depois desenham nas nádegas loucos arabescos.

O membro, atolado na boca, de prazer, fica cada vez mais duro.

A boca, cujos lábios recurvos protegem o falo da rudeza dos dentes, pequenas pérolas cruéis, se apressa e se regala com o vigor viril.

O vai e vem aumenta, o paroxismo se aproxima.

Quanto mais o delicioso movimento sacia e enfraquece, ainda mais rapidamente o prazer irrompe e a língua de novo acaricia a suave glande.

Com um movimento malicioso, a boca se fecha, depois libera o pau de suas atenções ardentes.

As ancas entram em ação, empurrando entre os lábios sedosos o sexo túrgido que exige, que toma, que reclama.

E a boca de novo dança loucamente ao longo da vara na qual os dedos comprimem a base.

Ela se retira de repente e, num longo espasmo libertador, jorra das profundezas a porra branca.


(Les histoires érotiques de Yoni : http://www.celestissima.org/yoni/)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Conto levemente sacana 5 - Lição de amor

...hmm... sabe, sempre quis morrer nessa boca, o paraíso, me beija mais, me beija, sem susto, vem ninguém, não, estão lá dentro, na televisão, você gostou? me diz, você gostou? eu quero mais, você não quer? ah! diz que quer, vamos, diz, tenha medo não, veja, a rua está deserta e a lua, escondida, outro beijo, vem cá, isso, nunca? nunca beijou assim? eu vou te ensinar, direitinho, eu sei que você quer, também eu, sempre, sempre te quis, te olhava passar, ficava assim, sinta, gostou? com você eu quero carinho, devagarzinho, vai de novo, achou? isso, agora vira para a esquerda, isso, ai que bom, bom demais, assim, isso, vamos, ficou melhor assim? espere, eu mudo, eu mudo, desculpe, te machuquei? te machuquei? não fica assim, um beijinho e passa, pronto, está melhor? agora você, de novo, isso, enfia o dedo bem devagarzinho por baixo, sem fazer força, gira, gira, devagarzinho, pronto, agora o outro, do mesmo jeito, sem pressa, ai, que loucura, não, ainda não, devagarzinho, sabe, com doçura, quero ver seus olhos lindos, assim, nos meus olhos, outro beijo, gostoso, hmm, cariciosa a mão, o dedo, sabe a rosa? a pétala? pois é, assim, veludo, céu de estrela, pele lisinha, bom, muito bom, ai, que boca, eu morro mais um pouquinho, me dê sua mão, isso, falta o último, eu te ajudo, está muito escuro, eu sei, e se a lua aparecer? uma vez... não, deixa pra lá, só nós, sem nenhum passado, sem nenhuma lembrança, só nós, se a lua aparecer... não, não vai aparecer, não... ai, que bom, deixa a lua, lá, escondidinha, ela também gosta disso, ouviu? então ela não aparece, sabe por quê? ela, a lua, ai que bom, ela também é mulher, ela é mulher como nós, e não vai, nunca, nos incomodar...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

SEXO LIVRE? COM A AIDS POR AÍ?

Nem pensar, não é? O sexo livre dos anos 70 é passado. Quem aproveitou e se lambuzou, agora só tem a lamentar que, de repente, uma doença de grande letalidade, ligada ao ato sexual, tenho vindo acabar com a festa. Ou quase!

A AIDS ou SIDA, como é mais conhecida internacionalmente, mesmo que não frequente como antes as mídias, continua uma preocupação. E nada de relaxar. Ou melhor, só se deve relaxar, e aproveitar o sexo, devidamente protegido.

Por que esse papo?

Porque encontrei duas figuras muito criativas em termos de marketing contra a AIDS. Ambas,de um fotógrafo chamado Dimitri Daniloff, do qual sei muito pouco, ou quase nada.

Diz a legenda de ambas:

SEM PRESERVATIVO, É COM A AIDS QUE VOCÊ FAZ AMOR. PROTEJA-SE.